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Hasso, um branco descomplicado… e gastronómico

por Raul Lufinha, em 21.07.20

Hasso Branco 2018

Hasso Branco 2018

Há um novo nome no Douro.

Hasso.

É o cão da família Kranemann, um Leão da Rodésia.

E, agora, é também a marca da Kranemann para os vinhos DOC Douro de entrada de gama da Quinta do Convento de São Pedro das Águias, no Vale do Távora.

Tendo sido lançados um Hasso branco e outro tinto.

Ambos de 2018 – o ano da promissora primeira vindima da Kranemann no Douro, que já deu o colheita branco Quinta do Convento e ainda irá dar o reserva, e da qual, aliás, também se aguarda, igualmente com bastante expectativa, o lançamento, previsto para novembro, do vinho do Porto Vintage.

Têm naturalmente a assinatura do enólogo Diogo Lopes.

Sendo – o Hasso branco – um lote de Gouveio, Viosinho e Fernão Pires.

Vinho descomplicado e sedutor.

Do qual é muito fácil gostar.

E que foi desenhado para ser bebido jovem.

Estando já completamente pronto.

Porém, para ser devidamente apreciado, não deve ser bebido muito frio – a temperatura de serviço expressamente recomendada no contrarrótulo é entre os 12 e os 14 ºC.

Tem fruta – com notas cítricas e de maçã verde.

E tem igualmente imensa acidez.

Tudo – como sempre acontece nos brancos de Diogo Lopes – num registo de grande elegância e equilíbrio.

E sendo também bastante gastronómico.

De facto, após um início exuberante, o Hasso branco de 2018 termina num registo sóbrio e seco, com um leve toque amargo que funciona muito bem à mesa!

PVP 6,90 €.

À mesa

O novo Hasso branco acompanhou otimamente uma salada grega, que a Marta fez com queijo Feta, pepino, diversas variedades de tomate, cebola-roxa, azeitonas Kalamata, alcaparras e orégãos secos.

Um brinde

Aos vinhos que nos refrescam os dias quentes!

Hasso Branco 2018

Descomplicado… e gastronómico

 

Ver também:

 

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publicado às 17:28

Uma tarte de noz-pecã… numa poderosa cerveja

por Raul Lufinha, em 01.07.20

LUPUM Imperial Stout Dark Maple & Pecan

LUPUM Imperial Stout Dark Maple & Pecan

Ao contrário da maioria das cervejeiras – que se desdobram por múltiplos conceitos e receitas, completamente díspares e até contraditórias entre si, para agradar aos mais diversos públicos – o cervejeiro António Lopes só faz cervejas… de que gosta mesmo!

De modo que as cervejas LUPUM – produzidas em Avintes, perto do Douro e das caves do vinho do Porto – têm invariavelmente duas características bastante marcantes, que as tornam extraordinariamente sedutoras, pelo menos para quem, como é o nosso caso, compartilha o gosto de António Lopes:

– são sempre fortes, fortíssimas mesmo;

– e têm sempre também um toque diferente, que as torna muito especiais.

Ora, esta é uma... “Imperial Stout”.

Extremamente robusta e encorpada.

E com uns – à primeira vista – nada meigos 14% de álcool.

Porém – apesar de ser uma cerveja que não esconde o seu elevado teor alcoólico – o álcool está muito equilibrado, está muito bem integrado.

E é aqui que entra o outro lado das LUPUM.

É que as fortes LUPUM não são só álcool!

Também são uma “wild beer”!

Têm sempre igualmente alguma dose de irreverência!

Algum toque de loucura!

Algo que faça a diferença!

Como sucede, aliás, com esta deliciosa “Imperial Stout”... que também é “Dark Maple & Pecan”!

Consistindo a receita da cerveja numa variação – em cerveja – de uma receita de… tarte de noz-pecã!

Tendo inclusivamente “maple syrup” extra escuro!

Cacau!

E noz-pecã!

