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Março 2020 – enólogo Rui Cunha na garrafeira do BON BON
Bons tempos aqueles, antes da pandemia e do distanciamento social, em que um amigo sabia que estávamos no Algarve e passava pelo restaurante só para nos dar um abraço!
Como nos aconteceu em março passado, no BON BON, com Rui Cunha.
O enólogo que, para além dos seus Secret Spot Wines, assina vinhos tão diversos e fascinantes como os Quinta da Boavista, Covela, Lavandeira ou Valle Pradinhos, entre tantos outros.
Não tendo sido difícil, aliás, encontrar um deles na vasta garrafeira de Nuno Diogo, para registar este momento.
Logo à entrada, estava uma garrafa de 3 litros do Campo Ardosa tinto 2003, produzido no Douro pela Quinta da Carvalhosa… com enologia de Rui Cunha!
Campo Ardosa tinto 2003
Ver também:
Enólogo Rui Cunha e o branco seco Lavandeira Avesso 2018
Foi uma noite muito especial!
Uma noite em que o TSUKIJI – bonito Restaurante e Wine & Sake Bar do chef Paulo Morais, em Lisboa, com vista para o Mosteiro dos Jerónimos – foi do Avesso. Do vinho Avesso. Do vinho da casta Avesso. Mais concretamente, do novo Lavandeira Avesso da colheita de 2018.
Com efeito, para a apresentação da nova edição deste tão invulgar quanto extraordinário monocasta, que contou com a presença do enólogo Rui Cunha, Paulo Morais preparou um menu específico para ser harmonizado exclusivamente com o Avesso e que, nesta noite, esteve disponível… para todo o restaurante!
Tendo tudo começado no Wine & Sake Bar do TSUKIJI, demonstrando a enorme versatilidade da casta Avesso neste registo seco e elegante – com uma acidez fina mas não excessiva – que a leva a funcionar muito bem, desde logo, como aperitivo!
Aperitivos no Wine & Sake Bar do TSUKIJI: Lavandeira Avesso 2018, Harusame e “Cocktail Asiático”
Mas foi depois à mesa que o gastronómico Lavandeira Avesso mostrou todo o seu esplendor!
Um branco seco, sem gás nem madeira, da colheita de 2018, já com mais de um ano de estágio em garrafa, cítrico e com ligeiras notas florais mas sem ser demasiado exuberante, fresco e seco mas com uma acidez delicada e equilibrada, gordo mas não em demasia, saboroso, intenso e com um final persistente!
Um branco cheio de personalidade, cheio de identidade, mas que não se sobrepõe à comida!
Tendo funcionado muito bem com a enorme diversidade dos sabores de peixe e de mar – sempre com um toque oriental – da cozinha de Paulo Morais!
A Sala Azul do TSUKIJI
Couvert: azeite, duas manteigas, uma com ovas de salmão curadas, outra com alga noori…
… e uma seleção de pães que incluía focaccia, pão de trigo e ainda um pão de cerveja preta com erva-doce que ligava maravilhosamente com o azeite
Ao longo de todo o jantar, sempre o versátil Lavandeira Avesso 2018
Sopa de miso
Tokusen Teishoku, prato individual composto por Sashimi (atum; tainha dos Açores; salmão), Sushi (nigiri de toro e de pregado; hosomaki de salmão e de robalo; uramaki de robalo e de toro; gunkan de salmão com pregado por cima e de pepino com salmão picado no topo), Yakimono (dourada grelhada com puré de abóbora e gengibre) e Tempura (camarão com amêndoa laminada; beringela; batata-doce) com molho tentsuyu
Sempre o Avesso
Degustação de sobremesas: arroz-doce thai com salada de manga fria e lascas de coco; brownie de chocolate e miso, com amendoim; gelado de nata e yuzo; baklava
Bolo de matcha e miso, com o café
Lavandeira Avesso 2018
Ver também:
TSUKIJI – Restaurante e Wine & Sake Bar
Rua dos Jerónimos, 12, Belém, Lisboa, Portugal
Chef Paulo Morais
Lavandeira Avesso 2018
A casta Avesso é uma casta fascinante!
