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O BON BON de Louis Anjos

por Raul Lufinha, em 17.04.18

Louis Anjos e Nuno Diogo, a nova dupla do BON BON

Louis Anjos e Nuno Diogo, a nova dupla do BON BON

Dos restaurantes portugueses distinguidos este ano pelo Guia Michelin, aquele que mais curiosidade desperta no meio gastronómico é, sem dúvida, o BON BON.

Com efeito, as férias de inverno não trouxeram apenas uma nova carta ao discreto espaço algarvio localizado entre Lagoa e o Carvoeiro.

Após a saída de Rui Silvestre, há também um novo chefe!

Tendo a escolha do proprietário do BON BON, Nuno Diogo, recaído no português Louis Anjos.

Chefe Cozinheiro do Ano em 2012, Louis Anjos foi o responsável pela cozinha do MORGADINHO, no SUITES ALBA RESORT de Luís Figo, antes de vir para Lisboa suceder a Miguel Castro e Silva no LARGO, após o que regressou ao Algarve a fim de liderar a aclamada cozinha do MON-CHIQUE, que inclusivamente recebeu o prémio Revelação do Ano de 2017 atribuído pelo guia Boa Cama Boa Mesa.

BON BON

Entre Lagoa e o Carvoeiro...

BON BON

... o discreto BON BON

Porém, apesar da mudança de chefe, no BON BON a lógica é de continuidade – não há ruturas.

Na sala, Nuno Diogo continua a ser o inexcedível anfitrião que recebe os clientes como se estivesse em sua casa, tomando conta dos pedidos e dos vinhos.

O serviço mantém-se igualmente impecável, como sempre.

E os produtos continuam a ser de topo.

A única diferença é mesmo a cozinha, que, continuando a ser irrepreensivelmente de grande nível, agora, sob o comando de Louis Anjos, tem mais presente os sabores do Algarve – há mais Algarve no BON BON.

BON BON

Ao centro, a lareira

BON BON

Envelope…

BON BON

… personalizado...

BON BON

... com o menu

À chegada, as boas-vindas foram dadas com uma flute do elegante Champagne bruto Charles-Le-Bel, da casa Billecart-Salmon, que irá acompanhar todos os aperitivos.

Champagne Charles-Le-Bel Brut

Champagne Charles-Le-Bel Brut

E para começar o jantar num registo lúdico e descontraído mas sem medo de sabores fortes, Louis Anjos fez chegar à mesa uma noz falsa – o saboroso recheio era de queijo de cabra e mel.

Noz Falsa

Noz Falsa

E depois três poderosos momentos de bacalhau!

Do lado direito, uma batata selvagem ainda quente, com um excelente recheio de sames e línguas de bacalhau.

Ao centro, sobre a pele crocante do peixe, uma brandade de bacalhau, azeitona e coentros.

E à esquerda um intenso chouriço de bacalhau!

Homenagem de Louis Anjos ao bacalhau

Homenagem de Louis Anjos ao bacalhau

Continuando com sabores intensos, a seguir chegaram mais dois deliciosos snacks.

Uma esfera de fígados de galinha e pistácio, com capa de Vinho do Porto.

E uma mini empada de perdiz, acabada de sair do forno.

Sabores fortes também nos snacks de carne

Sabores fortes também nos snacks de carne

Depois, pão quente!

Escondidos no cesto, vinham três diferentes variedades, todos feitos no BON BON pelo chefe de pastelaria Raul Cachola:

– Um pão branco simples, tradicional;

– Um pão com pimentos;

– E ainda uma broa maravilhosa, com nozes e figos.

Havia ainda azeite, o Distintus, de Trás-os-Montes.

E também três manteigas de Louis Anjos, todas com imenso sabor:

– Uma de chouriço, que ligava na perfeição (!) com o pão de pimentos;

– Outra de queijo de cabra;

– E uma terceira, absolutamente extraordinária, com as avinagradas Cenouras à Algarvia, um sabor sempre muito presente na cozinha de Louis Anjos.

Couvert

Couvert

Com o último snack, uma explosão de sabor a ostra!

