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Guia Michelin. Há países que ainda estão em 2019

por Raul Lufinha, em 22.04.20

Março de 2020, a data anunciada pela Michelin para o lançamento do guia “Main Cities of Europe 2020” – algo que continua sem acontecer

Michelin adiou a saída do guia “Main Cities of Europe 2020”, previsto para o passado mês de março

Numa altura em que se discute o que a Michelin irá fazer relativamente aos guias de 2021, há, porém, países que ainda estão em 2019.

Efetivamente, apesar de em meados do mês passado o diretor de comunicação da Michelin Espanha e Portugal, Ángel Pardo, ter assegurado taxativamente que “a edição de 2021 não corre nenhum perigo”, depois, o responsável máximo de todos os guias, Gwendal Poullennec, foi bastante mais prudente, não se comprometendo nem com datas nem com prazos. E agora, em França, continua a especulação à volta da edição do guia de 2021. Nos bastidores da indústria, fala-se que, com os restaurantes fechados e com as dificuldades que os inspetores terão em viajar mesmo após a reabertura, o guia francês de 2021 poderá talvez ser transformado em algo diferente do habitual, nomeadamente, num movimento de apoio aos restaurantes e aos chefes. Até porque, como as estrelas francesas foram anunciadas no final de janeiro, os vencedores (e em especial os novos estrelados), por causa do vírus, quase não desfrutaram dessa conquista. Na verdade, algo semelhante ao que se passou em Portugal com o CASA DE CHÁ DA BOA NOVA, EPUR, FIFTY SECONDS, MESA DE LEMOS e VISTAS – de facto, Rui Paula, Vincent Farges, Martín Berasategui (e Filipe Carvalho), Diogo Rocha e Rui Silvestre mal tiveram tempo de saborear as novidades do guia de 2020, pois o mundo, entretanto, mudou completamente.

Porém, apesar de todas estas dúvidas para 2021, há países que continuam em 2019.

Há países cujas últimas estrelas recebidas são ainda as de 2019.

Com efeito, a política da multinacional francesa é a de espaçar ao longo do ano o lançamento de cada um dos guias, de modo a que estejam sempre a surgir novas notícias suas sobre cada um dos diversos mercados onde opera e, também, de modo a permitir a circulação de inspetores entre guias, a fim de que cada um dos inspetores possa participar em vários guias.

Sendo, portanto, natural, ao longo do ano, uns lançamentos ocorrerrem antes de outros.

Por exemplo, o Brasil, sem surpresa, ainda está em 2019 – se for mantido o calendário seguido o ano passado, as estrelas de 2020 do Rio de Janeiro e de São Paulo só chegarão em maio.

Tal como a Califórnia, cujo guia 2019 saiu em junho.

E  Singapura, que o ano passado teve o guia anunciado em setembro.

Todavia, também Taipé ainda está em 2019, apesar de o guia de 2019 ter então saído no início do mês de abril transato – até à data, a edição de 2020, que a Michelin tinha anunciado que este ano incluiria igualmente a cidade de Taichung, de modo a ser um guia “Taipé e Taichung”, continua sem sair.

E, claro, há o notório caso do lançamento do guia “Main Cities of Europe 2020”, que a Michelin tinha anunciado para este mês de março, mas que, até ao momento, continua sem acontecer.

Sendo este guia de cidades especialmente importante para os países europeus que – ao contrário de Portugal, Espanha, França, etc. – não estão incluídos em qualquer outro guia.

Ou seja, há um conjunto de países europeus que, com o adiamento deste guia, também acabam por ter que continuar com as classificações de 2019.

Concretamente, são:

– Áustria, país que tem um 3*** em Viena (o AMADOR) e que, entretanto, anunciou a reabertura de todos os restaurantes para o dia 15 de maio;

– Grécia;

– Hungria;

– República Checa; e

– Polónia.