Tendo estado a ganhar uma crescente popularidade junto do público enófilo!
Com efeito, na sub-região de Baião, no limite da Região dos Vinhos Verdes e junto à Região Demarcada do Douro, é uma casta que permite fazer brancos monovarietais absolutamente extraordinários!
Com imensa personalidade!
Sem precisarem nem de madeira nem de gás!
Mas apenas de algum tempo em garrafa!
E funcionando depois muitíssimo bem à mesa!
Como este Avesso da Casa da Lavandeira da colheita de 2018, assinado pelo enólogo Rui Cunha.
Um branco elegante!
Cítrico e com ligeiras notas florais, mas sem ser demasiado exuberante.
Seco, mas com uma acidez fina e equilibrada, que lhe proporciona uma enorme aptidão gastronómica.
Gordo, mas não demasiadamente.
Saboroso.
Intenso.
E com um final persistente!
Lavandeira Avesso 2018, um branco seco
Mas depois, curiosamente, tirando Baião e alguma presença nas sub-regiões limítrofes de Amarante, Paiva e Sousa, esta casta Avesso é uma casta que praticamente não se vê em mais lado nenhum!
Ora, servindo as uvas Avesso para fazer tão bons vinhos… como é que, na região e fora dela, não há assim tantos produtores a cultivá-la?
Por que é que, sendo uma variedade assim tão espetacular, não está ela espalhada por toda a região dos Vinhos Verdes e até por todo o país?
De facto, parece estranho!
Mas a resposta está contida, desde logo, no próprio nome da casta – não é por acaso que se chama “Avesso”.
É uma casta muito delicada.
Torta, mesmo.
E bastante difícil de trabalhar.
Funcionando efetivamente muito bem nesta região de Baião, com um clima de influência mais continental do que atlântica, com uma altitude intermédia e com solos pobres e drenantes.
Mas sendo depois uma casta que não gosta de viajar.
Nem para clima mais frios, nem para climas mais quentes.
Aliás, a partir dos 300 metros de altitude já tem alguma dificuldade em amadurecer – e, não estando as uvas maduras, o vinho já não vai ter as mesmas características, já não vai ter a mesma riqueza e complexidade, já não vai ser verdadeiramente representativo da casta e do seu potencial. Daí haver até quem, em cotas mais altas e devido à sua acidez, use o vinho Avesso antes como base para espumante.
Por outro lado, são uvas com uma película muito fina, o que as torna muito sensíveis ao calor e aos escaldões – com muito calor e com muito sol, queimam facilmente.
De modo que a casta Avesso acaba por ser uma casta que pouco sai da zona de Baião.
Mas, mesmo em Baião, onde se dá tão bem, é uma casta que também enfrenta as suas dificuldades – com efeito, é mediamente produtiva, não produz muito. Daí que tenda a ser substituída por castas mais rentáveis. Um agricultor que, por exemplo, cultive antes Arinto produz três a quatro vezes mais uva! E mais vinho!
De modo que, apesar do enorme potencial da casta, acaba por ser pouco cultivada.
Embora nos últimos tempos se tenha assistido a um revivalismo desta casta que inclusivamente vem referenciada na obra de Eça de Queiroz.
A alternativa é, pois, os produtores apostarem antes na qualidade.
Que o mercado cada vez mais reconhece.
E que naturalmente também se paga.
Por exemplo, as 25.000 garrafas deste Lavandeira Avesso 2018 têm um PVP de 12 euros.
Enólogo Rui Cunha
Ver também:
Cindy Ng
No Museu do Oriente, em Lisboa…
… foi inaugurada a exposição ‘So Far, So Close’ de Cindy Ng.
Que, até 23 de outubro, apresenta as criações da artista macaense…
… realizadas na sequência da sua residência artística no Douro, em 2013 – nas quintas de Covela e da Boavista, do produtor de vinho Lima Smith.
E que incluem a experiência das mais diversas combinações... de vinho e tinta!
Tendo o ponto alto da inauguração sido uma performance multimédia em tempo real…
... ao som de música interpretada ao vivo pelos também macaenses The Folga Gaang Project...
… durante a qual Cindy Ng pintou com diferentes materiais – incluindo vinho!
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