Com efeito, numa evolução (e depuração de sabores) da sua Amêijoa à Bulhão Pato do Suites Alba de 2014, esta nova esferificação de Louis Anjos tem uma ostra inteira lá dentro e uma emulsão somente de água de ostra com lima e coentros!

Ou seja, onde antes brilhava a famosa receita das amêijoas, brilha agora o produto, a ostra!

Excelente!

Ostra

Ostra

A abrir o menu propriamente dito, lavagante!

Surgindo em dois medalhões do lombo e, ainda, num saboroso tártaro.

Bem como no apurado consommé, servido já na mesa.

E em que os restantes elementos do conjunto são mesmo muito discretos e subtis – as diversas texturas e preparações de beterraba; o toque da tangerina, numa mousse; e o sabor do açafrão, no caldo.

Uma criação extremamente fina e elegante de Louis Anjos!

Lavagante Azul / Açafrão / Tangerina / Beterraba

Lavagante Azul / Açafrão / Tangerina / Beterraba

Lavagante Azul / Açafrão / Tangerina / Beterraba

Lavagante Azul / Açafrão / Tangerina / Beterraba

Tendo o lavagante sido harmonizado com um branco fresco e mineral, o Cedro do Noval de 2015, produzido a partir de duas castas típicas do Douro, Gouveio e Viosinho, plantadas numa pequena parcela na parte mais alta das vinhas da Quinta do Noval e em solo xistoso.

Cedro do Noval, branco, 2015

Cedro do Noval, branco, 2015

A seguir, sapateira!

Mas num estimulante prato que vai mais além e que já não é só mar!

Sendo antes um desafiante jogo entre os sabores marinhos e os sabores da terra, os sabores mais terrosos!

Com efeito, Louis Anjos começa por apresentar um raviolo recheado de sapateira.

Juntando-lhe depois, porém, diversas texturas de couve-flor – incluindo um inesquecível puré na base do prato –  diversas texturas de couve-flor, essas, que trazem o prato para terra e lhe dão uma outra dimensão!

Do mar, há ainda o Caviar Imperial e as plantas halófitas.

Bem como a espuma, que é uma elegante bisque.

Mas o grande segredo do prato é mesmo a couve-flor!

Excelente!

Sapateira / Couve-Flor / Caviar Imperial

Sapateira / Couve-Flor / Caviar Imperial

Para acompanhar a sapateira bidimensional de Louis Anjos, Nuno Diogo escolheu um Alvarinho diferente e especial.

O elegante e expressivo Soalheiro Terramatter de 2016, elaborado com recurso a conceitos de produção que valorizam a biodiversidade e o regresso às origens, incluindo a fermentação em barricas de castanho e a não filtragem.

Um vinho que ligou muito bem com ambas as partes da criação de Louis Anjos, não apenas com o seu lado marinho mas também – daí ser notável esta escolha de Nuno Diogo – com a vertente mais terrosa do prato!

Soalheiro Terramatter Alvarinho, branco, 2016

Soalheiro Terramatter Alvarinho, branco, 2016

A seguir, o momento central – e mais emblemático – do novo menu do BON BON.

Louis Anjos vem à sala para nos mostrar que, de modo a ter ainda mais sabor, o dashi que preparou para o prato seguinte inclui também os peixes secos do Algarve!

E então, à nossa frente, adiciona, ao fumegante caldo, litão, muxama de atum e polvo seco.

Para a seguir regressar à cozinha, deixando o bule ali ao lado da mesa.

Louis Anjos

Louis Anjos

Louis Anjos

Louis Anjos

Louis Anjos vem à mesa

Entretanto, é servido o vinho que irá acompanhar o prato.

Um branco do Algarve!

Da Quinta dos Vales, a fruta madura do Marquês dos Vales Grace Viognier, de 2016, a fim de dar luta aos sabores fortes que estavam para chegar.

Marquês dos Vales Grace Viognier, branco, 2016

Marquês dos Vales Grace Viognier, branco, 2016

Logo de seguida surge o peixe do dia – hoje era salmonete!

