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O primeiro Palhete da Ramalhosa

por Raul Lufinha, em 23.08.21

Quinta da Ramalhosa em Lisboa: enóloga Patrícia Santos e produtor Micael Batista

Quinta da Ramalhosa em Lisboa – enóloga Patrícia Santos e produtor Micael Batista

O nosso interesse pelos vinhos da Quinta da Ramalhosa já não é novo, sendo este um prometedor projeto que vimos seguindo há alguns anos. O primeiro contacto ocorreu ainda em 2018, quando, no âmbito da ida a Nelas para integrar o júri do concurso de vinhos da Feira do Vinho do Dão, a Quinta da Ramalhosa foi, dos vários projetos acompanhados pela enóloga Patrícia Santos, um dos quatro que visitámos “in loco”. Uma visita rápida e extra-programa, na qual o produtor Micael Batista e a enóloga Patrícia Santos deram a provar vários brancos e tintos já engarrafados, mas ainda sem rótulo, incluindo um (feito já pela enóloga) que se destacava especialmente, o tinto de 2017.

Tendo sido, pois, com enorme expectativa que este verão recebemos a notícia do primeiro Palhete da Quinta da Ramalhosa:

«A Quinta da Ramalhosa acaba de lançar no mercado o Quinta da Ramalhosa Palhete 2019.

Pelas mãos de Micael Batista, o jovem produtor do Dão, e Patrícia Santos, a enóloga do projeto, este primeiro palhete surge da vontade de recriar os vinhos feitos pelo avô de Micael, no mesmo lagar de pedra que ainda hoje é utilizado.

Este palhete é um vinho que, além de homenagear o avô Adriano, conta a história da vida e do vinho do Dão de outros tempos. Ali não se faziam brancos, e os tintos queriam-se prontos para beber cedo. Em março, com a chegada da primavera, começava-se a consumir o vinho novo, que estava já pronto a beber, sem taninos duros e com cores claras e apelativas. Eram os chamados “rosados do Dão”. Tal como agora, as uvas tintas e brancas eram pisadas no lagar, dando origem a um vinho aberto, leve e aromático, feito a partir do blend da vinha, com cerca de 15% de uva branca, o que equilibra a acidez, confere um paladar suave e surpreende à mesa.

“O vinho era parte da vida do campo, era o alento e a força para o trabalho, razão para ser um vinho simples de beber logo na "bucha" da manhã. Os costumes da região e a tradição da família é o que se pode encontrar dentro de uma garrafa deste Quinta da Ramalhosa Palhete 2019 que apresentamos agora. Este é um vinho que tem em si muita história, que muito nos orgulha, e que quisemos contar da forma que sabemos melhor, fazendo um vinho que recria o vinho que o meu avô aqui fazia” – afirma Micael Batista.

De denominação DOC Dão, o Quinta da Ramalhosa Palhete 2019 é composto por 13 castas: Alfrocheiro, Touriga Nacional, Jaen, Baga, Tinta Pinheira, Tinta Roriz, Bastardo, Malvasia Fina, Encruzado, Uva Cão, Bical, Fernão Pires e Rabo de Ovelha. Aqui as uvas são colhidas manualmente, e não são desengaçadas, e a fermentação é feita em lagar, com a uva inteira e pisa a pé. Este processo, que conta com a experiência da enóloga Patrícia Santos, incluiu, de seguida, um estágio de 6 meses em inox, após o qual o vinho foi engarrafado, permanecendo 12 meses em garrafa, até estar pronto para consumo.

A partir de agora, o Quinta da Ramalhosa Palhete 2019 já está disponível (PVP €25,00) em diversas lojas online, como a Outwine (www.outwine.com), a Garrafeira INformal (www.garrafeirainformal.pt), a Adegga (www.adegga.com) ou a RESERVA86 (www.reserva86.pt), em garrafeiras, como a Copo d’Uva, no Porto, bem como nas cartas de alguns restaurantes por todos o país.

Com uma produção de apenas 1200 garrafas, o Quinta da Ramalhosa Palhete 2019 é produzido exclusivamente a partir das uvas da Quinta da Ramalhosa, situada na sub-região de Besteiros, caracterizada pelas manhãs húmidas e temperaturas amenas da zona de Tondela, onde o efeito da barragem da Aguieira confere aos vinhos uma elegância que define a região».

Um vinho especial, que, nestes dias de pandemia, foi apresentado no mês passado não numa sessão única, como era habitual nos tempos pré-covid, mas antes em diversas sessões dirigidas a pequenos grupos.

Tendo o Mesa do Chef tido a oportunidade de assistir a uma apresentação que decorreu na esplanada da TASCA DA ESQUINA, em Lisboa.

A qual contou com a presença do produtor e da enóloga.

E decorreu em dois momentos distintos.

Primeiro, numa prova a solo, na qual o Palhete deixou desde logo ótimas indicações.