À mesa

Esta foi uma cerveja que apreciámos em quatro momentos distintos.

Primeiro, sozinha – de facto, a “Imperial Stout Dark Maple & Pecan” da LUPUM é, toda ela, por si só, uma refeição!

Depois, com pão – trigo-barbela da GLEBA. Com queijos – o português Azeitão DOP e, ainda, duas variedades da QUEIJARIA MACHADO: o chèvre francês Crottin de Chavignol e um Manchego espanhol curado com tomilho. Com paio, da SALSICHARIA CANENSE, da Dona Octávia. Com rabanetes crus, para cortar, bem como com picles de rabanetes e de cenouras, feitos pela Marta em novembro passado, tudo da QUINTA DO POIAL. Com chutney de ameixa e vinho do Porto, do CONVENTO DO CARDAES. Com amoras silvestres frescas. Com clementinas confitadas, também do CONVENTO DOS CARDAES. E, ainda, claro, fazendo a ponte para a cerveja, com nozes-pecãs!

A seguir, provando a sua enorme versatilidade gastronómica, a densa, intensa e cremosa cerveja acompanhou também morangos “Mara des Boie”, do Mercado Biológico do Príncipe Real!

E por fim, para terminar em grande, tornámos a beber a “LUPUM Imperial Stout Dark Maple & Pecan”... sozinha!

Um brinde

Às cervejas poderosas!

LUPUM Imperial Stout Dark Maple & Pecan

Encorpada e com 14% de álcool

 

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publicado às 23:53

Novo Dory tem… Sauvignon Blanc

por Raul Lufinha, em 23.06.20

Dory Colheita Branco 2019

Dory Colheita Branco 2019

Com o verão, chegou igualmente a mais recente colheita do Dory Branco – emblemática marca da AdegaMãe inspirada nos dóris, pequenas embarcações de um só homem usadas antigamente pelos portugueses em alto mar para a heroica pesca à linha do bacalhau nas águas gélidas do Atlântico Norte.

É, portanto, já da vindima de 2019.

E vem novamente assinada pelos enólogos Anselmo Mendes e Diogo Lopes.

Porém, este ano, tem a grande novidade de existir uma alteração na composição do lote!

Continuam a ser quatro, as castas.

Mantendo-se o Viosinho – espinha-dorsal dos brancos da AdegaMãe.

O Alvarinho – a casta de eleição de Anselmo Mendes.

E também o Arinto – variedade, aliás, originária da região de Lisboa.

Contudo, em vez de Viogner, há agora o tempero do Sauvignon Blanc.

Uma alteração que Diogo Lopes apresenta assim:

«Graças à presença discreta do Sauvignon Blanc, em detrimento do Viognier, o Dory Branco evidencia ainda mais a sua frescura e carga aromática. Este é um perfil de grande consistência para um vinho que muito nos orgulha, porque se tornou um ícone do seu segmento, integrando de forma muito sedutora os atributos que definem o nosso terroir atlântico: a tal frescura, a mineralidade e aquelas notas salinas tão características da nossa região.»

De facto, o novo Dory está bastante exuberante, com notas de fruta tropical e toranja.

Estando a fruta igualmente bem presente na boca, mas com imensa frescura.

E tendo também aquele final salino tão característico dos vinhos da AdegaMãe.

São, pois, umas impressionantes cem mil garrafas.

Com um PVP de 4,45 € – excelente para esta qualidade.

À mesa

O novo e refrescante Dory Branco 2019 acompanhou um prato de forno em ramequins, que a Marta fez com ovos biológicos, cogumelos laminados (previamente salteados com chalotas e tomilho-limão) e, ainda, quatro queijos ralados. À parte, cogumelos crus – laminados e temperados só com azeite e harissa – e fatias de brioche, do EPUR, do chef Vincent Farges.

Um brinde

Aos heróis que pescavam bacalhau à linha nos dóris!