Vindo acompanhado de cogumelos braseados, algas e mexilhão.

E tendo ainda, na base do prato, umas finíssimas e quase invisíveis tiras de choco, cheias de sabor.

Depois, é então servido o tal caldo dashi ao qual Louis Anjos tinha adicionado na sala os peixes secos do Algarve.

E o resultado é esmagador!

Se o salmonete já era bom por si, neste contexto fica brutal!

Umami!

Mar!

Um perfume e um sabor a mar absolutamente extraordinários!

Sendo também notável que – ao contrário do que por vezes acontece – o momento de maior impacto cénico do jantar coincida com o prato mais marcante da refeição!

Grande, grande momento de Louis Anjos!

Peixe de Linha / Dashi de Peixes Secos / Choco / Mexilhão / Alga

Peixe de Linha / Dashi de Peixes Secos / Choco / Mexilhão / Alga

Peixe de Linha / Dashi de Peixes Secos / Choco / Mexilhão / Alga

Peixe de Linha / Dashi de Peixes Secos / Choco / Mexilhão / Alga

Passando para a carne, Louis Anjos traz-nos uma versão atualizada dos seus dois registos de borrego – a pá e o lombo – em que continua a brilhar o extraordinário puré de Cenoura à Algarvia com o qual o chef do BON BON faz questão de nos sinalizar que estamos no Algarve!

Sendo este o lado mais extraordinário da cozinha de Louis Anjos – faz um prato de carne... e também sabe a Algarve!

Efetivamente, citando a digressão de Louis Anjos de 2014 pelos produtos algarvios, “O Algarve não é só praia”… e também não é só mar!

A cozinha do Algarve não é só uma cozinha de mar!

Excelente!

Borrego Alentejano / Pá / Lombo / Cenoura Algarvia

Borrego Alentejano / Pá / Lombo / Cenoura Algarvia

Tendo Nuno Diogo escolhido o elegante Jaen da Quinta das Maias, no Dão, para fazer companhia ao borrego.

Quintas das Maias Jaen, tinto, 2015

Quintas das Maias Jaen, tinto, 2015

E eis que chegou… um prato histórico!

O Pombo com o qual Louis Anjos venceu em 2012 o concurso Chefe Cozinheiro do Ano!

Complexo!

Maravilhoso!

Intemporal!

E com esta extraordinária carga histórica!

Mais um momento memorável!

Pombo Royal / Foie Gras / Salsifi / Vinho do Porto

Pombo Royal / Foie Gras / Salsifi / Vinho do Porto

Quanto à harmonização, dá gosto ir ao Algarve beber... vinhos do Algarve!

Em especial quando são grandes vinhos!

Como o memorável Syrah produzido nos terraços de xisto da Quinta do Francês com uvas muito maduras da vindima de 2011.

Nuno Diogo descobriu-o na excelente garrafeira do BON BON e estava absolutamente esplendoroso – frutos pretos, especiarias, muita pimenta, tabaco, café, imenso chocolate; grande estrutura; e depois taninos extremamente finos e elegantes.

Um Syrah muito guloso!

E extremamente gastronómico – ligou na perfeição com o multifacetado pombo de Louis Anjos!

Um enormíssimo Syrah de Portugal!

Quinta do Francês Syrah Terraços, tinto, 2011

Quinta do Francês Syrah Terraços, tinto, 2011

Entretanto, chega à mesa… uma “azeitona”!

Aqui, não vamos desvendar mais, para manter a surpresa!

Apenas dizemos que é maravilhosa!

E também que igualmente no BON BON se volta a confirmar a regra de que Louis Anjos tem sempre grandes pré-sobremesas!

Pré-sobremesa

Pré-sobremesa

Curiosamente, a seguir chega… uma segunda pré-sobremesa!

Uma sopa de pimentos encarnados.

Crumble de pistácio.

E sorbet de basílico.

Um momento de muita frescura, com a assinatura do chefe de pastelaria do BON BON, Raul Cachola.

Segunda pré-sobremesa

Segunda pré-sobremesa

Entretanto, no centro da sala, foram renovadas as brasas da lareira.