Março de 2020, a data anunciada pela Michelin para o lançamento do guia “Main Cities of Europe 2020” – algo que continua sem acontecer

Março de 2020, a anunciada data (na app “Guía Michelin Europa 2020”) de lançamento do guia “Main Cities of Europe 2020” – algo que continua por acontecer

Tudo isto, pois, para mostrar que as grandes decisões que a Michelin tem que tomar neste atual cenário de pandemia não se resumem apenas à preparação (ou não) dos guias de 2021.

Ao contrário do que sucede em Portugal – cujos resultados já foram anunciados em novembro – há ainda muitos países, bem como muitos restaurantes e muitos chefes, que continuam a aguardar pelos guias e pelas estrelas de… 2020.

Fotografia: Michelin

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publicado às 22:02

Covid-19. A mensagem do responsável máximo dos Guias Michelin

por Raul Lufinha, em 19.03.20

Gwendal Poullennec, diretor internacional dos Guias Michelin

Gwendal Poullennec, diretor internacional dos Guias Michelin

Nem de propósito, ontem mesmo, 18 de março, a multinacional francesa divulgou uma mensagem de Gwendal Poullennec – responsável máximo de todos os Guias Michelin – acerca da situação criada pela pandemia do novo coronavírus.

Uma mensagem de confiança e tranquilidade.

Mas em que – como é óbvio – e ao contrário do que ontem referia Ángel Pardo (responsável da Michelin Espanha e Portugal pelas relações com a imprensa) não são dadas quaisquer garantias quanto à edição de guias futuros.

Com o bom senso de não se comprometer com datas e prazos, o que a Michelin garante é que, quando tudo isto passar, estará na primeira linha do apoio aos restaurantes e aos chefes!

Com compreensão, justiça e equidade!

Aqui fica a mensagem completa:

«Good morning, everyone,

First of all, on behalf of the whole MICHELIN Guide team, I want to express my deepest sympathy for the families and loved ones of the Covid-19 victims and a deep respect for those who are committed on a daily basis to curbing this pandemic.

Restaurants are all about sharing. But for now, and for an indefinite period of time, it will not be possible to go to these convivial places to admire the talent of the chefs and their team service after service.

We are well aware of the resulting drop or suspension of business. The lifelong dream of many chefs is being put to the test at the moment. I would like to express my full support for them during this tense moment that we all wish would end quickly.

As soon as possible, the Michelin Guide and its teams will return to devoting all their energy to guide gastronomes on their way back to your establishments.

Not only will our inspectors be among your first customers, but we will make sure to nourish our passionate community of gastronomes with your latest news and creations, and I will work to defend gastronomy with everything that I have.

A restaurant that closes for several weeks means a whole community will suffer. It not only is of course the staff of the establishment but also the market vendors, fishermen, farmers and all the other actors who depend on the restaurant for their livelihoods.

Some chefs have expressed their resulting fears about the implications on the next installment of the Michelin Guide. We are fully aware that this situation is unprecedented. Therefore, we will adapt to the circumstances to evaluate your restaurants in a fair and equitable manner once things have returned to normal.

The community of chefs is one of the most dynamic and close-knit in the world and I am convinced that it will be able to weather this storm together.»

– Gwendal Poullennec, international director of MICHELIN Guides

 

Fotografia: Guide Michelin

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publicado às 12:04

Guia Michelin 2021 garantido?

por Raul Lufinha, em 18.03.20

Guia Michelin

 

O Boa Cama Boa Mesa dá hoje a notícia de que, devido à pandemia do Covid-19, “estão interrompidas as inspeções do guia Michelin para Portugal e Espanha” – embora em Espanha não seja propriamente uma grande novidade, dado o governo espanhol ter mandado encerrar os restaurantes; e, mesmo em Portugal, também não, pois (quase) todos os restaurantes gastronómicos (e não só) já tomaram a medida preventiva de fechar portas para combater a propagação do novo coronavírus.