Dory Colheita Branco 2019

Sauvignon Blanc reforça carga aromática do novo Dory

 

Ver também:

 

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publicado às 19:19

Romãria… a Santo António

por Raul Lufinha, em 15.06.20

Romãria

Romãria

Era assim que, no final de março e já em pleno confinamento, a MUSA anunciava a sua então nova cerveja:

«Salvem-se os bailaricos de Verão, os fogos-de-artifício e aquele querido mês de agosto. Salvem-se as taras e manias, os yaya e yoyos, os pisca pisca e os mexe mexe que eu gosto. Salvem-se os carrinhos de choque, as farturas, o temporal de amor, os roça roça e as procissões das velas. Salve-se o verão, as férias grandes e as falésias do amor.

Salvem-se as romarias e beba-se Romãria. A nova berliner weisse a sair dos nossos fermentadores está carregada de romãs e frescura primaveril. Seca, pálida e frutada, tem a acidez certa para corroer a sede por dias melhores.»

De modo que guardámos logo duas garrafas, para abrir agora nos Santos Populares!

E, de facto, confirmou-se que nesta leve e gastronómica MUSA, à frescura da Berliner Weisse, junta-se a acidez cortante da… romã!

À mesa

Sardinhas assadas!

Sardinhas, assadas no carvão pelo Sr. Jorge, d’O CALDO VERDE, na Madragoa. Sobre duas fatias de broa de milho biológica do Sr. Arlindo. E com uma salada – feita pela Marta – de pepino, diversas variedades de tomate (cereja, chucha, amarelo, kumato e coração-de-boi), cebolinha e, ainda, flores de coentros da Quinta do Arneiro.

Efetivamente, tal como a acidez da uva tinta liga bem com a sardinha – cortando o seu sabor forte e a sua gordura – também a acidez de um fruto igualmente encarnado como a romã desta Pomegranate Berliner Weisse da MUSA funciona lindamente com a particular untuosidade das sardinhas assadas!

Um brinde

Ao Santo António!

Romãria

A acidez da romã numa fresca Pomegranate Berliner Weisse

 

Ver também:

 

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publicado às 00:56

O guloso rosé de Alvarinho… com um toque de Pinot

por Raul Lufinha, em 02.06.20

Soalheiro Mineral Rosé 2019

Soalheiro Mineral Rosé 2019

Habitualmente, um rosé é feito a partir de uvas tintas – resultando, aliás, essa sua cor rosada não da mistura de uvas brancas e tintas, mas antes do facto de o mosto (ou sumo) das uvas tintas ficar durante um breve período de tempo em contacto com as películas (ou cascas das uvas) antes de fermentar como os brancos, ou seja, sem as películas.

Porém, também existem rosés em que predominam as uvas… brancas!

Como sucede com o desafiante Soalheiro Mineral Rosé!

Cuja nova edição – a terceira – é já da colheita de 2019.

Com efeito, juntando a inovação à tradição e dando uma nova expressão ao terroir da Quinta de Soalheiro, este é um rosé criado pelo enólogo Luís Cerdeira a partir da casta Alvarinho!

Tem 70% de Alvarinho!

Alvarinho proveniente de vinhas de altitude, de modo a que a casta apresente uma dimensão mais intensa, mais fresca e mais mineral.

E Alvarinho ao qual Luís Cerdeira junta um surpreendente toque de... Pinot Noir!

De tal forma que a emblemática casta tinta da Borgonha, produzida na região dos Vinhos Verdes – embora não em Melgaço, mas junto ao Atlântico – contribui igualmente de forma decisiva para a frescura, estrutura e persistência deste delicioso vinho.

Um elegante rosé de cor salmão clara.

Que conjuga delicadas notas de frutos encarnados com a vertente mais floral do Alvarinho.

E que apresenta um final de boca sugestivamente mineral.

O segredo... do aumento da temperatura

Contudo, este rosé tem um segredo!

E esse segredo chama-se… temperatura!

Temperatura de serviço!