Lareira redonda

Lareira redonda

Para sobremesa, o sabor algarvio da amêndoa!

Que é trabalhado em diversas texturas, numa grande composição de Raul Cachola!

Dá gosto ir ao Algarve e também ter o sabor do Algarve… nas sobremesas!

Amêndoa / Mel / Alfazema / Moscatel

Amêndoa / Mel / Alfazema / Moscatel

Para acompanhar os sabores quentes da sobremesa dedicada à amêndoa algarvia, Nuno Diogo também escolheu um vinho… do Algarve!

E apesar de, por si só, o licoroso Marquês dos Vales ser curto quando comparado com um Vinho do Porto, era precisamente isso que se pretendia para esta harmonização, de modo a não abafar a amêndoa!

O sentir-se mais o álcool do que a fruta do licoroso, aqui, é bom – permite compensar a doçura da sobremesa sem matar o sabor da amêndoa!

Ou seja, mais um grande pairing!

E mais um grande pairing com um vinho do Algarve!

Sendo também um excelente exemplo de como nem sempre são os melhores vinhos que fazem as melhores harmonizações!

Vinho Licoroso Marquês dos Vales Touriga Nacional

Vinho Licoroso Marquês dos Vales Touriga Nacional

Com os petits fours, mais Algarve!

Agora, a Alfarroba!

Numa bola de Berlim, com creme de laranja… algarvia!

Num macaron, com ganache de alfarroba e chocolate!

Numa trufa, de alfarroba e amêndoa… ambas algarvias!

E ainda num mini pastel não de nata mas de alfarroba!

Todos excelentes!

Petits fours

Petits fours

Entretanto, Raul Cachola, o chefe de pastelaria do BON BON, ainda tinha preparada mais uma surpresa!

Raul Cachola, chefe de pastelaria do BON BON

Raul Cachola, chefe de pastelaria do BON BON

Bombons!

Os bombons… do BON BON!

Caril e coco.

Alecrim e mel.

Azeite e flor-de-sal.

E Vinho do Porto.

Todos muito bons!

Os bombons… do BON BON

Os bombons… do BON BON

Foi o fim de mais um grande jantar com a cozinha de Louis Anjos!

Que no ambiente fine dining do BON BON, com produtos absolutamente top, um serviço extraordinário e uma garrafeira excelente, brilha ainda mais!

Bem bom

Bem bom

 

Ver também:

– BON BON

– Louis Anjos 

 

BON BON

Urbanização Cabeço de Pias, Sesmarias, Lagoa, Algarve, Portugal

Chef Louis Anjos

 

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publicado às 01:51

Parabéns aos distinguidos pelo Guia Michelin 2017

por Raul Lufinha, em 24.11.16

Guia Michelin 2017

 

Para 2017, o Guia Michelin atribuiu aos restaurantes portugueses as seguintes distinções:

Duas Estrelas

BELCANTO (José Avillez)

IL GALLO D’ORO (Benoît Sinthon) NOVO 2**

OCEAN (Hans Neuner)

THE YEATMAN (Ricardo Costa) NOVO 2**

Ricardo Costa

Ricardo Costa

VILA JOYA (Dieter Koschina)

 

Uma Estrela

ALMA (Henrique Sá Pessoa) NOVO 1*

Henrique Sá Pessoa

Henrique Sá Pessoa

ANTIQVVM (Vítor Matos) NOVO 1*

BON BON (Rui Silvestre)

CASA DE CHÁ DA BOA NOVA (Rui Paula) NOVO 1*

Rui Paula

Rui Paula

ELEVEN (Joachim Koerper)

FEITORIA (João Rodrigues)

FORTALEZA DO GUINCHO (Miguel Rocha Vieira)

HENRIQUE LEIS (Henrique Leis)

LAB by Sergi Arola (Sergi Arola) NOVO 1*

Sergi Arola

Sergi Arola

L’AND (Miguel Laffan) NOVO 1*

Miguel Laffan

Miguel Laffan

LARGO DO PAÇO (André Silva)

LOCO (Alexandre Silva) NOVO 1*

Alexandre Silva

Alexandre Silva

PEDRO LEMOS (Pedro Lemos)

SÃO GABRIEL (Leonel Pereira)

WILLIAM (Joachim Koerper) NOVO 1*

WILLIE’S (Willie Wurger)

 

Na parte espanhola do guia, a maior novidade foi a terceira estrela atribuída ao LASARTE, restaurante em Barcelona sob a direção de Martín Berasategui que tem como Head Chef o italiano Paolo Casagrande.