No entanto, como também escreve Fernando Brandão, o “guia de 2021 não está em causa”:

«Quanto à edição de 2021 do famoso guia vermelho, para Portugal e Espanha, “as visitas começaram em setembro e vão habitualmente até julho. Esta situação interromperá as visitas algum tempo, mas brevemente serão retomadas”. Por isso, garante Ángel Pardo, Responsável pelas Relações com a Imprensa da Michelin Espanha Portugal, S.A., “a edição de 2021 não corre nenhum perigo.”»

Porém, será mesmo assim?

Será mesmo como Ángel Pardo diz?

Estará mesmo garantido o Guia Michelin 2021?

Então e se a pandemia se prolongar?

Então e se chegarmos a novembro de 2020 e continuarem encerrados os restaurantes que há dias o governo espanhol mandou encerrar?

Ora, nesse cenário aterrador – que infelizmente ninguém tem a certeza de que esteja excluído – não acreditamos que a Michelin vá lançar um guia de restaurantes fechados.

Daí que não possamos concordar com Ángel Pardo.

Claro que o Guia Michelin 2021 está em perigo!

O Guia Michelin está tão em perigo quanto os seus restaurantes estão em perigo!

Enquanto não houver restaurantes – enquanto os restaurantes continuarem fechados – não há Guia Michelin.

É muito triste mas é mesmo assim.

Sem restaurantes, não há guias de restaurantes.

 

Fotografia: Guia Michelin

 

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publicado às 23:17

E Portugal, existe?

por Raul Lufinha, em 05.01.20

VOX España

O que está no sangue dos espanhóis não vai mudar

Comparando com o que se vê lá fora, a sensação que temos é sempre a de que todos os restaurantes portugueses estrelados – sem exceção – mereceriam, pelo menos, mais uma estrela do que aquela ou aquelas que lhes estão atribuídas.

Mas, enquanto a multinacional francesa continuar a insistir em fazer o guia Michelin português a partir de Madrid, nada de significativo irá mudar.

Se alguém ainda tinha dúvidas, aqui fica mais uma prova de que a mentalidade e o caldo cultural são estes do último cartaz do populista VOX, partido de extrema-direita que foi a terceira força política mais votada nas últimas eleições em Espanha e que, sem o espartilho do politicamente correto, é um espelho do que vai na alma dos espanhóis.

Para Madrid, Portugal deveria ser uma mera província espanhola.

Ou até várias – e daí, aliás, o perigo de uma eventual regionalização portuguesa poder abrir uma brecha na nossa unidade nacional e ser uma ante-câmara para o iberismo.

Não é por acaso que o atual rei de Castela se chama Filipe.

 

Fotografia: Facebook VOX España

 

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publicado às 21:00

Michelin muda (parcialmente) de estratégia e vende Bookatable ao TheFork

por Raul Lufinha, em 06.12.19

Anúncio da Bookatable by Michelin (Londres, 2016)

Anúncio da Bookatable by Michelin (Londres, 2016)

Anunciada esta semana, a nova parceria estratégica internacional do Guia Michelin com o TripAdvisor – ao incluir a venda da Bookatable by Michelin ao TheFork – constitui uma importante alteração da estratégia seguida pela multinacional francesa nos últimos anos.

Pelo menos, parcialmente.

Com efeito, desde 2013 que a Michelin vinha desenvolvendo uma parceria com a Bookatable, uma empresa de reservas online de restaurantes sedeada em Londres, que culminou depois, em 2016, na sua aquisição por parte da Michelin.

Uma aquisição que permitiu, então, à Michelin anunciar que se tornava o líder europeu do sector de reservas online de restaurantes!

Mas que trouxe também graves problemas de credibilidade e reputação à Michelin. Com feito, a partir do momento em que se tornou dona de uma empresa de reservas de restaurantes, a Michelin, que sempre tentou mostrar publicamente uma imagem de independência perante os restaurantes, passou a ter um interesse financeiro direto nas reservas – ou seja, o facto de a Michelin dar mais estrelas (que trazem mais clientes e mais reservas aos restaurantes) fazia a Michelin ganhar mais dinheiro; e o de a Michelin retirar estrelas aos restaurantes seus clientes, fazia a Michelin perder dinheiro…

De qualquer forma, já em 2018, a Michelin aprofundou essa estratégia e avançou igualmente para o negócio das reservas online de hotéis, tendo adquirido a Tablet Hotels, que agora é “uma experiência Michelin”.