Efetivamente, por regra, um rosé deve ser servido à mesma temperatura de um branco – isto é, cerca dos 10 ºC.

Contudo, um branco de Alvarinho, para expressar todo o potencial da casta, deve ser bebido a uma temperatura um pouco superior à da maioria dos brancos – ou seja, deve ser bebido por volta dos 12 ºC ou 13 ºC.

(Sendo certo que essa temperatura de 12 ºC ou 13 ºC é quase o dobro da temperatura dos nossos frigoríficos caseiros…!)

Ora, se um branco de Alvarinho deve ser bebido a uma temperatura um pouco superior à dos brancos, então não deverá também um rosé de Alvarinho ser bebido a uma temperatura um pouco superior à dos rosés?

Não deverá então este original rosé de Alvarinho & Pinot ser também bebido entre os 12 ºC e os 13 ºC?

E a resposta é… sim!!!

Fizemos a experiência em casa, deixámos subir a temperatura do rosé e efetivamente, a uma temperatura mais alta, perdendo-se embora um pouco da sensação de acidez, ganha-se imenso em complexidade, em textura, em sabor!

O vinho fica extremamente guloso!

A uma temperatura um pouco mais elevada, este rosé transforma-se, fica outro vinho, torna-se viciante!

Apenas duas notas finais, muito práticas:

– Para quem não quiser estar com complicações de termómetros e medições de temperatura, é muito simples: depois de se retirar a garrafa do frigorífico, basta simplesmente não a colocar outra vez no frio… e ir antes acompanhando a deliciosa subida da temperatura!

– Quem não gostar desta experiência, tem sempre uma boa solução: é só voltar a pôr a garrafa no frio!

À mesa

Ora, com este guloso rosé, a Marta resolveu fazer duas deliciosas receitas da chef Anna Lins.

Umas grossas fatias de couve-lombarda assadas no forno, com vinagre balsâmico, queijo Parmesão com 24 meses de cura ralado (não tínhamos São Jorge) e, como erva fina picada, manjericão-canela da Quinta do Poial.

E também o recheio da Tarte Tatin de Chalota e Feta de Anna Lins: chalotas, queijo Feta, tomilho-limão e pimenta moída – tudo primeiro cozinhado na frigideira e, depois, finalizado no forno.

Um brinde

À “primeira marca de Alvarinho de Melgaço”!

Soalheiro Mineral Rosé 2019

Um rosé de Alvarinho (70%) & Pinot Noir (30%)

 

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publicado às 23:49

O primeiro rosé… do projeto Duorum

por Raul Lufinha, em 31.05.20

Tons de Duorum Rosé 2019

Tons de Duorum Rosé 2019

A mais recente vindima trouxe uma grande novidade ao projeto de João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco no Douro.

Um rosé!

O primeiro rosé do projeto Duorum!

Um vinho que veio alargar a gama Tons de Duorum.

Juntando-se ao branco e ao tinto.

O que faz com que passem a ser três os Tons de Duorum.

Foi produzido a partir de Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz, de modo a expressar o terroir que lhe dá origem.

Apresenta-se com uma cor salmão aberta.

Tem aromas de frutos encarnados e também notas vegetais.

Um bom volume de boca.

E uma excelente acidez.

Prolongando-se num final longo e persistente.

À mesa

Bastante sério e gastronómico, o primeiro rosé do projeto Duorum acompanhou muito bem um prato de fusilli integral bio, envolvido com uma untuosa conserva caseira de tomate-coração-de-boi desidratado – trazido da banca do Sr. Libério, no Mercado Biológico do Príncipe Real, no verão passado – que a Marta tinha então feito com azeite e orégãos. Para finalizar, por cima, ralámos queijo Parmigiano Reggiano, com 24 meses de cura.

Um brinde

Ao Douro!