Paolo Casagrande

Paolo Casagrande

  

Muitos parabéns a todos!

 

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publicado às 01:23

Momentos doces do BON BON

por Raul Lufinha, em 25.10.16

Chef pasteleira Nadia Carrasco e Rui Silvestre

Chef pasteleira Nadia Carrasco e Rui Silvestre

No primeiro dia da passagem pelo BON BON do festival gastronómico Rota das Estrelas, os três momentos doces do jantar ficaram por conta dos anfitriões.

O primeiro, foi uma pré-sobremesa cítrica. Com efeito, a uma saborosa granola feita no BON BON, Nadia Carrasco juntou um sorbet de laranja sanguínea, bem como um gel de lima kaffir e outro de lima caviar (citrino de origem australiana, conhecido igualmente como Finger Lime, cujos pequenos gomos são esféricos – os quais, aliás, a chef pasteleira do BON BON também colocou por cima do gel).

Chef pasteleira Nadia Carrasco

Citrinos

Citrinos

Lima Kaffir ou Combava

Lima Kaffir ou Combava

Nadia Carrasco e a Lima Caviar

Lima Caviar

Lima Caviar

Pré-Sobremesa

Pré-Sobremesa

O segundo momento doce da noite foi a sobremesa propriamente dita, que resultou muito bem.

E em que Nadia Carrasco surpreende com a inclusão de… beringela!

À qual junta depois os sabores do caramelo e da noz pecan.

E ainda um refrescante gel de vinagre de cidra!

Nadia Carrasco dando a provar a Alexandre Silva e João Chambel o gel de vinagre de cidra

Nadia Carrasco dando a provar a Alexandre Silva e João Chambel o gel de vinagre de cidra

Nadia Carrasco dando a provar a Alexandre Silva e João Chambel a beringela

Nadia Carrasco dando a provar a Alexandre Silva e João Chambel a beringela

Nadia Carrasco dando a provar a Alexandre Silva e João Chambel a beringela

Nadia Carrasco dando a provar a Alexandre Silva e João Chambel a beringela

Beringela

Beringela

Nadia Carrasco e a Noz Pecan

Noz Pecan

Noz Pecan

Nadia Carrasco e o Gelado de Noz Pecan

Nadia Carrasco e o Gelado de Noz Pecan

Nadia Carrasco e o Gelado de Noz Pecan

Gelado de Noz Pecan

Beringela, Caramelo, Nozes Pecan

Beringela, Caramelo, Nozes Pecan

Para acompanhar uma sobremesa em que predominavam os sabores caramelizados e a frutos secos, o escanção responsável pela seleção vínica do jantar – João Chambel, da Garrafeira Estado D’Alma – escolheu o elegante e complexo Moscatel Roxo de Setúbal da família Horácio Simões, da colheita de 2010, um licoroso em que sobressaíam as notas de mel e figos.

João Chambel

João Chambel

Horácio Simões, Moscatel Roxo de Setúbal, 2010

Horácio Simões, Moscatel Roxo de Setúbal, 2010

Por fim, o derradeiro momento doce da primeira noite da Rota das Estrelas coube às mignardises do BON BON.

Duas trufas de chocolate com o interior líquido – uma de coco, outra de banana.

E ainda chocolate recheado com caramelo e flor de sal.