Entretanto, nesta primeira semana de dezembro de 2019, a Michelin anuncia à escala mundial uma nova parceria com uma outra plataforma de reservas online de restaurantes – o TheFork, detido pelo TripAdvisor.

Porém, agora o negócio é de sentido inverso – a Michelin já não compra, vende!

A lógica continua a ser a que foi anunciada em 2013 e 2016 – a de migrar o guia para o digital e permitir que quem o consulte possa fazer logo a reserva sem ter que mudar de página.

Todavia, enquanto em 2016, para atingir esse fim, comprou a Bookatable, agora em 2019, para atingir esse mesmo fim, vendeu a Bookatable!

Uma enorme mudança estratégica… que parece fazer todo o sentido!

Pelo menos, permite à Michelin tornar um pouco mais coerente o seu discurso oficial.

Nada tendo sido dito, no entanto, quanto ao destino dado ou a dar ao negócio das reservas online de hotéis.

Será que a Michelin vai continuar com a estratégia de vender online dormidas em hotéis?

Será que a Michelin vai continuar com a estratégia de vender online dormidas em hotéis (por exemplo, The NoMad Hotel) cujos restaurantes (por exemplo, o excelente NoMad) distingue com estrela Michelin?

Claro que a Michelin diz que os pagamentos, quando efetuados através da sua plataforma, são feitos diretamente aos hotéis, não cobrando sequer qualquer taxa ou comissão ao cliente final.

Mas o ponto não é esse.

A questão é a independência que a Michelin terá quando atribui e retira estrelas... aos seus próprios clientes!

Anúncio do Bookatable by Michelin (Londres, 2016)

Anúncio da Bookatable by Michelin (Londres, 2016)

Para o TheFork, que há uns anos já tinha adquirido a portuguesa BestTables, a compra da Bookatable possibilita a expansão para mais cinco importantes países (Reino Unido, Alemanha, Áustria, Finlândia e Noruega) sendo um grande passo na sua estratégia de consolidação de novos mercados, rumo ao domínio global.

Tendo agora dois grandes desafios.

Um, é conseguir integrar as marcas regionais sob a marca única TheFork – não apenas a recém-adquirida Bookatable mas também marcas mais antigas como LaFourchette (França e Suíça) e ElTenedor (Espanha), à semelhança, aliás, do que fez com a Restorando da América Latina, adquirida este ano e que já opera como TheFork.

O outro grande desafio do TheFork é entrar no mercado dos Estados Unidos. Claro que a então Bookatable tinha uma parceria com a American Express, que detém o Resy. Mas atendendo a que o modelo de expansão do TheFork tem sido o da aquisição dos principais players de cada novo mercado onde entra, não será surpresa se o TheFork, empresa do TripAdvisor, avançar entretanto para uma grande compra nos EUA.

Fotografias: Bookatable by Michelin

 

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publicado às 19:45

O embuste do “ano excecional” e do “crescimento em todas as categorias”

por Raul Lufinha, em 21.11.19

Espanha e Portugal enganados pela Michelin: afinal não houve “crescimento em todas as categorias”

Espanha e Portugal enganados pela Michelin: afinal não houve “crescimento em todas as categorias”

Ángel Pardo, diretor de comunicação da Michelin, tinha prometido à Agência Efe que, para o Guia Espanha & Portugal, 2020 seria “un año excepcional, con crecimiento en todas las categorias”.

Porém, face às estrelas que ontem foram anunciadas em Sevilha, já nem vale a pena sequer discutir o que seria, para a Michelin, “um ano excecional” – ou se um crescimento marginal merece ser qualificado de “excecional”.

É mais grave do que isso!

Não houve sequer o anunciado “crescimento em todas as categorias”!