Tons de Duorum Rosé 2019

O primeiro rosé do projeto Duorum

 

Ver também:

O primeiro rosé do projeto Duorum (2020)

25 anos de João Portugal Ramos (2017)

– Visita à Quinta de Castelo Melhor (2015):

– Visita à Quinta de Castelo Melhor (2013):

 

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publicado às 00:01

Bohemia Pilsener com cevada... só do Alentejo

por Raul Lufinha, em 28.05.20

Bohemia Pilsener Cevada do Alentejo

Bohemia Pilsener Cevada do Alentejo

A Bohemia acaba de lançar uma versão da sua Pilsener feita com cevada produzida exclusivamente no Alentejo!

Porém, a receita mantém-se inalterada.

A cevada da Pilsener é que passa a ser 100% alentejana!

Constando agora essa referência expressamente no próprio nome da cerveja – “Bohemia Pilsener Cevada do Alentejo” – bem como nos rótulos e nas embalagens, que incluem também a imagem de um sobreiro e o padrão das típicas mantas alentejanas.

Sendo muito interessante notar que esta novidade – apesar de ter tido como objetivo imediato apoiar a economia local e a agricultura portuguesa, em especial, a produção de cevada dística na região outrora conhecida como “o celeiro de Portugal” – insere-se igualmente na atual tendência de valorização e de regresso aos cereais portugueses!

Algo que se verifica não apenas na cerveja, mas também, por exemplo, no pão. Com efeito, conforme defende Diogo Amorim, da padaria GLEBA, “o pão, pelo menos o verdadeiro, tem como principal e maioritário ingrediente a farinha. Se esta tiver sido obtida a partir da moagem de cereal que é 100% estrangeiro, não acho que o devamos considerar verdadeiramente português”. Pois bem, com a cerveja passa-se o mesmo!

À mesa

Ora, sendo uma Pilsener, esta leve e refrescante Bohemia, de sabor suave, apresenta-se muito versátil à mesa. Deve ser bebida fresca – entre os 4 ºC e os 8 ºC, no máximo. E liga na perfeição com pratos simples e com petiscos.

Aqui em casa, combinou otimamente com uns camarões cozidos. Que fomos acompanhando com a deliciosa focaccia da OSTERIA de Chiara Ferro – que chegou a casa ainda morna e vem sempre com muito azeite e flor de sal – e também com tostas do saboroso pão de centeio do EPUR de Vincent Farges, que a Marta fez no forno e depois finalizou com a manteiga Marinhas.

Um brinde

Ao Alentejo!

Bohemia Pilsener Cevada do Alentejo

Cevada 100% do Alentejo

 

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publicado às 22:22

Magma 2018, o regresso do vulcânico Verdelho dos Biscoitos

por Raul Lufinha, em 27.05.20

Magma Verdelho branco 2018

Magma Verdelho branco 2018

Acaba de chegar dos Açores a colheita de 2018 do fascinante Magma, assinado pelos enólogos Anselmo Mendes e Diogo Lopes.

Um Verdelho dos Biscoitos, freguesia do concelho da Praia da Vitória, no lado norte da Ilha Terceira, cujas vinhas crescem em negros solos de lava, perto do oceano, e em curraletas, pequenas parcelas de terreno rodeadas por uns muros de pedra que tentam proteger as videiras do vento, do sal e da água do mar.

Pois bem, perante um cenário tão radical como o da viticultura dos Biscoitos, marcada pela forte influência atlântica e pelo solo de origem vulcânica, o que faz mesmo a diferença nos Vinhos Magma – e torna a suceder neste novo Magma 2018 – é a abordagem seguida por Anselmo Mendes e Diogo Lopes.

Com efeito, por um lado, os enólogos voltam a não entrar no jogo fácil de ir atrás daquilo que a casta não tem ou de tentar compensar aquilo que o terroir não dá – continua, pois, a não haver aqui quaisquer concessões às modernas notas florais ou às frutas tropicais!

Contudo, por outro lado, e não menos importante, também não há aqui o descompensado exacerbar das arestas da mineralidade, da salinidade ou da acidez, só porque o terroir dos Açores e dos Biscoitos o permitiria – de facto, o objetivo dos enólogos também não é fazer um vinho radicalmente mineral ou só salino ou com demasiada acidez!