Mignardises

Mignardises

 

Ver também:

2016, primeira Rota das Estrelas no BON BON

 

BON BON

Urbanização Cabeço de Pias, Sesmarias, Carvoeiro, Portugal

Chef Rui Silvestre

 

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publicado às 01:21

André Silva no BON BON

por Raul Lufinha, em 23.10.16

O anfitrião Rui Silvestre e André Silva

O anfitrião Rui Silvestre e André Silva

No primeiro dia da passagem da Rota das Estrelas pelo BON BON, o prato de carne ficou a cargo do chefe do LARGO DO PAÇO, o restaurante, com 1* Michelin, do hotel Casa da Calçada, em Amarante.

André Silva na cozinha do BON BON

André Silva na cozinha do BON BON

André Silva na cozinha do BON BON

André Silva na cozinha do BON BON

Tendo André Silva apresentado o sabor delicioso do borrego, com cogumelos morilles, pistácio e ainda milho trabalhado em diversas texturas, numa ótima e complexa composição em que também brilhava o extraordinário jus, denso e poderoso.

Borrego, Morilles e Milho

Borrego, Morilles e Milho

Ora, para um prato de sabores tão fortes e intensos, em boa hora João Chambel – o escanção da Garrafeira Estado D’Alma responsável pela seleção vínica do jantar – escolheu um Baga potente e vinoso mas com os taninos já domados, o aveludado Sidónio de Sousa Garrafeira, de 2009.

Escanções Francisco Marques e João Chambel

Escanções Francisco Marques e João Chambel

Sidónio de Sousa Garrafeira tinto 2009

Sidónio de Sousa Garrafeira tinto 2009

Tendo sido igualmente bonito assistir, na cozinha do restaurante anfitrião, ao brinde entre Rui Silvestre e André Silva às estrelas Michelin recebidas em 2016 pelo BON BON e LARGO DO PAÇO.

Dois chefes estrelados: Rui Silvestre e André Silva

Dois chefes estrelados: Rui Silvestre e André Silva

 

Ver também:

2016, primeira Rota das Estrelas no BON BON

 

LARGO DO PAÇO

Hotel Casa da Calçada Relais & Châteaux, Largo do Paço, 6, Amarante, Portugal

Chef André Silva

 

BON BON

Urbanização Cabeço de Pias, Sesmarias, Carvoeiro, Portugal

Chef Rui Silvestre

 

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publicado às 23:30

A raia de Rui Silvestre… e um surpreendente ‘corta-gosto’

por Raul Lufinha, em 22.10.16

Rui Silvestre

Rui Silvestre

Raia

Raia

A cozinha de Rui Silvestre no BON BON é essencialmente de inspiração atlântica, muito focada na frescura e no sabor do peixe e marisco do Algarve. É essa a base, sobre a qual depois aplica um conjunto alargado de técnicas, em busca de uma abordagem criativa.

O que, aliás, também se pôde confirmar ao ter sido convidado para fazer uma das mais aguardadas demonstrações culinárias da edição deste ano do Peixe em Lisboa – tendo Rui Silvestre cozinhado ao vivo dois novos pratos, o lavagante e o salmonete.

Pelo que, para o jantar do dia 1 da passagem pelo BON BON do evento Rota das Estrelas, que celebra a atribuição das mais ambicionadas distinções do guia Michelin, o chef anfitrião fez questão de apresentar o prato de peixe.

Tendo Rui Silvestre proposto uma composição sedutora e complexa de elevado nível gastronómico, da qual fica em especial na memória a coragem do chef do BON BON para confrontar, de forma bem-sucedida, o delicioso sabor da raia com a profunda intensidade da enguia fumada!

Asa de Raia, Enguia e Wasabi

O prato de Rui Silvestre no dia 1 da Rota das Estrelas 2016 no BON BON

Asa de Raia, Enguia e Wasabi

Asa de Raia, Enguia e Wasabi

Para acompanhar os sabores fortes da enguia fumada e também do sempre estimulante wasabi, João Chambel – o escanção da Garrafeira Estado D’Alma responsável pela seleção vínica deste jantar – propôs um excelente branco de inverno, que funcionou na perfeição.

O Boal Grande Reserva de 2014 da família Horácio Simões, um D.O. Palmela varietal, com uma ótima acidez e marcado pela barrica onde fermentou, exprimindo o caráter da casta e da vinha velha, bem como do estilo da casa.

