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Um Branco literalmente de Inverno… construído na vinha

por Raul Lufinha, em 16.02.20

Enólogo Nelson Rolo e Bernardo Leal da Costa com o novo Branco de Inverno da Ervideira

Enólogo Nelson Rolo e Bernardo Leal da Costa com o Branco de Inverno da Ervideira

A Ervideira lançou um branco literalmente de inverno.

Chama-se mesmo assim, “Branco de Inverno”.

É um lote de Antão Vaz (60%) e Viosinho (40%) de 2018.

E efetivamente consiste num daqueles vinhos brancos a que chamamos “de inverno”.

Com estrutura, com volume, encorpado, cremoso, pensado para acompanhar os pratos mais pesados e complexos tão típicos desta época mais fria do ano, inclusivamente os de carne, e, também, para ser bebido a uma temperatura superior, próxima da dos tintos.

Porém, o mais fascinante deste vinho é que essa tal estrutura, esse tal corpo, essa textura, que o faz ser incluído na categoria dos “brancos de inverno”, não foi obtida – como é mais comum – através da madeira.

Não foi obtida através de um prolongado estágio em contacto com madeira.

Tem madeira, sim – mas apenas seis meses, e em barricas de carvalho húngaro de segundo ano.

Isto porque o enólogo Nelson Rolo quis fazer um branco de inverno… que não estivesse demasiado marcado pela madeira!

Que não tivesse excesso de madeira!

Quis fazer um branco de inverno em que, ao contrário do que é habitual, a sua principal caraterística não fosse dada pela adega – pelo tempo que fica na adega a estagiar em madeira – mas pela vinha!

De modo que foi antes por outro caminho.

E criou um branco de inverno literalmente… construído na vinha!

Com efeito, depois de colher as uvas de Viosinho que iriam fazer parte do lote, ou seja, depois de assegurar que o lote iria ter acidez e mineralidade, Nelson Rolo tomou a decisão de não colher logo as uvas de Antão Vaz!

Ou seja – dado que ia ser um vinho de lote e que a acidez do conjunto estava garantida pelo Viosinho – quanto ao Antão Vaz, o enólogo resolveu prescindir da acidez, tendo apostado tudo na sobrematuração!

Ainda para mais, num verão muito quente, como foi o de 2018.

De tal forma que, arriscando ao máximo, estas uvas de Antão Vaz foram as últimas uvas brancas a entrar na adega, já na primeira semana de outubro!

O que fez toda a diferença no resultado final.

Sentindo-se, claramente, o contributo de cada uma das castas.

A acidez muito viva, a frescura, a crocância, a mineralidade – tudo isto é dado pelo Viosinho.

Mas, depois, o Branco de Inverno da Ervideira tem também aquele lado mais tropical do Antão Vaz da Vidigueira explorado até ao limite, aromaticamente muito intenso, com notas de banana, de maracujá, de manga, de ananás, tudo muito maduro e poderoso.

Um vinho, pois, de grandes contrastes – com 13% de álcool e ligando especialmente bem com tudo o que seja salgado, dos enchidos aos queijos e ao bacalhau, passando por pratos como o arroz de marisco ou o risotto de lavagante.

E um branco de inverno inovador, que sai do registo tradicional, mantendo, claramente, a identidade Ervideira.

7000 garrafas, PVP 15€.

Conde d’Ervideira BRANCO DE INVERNO ‘Escolha do Enólogo’ 2018

Conde d’Ervideira BRANCO DE INVERNO ‘Escolha do Enólogo’ 2018

 

P.S. – Uma adivinha para quem gosta de reparar nos pormenores: na primeira fotografia deste post, em fundo e do lado direito, qual era a palavra que aparecia escrita com os rótulos das garrafas? Começa por “A”…

 

Ver também:

 

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publicado às 00:33

10 anos de Invisível

por Raul Lufinha, em 21.04.19

Duarte Leal da Costa, diretor executivo da ErvideiraDuarte Leal da Costa, diretor executivo da Ervideira

 

Seguindo a tradição, a Ervideira voltou a apresentar a 1 de abril a sua nova produção de Invisível.

Mas este foi um ano muito especial!

Com efeito, a colheita de 2018 é já a décima edição (!) deste branco de uvas tintas, da casta Aragonez, que se continua a revelar um extraordinário sucesso comercial, com mais de meio milhão de garrafas vendidas numa década.