Na categoria das três estrelas não houve crescimento!

Efetivamente, na categoria máxima, em 2019, Espanha tinha 11 restaurantes com três estrelas e na edição de 2020 vai continuar a ter igualmente 11 restaurantes triestrelados. Ou seja, nesta categoria, é um embuste dizer que houve crescimento! Saiu um (DANI GARCÍA), entrou outro (CENADOR DE AMÓS), continuam a ser 11. Não houve qualquer crescimento! Nem redução! Como se pode ler na comunicação social espanhola, Espanha “manteve” 11 triestrelados.

Do mesmo modo, também não houve crescimento em Portugal na categoria máxima. Portugal não tinha nenhum restaurante com três estrelas em 2019 e em 2020 vai continuar a ter zero triestrelados. Não houve qualquer crescimento!

Ou seja, o Guia Michelin Espanha & Portugal, no seu conjunto, tinha 11 restaurantes com três estrelas em 2019 – e em 2020 vai continuar a ter 11. Não houve qualquer crescimento!

Assim sendo, e como não há registo de Ángel Pardo, diretor de comunicação da Michelin, ter desmentido ou corrigido a Agência Efe – que, aliás, continua a disponibilizar on-line essas auspiciosas declarações de dia 1 de novembro que geraram um enorme expectativa em torno da gala e desde então foram sendo replicadas um pouco por todo o lado – só resta uma conclusão: fomos todos enganados pela Michelin.

Espanha e Portugal foram enganados pela Michelin.

E merecem um pedido de desculpas por parte da empresa francesa.

Fotografia: Facebook @laGuiaMichelin

 

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publicado às 16:30

“Um ano excecional”?

por Raul Lufinha, em 05.11.19

Guia Michelin Espanha & Portugal

É já no dia 20 de novembro que irá ser apresentado em Sevilha o novo Guia Michelin Espanha & Portugal 2020.

Tendo a espanhola Agência Efe publicado na passada sexta-feira auspiciosas declarações do diretor de comunicação Ángel Pardo, a prometer um ano excecional para o guia no seu conjunto:

«La Guía Michelin España y Portugal 2020 crecerá "en todas las categorías"

"Un año excepcional, con crecimiento en todas las categorías". Así será el panorama de las codiciadas estrellas de la Guía Michelin España y Portugal 2020, según ha adelantado a Efe su responsable de Comunicación, Ángel Pardo, antes de que se conozca el contenido el 20 de noviembre en Sevilla.

España cuenta hasta ahora con once restaurantes 'triestrellados', aunque ya se sabe que uno se cae de la lista: Dani García, en Marbella (Málaga), ofrecerá su última cena el 16 de noviembre, unos días antes de la gala de presentación de la guía roja, para transformarse en un local especializado en carnes, primer paso para cambiar la alta cocina por conceptos más populares por todo el mundo.

El "crecimiento en todas las categorías" que anuncia Pardo significa que al menos un restaurante con dos 'brillos' se sumará a los que ya ostentan la máxima calificación: ABaC y Lasarte en Barcelona); Aponiente, en El Puerto de Santa María (Cádiz); DiverXO (Madrid), Akelarre, Arzak y Martín Berasategui, en San Sebastián; Azurmendi, en Larrabetzu (Vizcaya), El Celler de Can Roca (Girona) y Quique Dacosta, en Denia (Alicante).

También podría Portugal lograr su primer 'triestrellado', 110 años después de la primera edición de la Guía Michelin España y Portugal.

España cuenta con 25 restaurantes con dos estrellas después de que el año pasado lograron la segunda cuatro establecimientos, y también se engrosará el listado esta vez.

Aunque el "mayor crecimiento" será en la categoría de una estrella, "lo que demuestra la consolidación de la alta cocina, tanto en España como en Portugal", indica Pardo. En la edición de 2019, lograron su primer 'brillo' 25 restaurantes, con lo que ascienden a 190 en ambos países.