E depois em conjunto com os pratos do Chefe Vítor Sobral, que foi como o Palhete da Quinta da Ramalhosa mais brilhou, revelando-se extremamente versátil e gastronómico, tendo funcionado muito bem com carne, peixe e marisco:

«Vinho cheio de aroma, muito fresco, onde a fruta impera.

No início o pêssego preenche o nariz, crescendo para frutos do bosque (amora, mirtilo, framboesa), no fim de boca sente-se o bosque e a caruma verde, finalizando com um retronasal a melancia.

Na boca é de uma elegância que surpreende, acidez muito marcante, suave e muito prolongado.

Robusto para acompanhar carne, ceviche, sushi, pratos de mar, legumes, peixes com alguma gordura, carne, enchidos e queijos».

Quinta da Ramalhosa Palhete 2019

Quinta da Ramalhosa Palhete 2019

Porém, o Palhete de 2019 não foi o único vinho apresentado. Houve mais três novidades da Quinta da Ramalhosa, todas elas igualmente muito gastronómicas e a pedir mesa. Um branco, o Field Blend 2018 (14 €), que retrata a complexidade de um lote feito na vinha com variedades como Borrado das Moscas (Bical), Malvasia Fina, Encruzado, Fernão Pires e Rabo de Ovelha, apresentando uma acidez vibrante. E ainda dois tintos, ambos de 2017, primeiro o Field Blend (16 €) e, a seguir, o Alfrocheiro / Touriga Nacional (16 €), este último o tal entusiasmante tinto de 2017 que tinha sido o principal destaque da prova efetuada na nossa visita de 2018 à Quinta da Ramalhosa, então naturalmente ainda muito novo e a precisar de tempo em garrafa, e que agora se apresenta completamente pronto e elegante!

Quinta da Ramalhosa

4 novidades – Quinta da Ramalhosa Field Blend Branco 2018 / Quinta da Ramalhosa Palhete 2019 / Quinta da Ramalhosa Field Blend Tinto 2017 / Quinta da Ramalhosa Alfrocheiro e Touriga Nacional Tinto 2017

 

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publicado às 19:39

Uma manhã com a enóloga Patrícia Santos

por Raul Lufinha, em 21.09.18

Patrícia Santos na Adega de Silvares

Patrícia Santos na Adega de Silvares

Graças aos bons ofícios do enófilo Elias Macovela, a manhã de sábado da Feira do Vinho do Dão, que decorreu em Nelas, foi passada com a enóloga Patrícia Santos, a qual nos deu a conhecer quatro dos seus projetos na região.

Desde logo, o da Quinta de Silvares, de Anselmo Mendes, cuja equipa Patrícia Santos integra. Visitámos a vinha e a adega, bem como efetuámos várias provas de cuba de Touriga Nacional e ainda de Jaen, todas de 2017 – apesar de ter sido um ano quente, perspetivam-se vinhos muito elegantes e complexos.

E também provámos, igualmente em cuba, o futuro Rosa da Mata de 2017, um perfumado Alfrocheiro do Dão, cheio de garra e frescura – e que é o projeto pessoal da enóloga.

Elias Macovela e Patrícia Santos

Elias Macovela e Patrícia Santos

Provas de Cuba

Provas de cuba

Quinta de Silvares tinto 2015 – lote de Alfrocheiro, Jaen, Tinta Roriz e Touriga Nacional

Quinta de Silvares tinto 2015 – lote de Alfrocheiro, Jaen, Tinta Roriz e Touriga Nacional

Rosa da Mata tinto 2016 – 100% Alfrocheiro

Rosa da Mata tinto 2016 – 100% Alfrocheiro

Antes, o dia tinha começado na Quinta da Ramalhosa, em Mouraz, com Micael Batista, para provarmos vários brancos e tintos já engarrafados mas ainda sem rótulo – tendo merecido especial destaque o tinto de 2017, já com o dedo da enóloga – e também para conhecermos a mais recente versão daquela que será a “Poliglota”, uma gastronómica cerveja artesanal que promete fazer furor, produzida com cardo e vinho branco, e que deixa uma enorme sensação de frescura no céu da boca.

Quinta da Ramalhosa tinto 2017 (sem rótulo)

Quinta da Ramalhosa tinto 2017 (sem rótulo)

Finalmente, já só houve tempo para irmos conhecer os vinhos de garagem da Quinta da Tapada, também sem rótulo – os brancos Dona Zilú de 2016 e 2017, o tinto Dom Zulu, um rosé seco de 2017 e ainda, do mesmo ano, um surpreendente orange wine de Encruzado, muito fresco mas igualmente com notas doces próximas das de um colheita tardia.

Rótulo do Dona Zilú, o branco da Quinta da Tapada

Patrícia Oliveira e o projeto de rótulo do Dona Zilú, o branco da Quinta da Tapada

Um rosé que não é de piscina

Um rosé que não é de piscina

Foi, pois, uma bela manhã, a provar os vinhos frescos da enóloga Patrícia Santos.

E que terminou com um apurado arroz de pato no ZÉ PATACO, em Canas de Senhorim.

 

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publicado às 20:45


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