De modo que Duarte Leal da Costa, o dinâmico proprietário e diretor executivo da Ervideira, para comprovar a enorme versatilidade e aptidão gastronómica do Invisível, propôs que desta vez o almoço de lançamento da nova edição fosse feito com apenas um copo… e um único vinho!

Do princípio ao fim, só houve mesmo Invisível!

Mas com uma nuance – servido a diferentes temperaturas!

E, tendo em vista aumentar ainda mais o nível de dificuldade do desafio de harmonização, para dar luta ao Invisível resolveu escolher… os pratos fortes do Solar dos Presuntos, em Lisboa!

 

Enólogo Nelson RoloEnólogo Nelson Rolo

 

De modo que, começando logo pelo princípio, o próprio welcome drink foi um copo bem fresco de… Invisível!

O qual, já à mesa, continuou a dar ótima conta de si com os mais diversos géneros de entradas, do queijo ao presunto, passando pela fritura das pataniscas e dos pastéis de bacalhau, pelo polvo, pelas ameijoas e até pelos camarões picantes – de facto, o Invisível não é um vinho só para sushi!

A seguir, já com o Invisível menos frio, chegaram os filetes de peixe-galo – e o blanc de noirs assinado pelo enólogo Nelson Rolo continuou muito bem!

Entretanto, aconteceu o momento mais desconcertante do almoço!

Efetivamente, quando o vinho atingiu a temperatura de serviço dos tintos, chegou um poderoso… cabrito assado no forno!

Tendo sido extremamente interessante ver como este versátil branco obtido a partir da lágrima de uvas tintas se comportou no campeonato dos tintos, ou seja, como reagiu ao desafio de ser servido à temperatura de um tinto para acompanhar um prato que tipicamente pede tinto.

E a resposta a este estimulante exercício, que qualquer um de nós, aliás, pode repetir em casa, foi a de que o Invisível, afinal, não se saiu tão mal quanto se poderia pensar! Claro que um Aragonez de taninos vivos teria tido outros argumentos para dar luta à carne (e até à laranja que acompanhava o cabrito, embora o citrino possa ser também um trunfo a favor dos brancos). De qualquer forma, com a sua exuberância aromática e, em especial, com a sua estrutura, ao ter mais peso do que um convencional branco de uvas brancas, o Invisível saiu-se indiscutivelmente melhor do que um branco fresco. E até tinha um final levemente doce, que cortava a apurada (ou seja, salgada) untuosidade do molho e, ainda, a acidez da laranja. De facto, não são só os brancos de inverno (com estrutura e madeira) que funcionam bem com carnes fortes! Depende do vinho… e da temperatura!

Mas os desafios não terminaram por aqui!

Com o vinho já pelos 20 ºC, chegou aquela que será a sobremesa portuguesa mais difícil de harmonizar (ou, pelo menos, em que as opiniões mais se dividem): o Pudim Abade de Priscos. Mas a verdade é que, com o Invisível servido à temperatura ambiente e “a fazer de licoroso”, a experiência resultou mesmo muito bem – foi um dos melhores pairings do almoço!

Comprovando a enorme versatilidade gastronómica do Invisível… inclusivamente ao longo de toda a refeição e às mais diversas temperaturas!

 

Invisível 2018Invisível 2018

 

Ver também:

 

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publicado às 23:34

Ícones do Alentejo, grandes vinhos de Portugal

por Raul Lufinha, em 16.10.18

Nove ícones do Alentejo

Nove ícones do Alentejo

O terceiro dia do evento “Vinhos do Alentejo em Lisboa”, que decorreu no Centro Cultural de Belém, foi dedicado exclusivamente aos profissionais.

Mas também teve provas comentadas.

Duas, mais concretamente.

E ambas conduzidas por Manuel Moreira.

A primeira das quais dedicada aos vinhos emblemáticos do Alentejo.

Numa escolha, por parte da organização, que naturalmente é sempre muito subjetiva.

Contudo, o objetivo não era propriamente apresentar “os mais” emblemáticos, mas antes apresentar vinhos que, a par naturalmente de outros que aqui não estão (como sucede desde logo com Herdade do Peso Ícone), sejam – e são – emblemáticos.