Não!

Com bastante maturidade, aquilo de que Anselmo Mendes e Diogo Lopes vão em busca é tão-só um grande Verdelho dos Biscoitos!

Um vinho que expresse a casta Verdelho neste terroir atlântico e vulcânico!

Como volta a acontecer com o Magma 2018.

Austero, sério, contido.

Fresco e extremamente mineral.

Salino, profundamente salino.

Saborosíssimo.

Muito equilibrado.

Longo e persistente.

Um vinho, pois, que continua muitíssimo especial!

Único mesmo!

E que chega ao mercado com um PVP de 18 €.

À mesa

Ora, como é óbvio, este novo Magma 2018 é, mais uma vez, um branco extremamente gastronómico! Claro que o vulcânico Verdelho dos Biscoitos está tão delicioso que até pode ser apreciado a solo! Mas toda esta fortíssima mineralidade e salinidade pede claramente comida!

De modo que, aqui em casa, acompanhou maravilhosamente uma tépida salada de bacalhau e algas, plena de notas salinas e iodadas, inspirada na receita do chef Tiago Feio para a coleção “Mar Portuguez [sic] – Conservas de Chef”, que em 2017 era vendida semanalmente com o jornal Público. E que a Marta fez com um lombo de bacalhau demolhado e ultracongelado Riberalves, primeiro cozido e depois envolvido nas algas alface-do-mar e cabelo-de-velha, ambas frescas, e, ainda, na alga kombu, seca e escaldada. Algas às quais juntou chalotas picadas e alcaparras. Tendo depois temperado tudo com azeite. Por fim, salpicou a salada com trigo-sarraceno, previamente tostado em casa – como Tiago Feio gostava de fazer no LEOPOLD, para intensificar a textura crocante e o sabor dos seus pratos – e, ainda, com alface-do-mar, seca e em pó.

Um brinde

Aos Açores!

Magma Verdelho branco 2018

100% Verdelho dos Biscoitos

 

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publicado às 23:50

Um Pão de Deus… em cerveja

por Raul Lufinha, em 24.05.20

MUSA

Primal Cream

A mais recente cerveja da – sempre dinâmica – MUSA resulta de uma colaboração com a Partizan Brewing, microcervejeira de Londres.

É uma edição limitada.

E chama-se Primal Cream.

Sendo uma Coconut Cream Ale.

Uma Ale muito suave, leve e equilibrada.

Bastante cremosa.

Com notas, ligeiramente doces, de coco.

E também de laranja.

Dizendo a MUSA que é... “a versão cervejeira de um Pão de Deus”!

E, de facto, traz-nos à memória esse famoso pão brioche, com cobertura de coco e açúcar em pó, da pastelaria portuguesa!

Encontrámo-la este sábado na MUSA DA BICA – tinha chegado na véspera.

O nome é um trocadilho com os Primal Scream.

E a imagem do rótulo evoca a colorida capa do terceiro álbum de estúdio do grupo escocês, o lendário Screamadelica, de 1991.

À mesa

Tendo a cerveja, à noite, acompanhado maravilhosamente uns camarões salteados – com alecrim, alho e bastante malagueta – que a Marta fez seguindo a receita do chef Vítor Sobral para o clássico petisco da TASCA DA ESQUINA.

Ao longo do jantar, em fundo, os Primal Scream!

Um brinde

“We're gonna have a good time”!

MUSA

Coconut Cream Ale

 

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publicado às 23:21

Pandemia dá novo sentido ao Gerações da Herdade Grande

por Raul Lufinha, em 15.05.20

Herdade Grande Gerações branco 2018

Herdade Grande Gerações branco 2018

Na Herdade Grande há um vinho que celebra as pessoas e o percurso centenário deste projeto familiar.

O Gerações, branco e tinto.