El aumento en este apartado se debe a que "jóvenes chefs, con excelente formación y experiencia, inician sus propios proyectos personales con mucho talento y profesionalidad, y junto a sus equipos de sala buscan crear una experiencia global perfecta", dando lugar a una "frenética actividad gastronómica".

En cuanto al reparto geográfico, indica que los inspectores de la Guía Michelin "en sus numerosas visitas, constatan un dinamismo sólido en diversas comunidades autónomas, consiguiendo que, en esta edición, las diferentes categorías estén muy repartidas en la geografía ibérica".

Otra tendencia que destacan los inspectores es "el incremento de propuestas gastronómicas en hoteles, que entienden perfectamente que la gastronomía de calidad es un factor importante a la hora de atraer viajeros", lo que tendrá su correspondiente reflejo en la publicación.

"También se confirma un aumento de establecimientos tutelados por los grandes chefs con estrella", indica Pardo, ya que muchos optan por diversificar con fórmulas más asequibles para todos los públicos gracias a una cocina y un servicio más informal.

Habrá además un "crecimiento notable" de los establecimientos reconocidos con el distintivo Bib Gourmand, que premia desde hace 22 años una excelente relación calidad-precio y que lucen por ahora 185 restaurantes de España y Portugal. El año pasado lograron este sello 22 restaurantes.

Anuncia además Pardo cambios físicos en la guía, "con textos más amplios en los que se destacan las especialidades de cada establecimiento para ofrecer una información más completa a nuestros lectores en sus viajes".»

Veremos então no dia 20 o que entende a Michelin ser “um ano excecional”.

E também se o facto de ser “excecional” para a cozinha de ambos os países significará igualmente que será “excecional” para Portugal.

Pois não é exatamente o mesmo.

Para Portugal:

– Seria excecional ter, pela primeira vez, pelo menos um restaurante com três estrelas Michelin;

– Seria excecional ter, pela primeira vez, pelo menos um chef português a liderar um restaurante com três estrelas;

– Seria excecional os austríacos Dieter Koschina e Hans Neuner conseguirem ultrapassar o seu compatriota Heinz Reitbauer, cujo extraordinário STEIRERECK, no centro de Viena, n.º 17 do mundo em 2019, continua estranhamente a ter somente duas estrelas;

– Seria excecional um restaurante português ser distinguido diretamente com duas estrelas. E, mais ainda, se fosse liderado por um chef português;

– Seria excecional segundos restaurantes de chefes que já lideram restaurantes portugueses estrelados serem igualmente distinguidos pelo guia;

– Seria excecional o guia, que não tem só estrelas, também chegar aos Açores;

– Seria excecional Henrique Leis renovar a sua estrela depois de a ter tentado devolver;

– Seria excecional, por fim, o Guia Michelin Espanha & Portugal reconhecer o extraordinário momento da cozinha portuguesa e dar mais novas estrelas a restaurantes portugueses do que a espanhóis.

Aguardemos então por dia 20!

Imagem: Facebook @laGuiaMichelin

 

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publicado às 22:48

Livros #42: Michelin coloca no mapa o restaurante… BON BON

por Raul Lufinha, em 25.11.15

España & Portugal

Michelin espanhola... agrava fosso entre Portugal e Espanha

Os inspetores Michelin que terão andado pelo país descobriram que Portugal apenas merecia uma nova estrela para 2016 – o BON BON, no Carvoeiro.

Já em Espanha…

… que, numa lógica iberista de multinacional cega, continua inexplicavelmente não só a fazer parte integrante do guia português (e vice-versa) como também a fazer (!) o próprio guia de Portugal…

… ‘nuestros hermanos’ têm 2 novos duas estrelas...

... e 14 novos restaurantes com uma estrela.

Ou seja, agravou-se, mais uma vez, o fosso entre os dois países!

Mas, enfim, há mais de 100 anos que estes senhores sabem como fazer publicidade aos pneus à custa dos restaurantes… continuando a ser o guia mais respeitado pela indústria da restauração!