E que começou logo com o Pêra-Manca – não o superlativo tinto mas o branco, ainda assim um vinho extraordinário. Aliás, foi o único branco da prova. Arinto e Antão Vaz, de 2016. Grande finesse e equilíbrio.

O primeiro dos tintos foi o Reserva de 2015 da Herdade dos Grous. Perfil moderno, num lote em que, para além de Alicante Bouschet e Touriga Nacional, está também presente a frescura e acidez da Tinta Miúda.

Da Adega Mayor, o poderoso Pai Chão Grande Reserva 2014.

A seguir, o Marias da Malhadinha de 2013, da Herdade da Malhadinha Nova, quarta edição de um vinho com estrutura mas muito elegante, sem estar demasiado marcado pelos 28 meses que estagiou em madeira.

Da Herdade do Rocim, o Crónica #328 José Ribeiro Vieira, de 2015, muito encorpado e pleno de fruta.

Conde d’Ervideira Private Selection 2015. Conforme contou Duarte Leal da Costa, “o rótulo é mentiroso – as castas verdadeiras são Alicante Bouschet e Touriga Nacional”. O topo de gama da Ervideira.

Representando a frescura e complexidade do terroir único do Monte da Ravasqueira, o Ravasqueira Premium 2014.

Estremus 2012, a segunda edição do topo de gama de João Portugal Ramos, feito com Alicante Bouschet e Trincadeira plantadas em solo originário de mármore – o vinho que mais brilhou nesta prova. Estando na forja o 2015.

Por fim, do baluarte da casta Alicante Boushcet, o Mouchão 2008.

Nove notáveis vinhos do Alentejo.

E ainda jovens.

Certamente continuarão a evoluir nos próximos anos.

E nas próximas décadas – aliás, foi precisamente esse o tema da prova seguinte: vinhos alentejanos que conseguem envelhecer com nobreza.

Vinhos do Alentejo em Lisboa

Vinhos do Alentejo à prova em Lisboa

 

Ver também:

 

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publicado às 19:12

Invisível, um branco feito com uvas tintas

por Raul Lufinha, em 08.11.15

Nelson Rolo

Nelson Rolo, o enólogo da Ervideira

Estimulante vinho branco alentejano feito na Ervideira pelo enólogo Nelson Rolo a partir de uvas tintas da casta Aragonez…

… o Invisível conjuga a frescura dos brancos…

… com o corpo e a densidade dos tintos!

Invisível

Invisível 2014

Devendo ser servido como os brancos…

… entre os 6 e os 8 ⁰C.

Invisível

Um branco obtido a partir de uvas tintas

Tem um aroma floral...

... sendo fresco na boca, com boa acidez.

E tendo um final levemente adocicado, que o liga muito bem aos sabores fumados…

… e também aos salgados – em especial sushi e marisco…!

 

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publicado às 00:25


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FEVEREIRO
20-23 -ESSÊNCIA DO VINHO – PORTO Mais de 400 produtores e cerca de 4000 vinhos representados e em degustação, de Portugal e do mundo, bem como atividades paralelas que incluem provas temáticas, conversas sobre vinho, harmonizações e jantares vínicos

MARÇO
3 -PRÉMIOS ‘BOA CAMA BOA MESA’ Cerimónia de entrega dos prémios do guia Boa Cama Boa Mesa, do jornal Expresso
Até 14 -‘ACONCHEGO CARIOCA’ NO BAIRRO DO AVILLEZ Pop-up do restaurante de Kátia Barbosa, nas varandas do Bairro do Avillez
Até 15 -TEMPORADA DA LAMPREIA NO VARANDA DE LISBOA No restaurante panorâmico do Hotel Mundial, um menu especial dedicado à lampreia

MAIO
19-20 -SYMPOSIUM SANGUE NA GUELRA 2020 Virgilio Martínez, do CENTRAL, em Lima, no Peru, é o primeiro nome confirmado

JUNHO
2 -THE WORLD'S 50 BEST RESTAURANTS 2020

SETEMBRO
12-13 -CHEFS ON FIRE 2020 – FOOD, FIRE & MUSIC Um festival em que os chefs cozinham exclusivamente com fogo durante mais de 24h. Ao fire pit e outras estruturas inéditas junta-se um cartaz de concertos, num projeto de slow cooking que celebra as origens da cozinha, bem como a simplicidade de esperar e de deixar que o tempo e o fogo cuidem dos alimentos


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