Um vinho que honra o contributo de cada geração para aquilo que são hoje os vinhos da Herdade Grande.

E, em especial, o papel decisivo de António Lança nestas últimas décadas.

Efetivamente, foi com a 3.ª geração que, a partir dos anos 80 do século passado, se deu uma profunda reconfiguração da Herdade Grande, com o aumento da área de vinha e com a aposta numa maior diversidade de castas, nacionais e estrangeiras.

Um experimentalismo que trouxe, pois, novas expressões ao terroir da Vidigueira.

E que está espelhado no Gerações.

Pandemia, novo sentido

Porém, de forma inesperada, a pandemia acabou por dar todo um novo sentido à mais recente edição do Gerações.

De facto, para este produtor, um dos efeitos da quarentena foi precisamente o isolamento ter sido feito na própria Herdade Grande.

E reunindo toda a família.

Avós, pais, filhos e netos.

Ou seja, a pandemia reuniu na Herdade Grande... todas as atuais gerações da Herdade Grande!

Mas mais.

Conforme explicou a Diretora-Geral Mariana Lança, o confinamento em família fez também com que todas essas gerações se envolvessem diretamente na atividade diária do projeto familiar.

Incluindo as crianças!

Que representam já a quinta geração!

E que desenharam um arco-íris de esperança junto aos portões da herdade.

O qual passou a marcar o ponto de recolha dos vinhos.

E foi depois transposto para um cartão que começou a ser incluído em cada uma das caixas que saía do armazém!

Sendo que um dos lançamentos que ocorreu durante a quarentena foi precisamente... o Gerações!

Ou seja, nesta pandemia, o Gerações ganhou um novo sentido!

Envolveu mesmo e de forma literal... todas as atuais gerações!

De facto, nada melhor do que as novas colheitas do Gerações... para representar o contributo de todas as gerações da Herdade Grande!

Branco 2018

Ora, das novas colheitas do Gerações, começámos por provar o branco.

Tem um PVP de 9,95 €.

É da vindima de 2018.

E continua a ser um estimulante – e pouco comum – lote de Verdelho e Alvarinho.

Verdelho sem madeira.

E Alvarinho com madeira.

Porém, o mais fascinante neste novo Gerações branco de 2018 é mesmo o cuidado que Diogo Lopes dedica à sedosa textura do vinho.

De tal forma, aliás, que, ao apresentá-lo, é precisamente nesta dimensão da textura que o enólogo da Herdade Grande coloca o acento tónico:

«É um lote de Verdelho e Alvarinho, integrando duas texturas que trabalhámos:

– O Verdelho fermentado em inox, a transparecer a sua expressão interessantíssima neste terroir, proporcionando a fruta e a frescura muito particular;

– E o Alvarinho fermentado em barrica, a proporcionar corpo, volume e untuosidade.»

Confirmando-se, pois, ser um branco intenso e complexo.

Em que, de forma bastante agradável, o que sobressai é a fruta cítrica – só se subirmos a temperatura, nomeadamente não usando frappé, é que começam a surgir notas mais tropicais.

Demonstrando imensa frescura – tem uma ótima acidez.

E apresentando também um ótimo corpo – é um branco denso na boca, provocando uma agradável sensação de volume e textura.

Sendo igualmente muito saboroso.

E tendo um final persistente.

À mesa

E que, à mesa, acompanhou muito bem dois queijos trazidos da QUEIJARIA de Pedro Cardoso – o Lola Montez, com 120 dias de cura, e o Comté, com 36 meses de maturação. Bem como dois pães do EPUR, do chef Vincent Farges, um de centeio, outro de mistura. Pickles de cebolinhas e de cenouras baby, feitos pela Marta em novembro passado. Frutos secos. E ainda a Marmelada Branca de Odivelas.

Um brinde

“Vamos todos ficar bem!”

Herdade Grande Gerações branco 2018

Verdelho em inox & Alvarinho em barrica

 

Ver também:

 

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publicado às 01:34


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  117. D