Há é cada vez mais clientes que não vão (só) em guias…

 

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publicado às 23:59

Livros #38: Três novidades portuguesas no Guia Michelin 2015

por Raul Lufinha, em 22.11.14

La Guía Michelin 2015 España & Portugal .jpg

 

José Avillez, Leonel Pereira e Pedro Lemos estão de parabéns!

Os seus restaurantes são as 3 únicas novidades portuguesas de um guia Michelin 2015 que, sendo o melhor resultado de sempre para Portugal...

... atribui a Espanha mais 20 estrelas, aumentando inexplicavelmente o já de si injustificado enorme fosso entre os dois países.

– BELCANTO, duas estrelas:

Um feito histórico para José Avillez, o primeiro duas estrelas de Lisboa e o justo reconhecimento do melhor restaurante da cidade!

Duas estrelas que (como se comprova agora, uma vez que o restaurante pouco tem mudado) eram merecidas logo no ano da abertura – este devia ter sido o momento da terceira! As experiências que o BELCANTO proporciona estão ao nível do que melhor se faz internacionalmente!

Nota ainda para o facto de o guia inacreditavelmente não ter conseguido encontrar na cidade de Lisboa um único projecto que merecesse receber este ano pela primeira vez uma estrela – mas em Madrid viu 5 novas estrelas, em Espanha viu 19 novas primeiras estrelas, em toda a Itália viu 27…

– SÃO GABRIEL, uma estrela:

No ano passado, com a chegada de Leonel Pereira, o SÃO GABRIEL merecia ter ganho duas estrelas!

Este ano, ter uma é curto, sabe a pouco!

E Leonel Pereira é um chef três estrelas – o guia pode dar-lhe a classificação que quiser; quem come no SÃO GABRIEL sabe que tem uma experiência três estrelas!

– PEDRO LEMOS, uma estrela:

Mais uma estrela que demorou tempo a chegar. Há uns três / quatro anos (quando ia com frequência ao Norte, o que ultimamente não tem acontecido) era o meu restaurante preferido na cidade do Porto – recordo em especial umas memoráveis bochechas de bísaro com filhoses – e já nessa altura se sentia que no dia em que o guia corrigisse a injustiça de ignorar o Porto, seria o principal candidato.

Esta estrela atribuída agora ao restaurante PEDRO LEMOS faz ainda pensar como a história podia ser hoje bem diferente se na devida altura o guia tivesse distinguido Pedro Lemos e, pelo menos, outros 3 chefs que na capital estavam então igualmente em grande forma, porventura até superior – Leonel Pereira (PANORAMA), Henrique Mouro (ASSINATURA) e Alexandre Silva (BOCCA).

Aqui se vê também a elevada relevância do guia – é um árbitro com interferência no resultado, para o bem e para o mal.

 

N.B. – Estes comentários têm por base os guias Michelin, não o guia “España & Portugal”.

Para muita gente, o guia “España & Portugal” é “o” guia, é o modelo de guia. Mas não é assim!

Analisando a realidade espanhola e os restantes guias que a Michelin publica em diversas geografias pelo mundo fora, verifica-se que Espanha (tal como a Dinamarca) tem inúmeras razões de queixa dos franceses.

Ora Portugal é prejudicado duas vezes: estamos incluídos no guia espanhol e somos prejudicados pela forma como os franceses tratam a cozinha espanhola que lhes fez frente; e depois, pior ainda, o nosso guia é feito em Espanha e por espanhóis.

O que não podemos é cair no erro de pensar que a forretice do guia “España & Portugal” é o modelo Michelin – não é!

Por exemplo, em Itália há 328 restaurantes estrelados: 8 de três estrelas, 40 de duas estrelas, 280 de uma estrela!

 

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publicado às 19:06

Livros #17: o guia de que se fala

por Raul Lufinha, em 23.11.12

 

Editado pela marca francesa de pneus que lhe dá o nome, é este o guia ontem apresentado em Madrid.

 

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publicado às 23:41


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