João Chambel

João Chambel

Horácio Simões Grande Reserva Boal, branco, 2014

Horácio Simões Grande Reserva Boal, branco, 2014

Mas, nesta noite, não se ficou por aqui a incursão de Rui Silvestre pelo peixe do Algarve.

É que a seguir à raia – e antes do prato de carne – chegou à mesa um ‘corta-gosto’ muito especial.

Geralmente a transição de sabores é feita através de um limpa-palato frio, gelado mesmo, e ácido – muitas vezes, cítrico; embora José Avillez, por exemplo, vá antes buscar a acidez à framboesa.

Mas o chef do BON BON resolveu fazer diferente.

E, continuando no peixe, apresentou um ‘tira-gosto’… salgado!

Com efeito, aproveitando o sucesso do ceviche peruano, que agora está por todo o lado, Rui Silvestre fez um ceviche de pescada, do qual, para este guloso e eficaz limpa-palato, trabalhou o leche de tigre, servindo-o com uma florida apresentação.

Flores... e o sabor do 'ceviche'

Flores... e o sabor do 'ceviche'

O ‘Corta-gosto’ de Rui Silvestre no BON BON

‘Corta-gosto’

 

Ver também:

2016, primeira Rota das Estrelas no BON BON

 

BON BON

Urbanização Cabeço de Pias, Sesmarias, Carvoeiro, Portugal

Chef Rui Silvestre

 

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publicado às 15:30

João Oliveira no BON BON

por Raul Lufinha, em 21.10.16

Na sala do BON BON, o anfitrião Rui Silvestre e João Oliveira

Na sala do BON BON, o anfitrião Rui Silvestre e João Oliveira

Para João Oliveira também foi uma estreia!

Cozinheiro com larga experiência em eventos da Rota das Estrelas, fruto da sua passagem pelas cozinhas do LARGO DO PAÇO, THE YEATMAN e VILA JOYA, foi esta porém a primeira vez que o chefe do VISTA apresentou um prato seu no festival gastronómico que celebra as distinções atribuídas em Portugal pelo guia Michelin.

Sendo este convite, formulado por Rui Silvestre, mais um sinal do cada vez maior reconhecimento que o seu extraordinário trabalho à frente do restaurante do Hotel Bela Vista, na Praia da Rocha, em Portimão, tem vindo a alcançar.

De modo que, para este jantar tão especial da Rota das Estrelas no BON BON, João Oliveira fez questão de trazer do VISTA um dos seus mais bem conseguidos momentos.

Com efeito, num prato não apenas complexo mas também completo, que confirmou o excelente momento de forma que patenteava este verão, João Oliveira apresentou os sabores intensos e aveludados do lagostim, levemente cítrico, com caviar imperial, variações de couve-flor e o toque final marinho das salicórnias e dos salty fingers.

Memorável!

João Oliveira braseando os lagostins

João Oliveira braseando os lagostins

Mão de Buda

Mão de Buda, o mais icónico dos citrinos…

Zest de Mão de Buda

… cuja casca é ralada sobre os lagostins

João Oliveira

Couve-flor

João Oliveira

Lagostim

Caviar Imperial

Caviar Imperial…

Rui Silvestre

… colocado por Rui Silvestre – o anfitrião também deu uma ajuda aos chefes convidados

João Oliveira

Couve-flor…

João Oliveira

… e está pronto para ir para a mesa

Lagostim, Couve-Flor, Caviar

O prato de João Oliveira na Rota das Estrelas 2016 que decorreu no BON BON

Lagostim, Couve-Flor, Caviar

Lagostim, Couve-Flor, Caviar

Para fazer companhia aos sabores delicados do lagostim e à sedosa couve-flor de João Oliveira, o escanção da Garrafeira Estado D’Alma responsável pelas harmonizações vínicas do primeiro dia da Rota das Estrelas no BON BON escolheu o jovem Sauvignon Blanc Cortes de Cima.

O qual, contudo, não é um branco qualquer… como, aliás, nem sequer é o típico branco alentejano!

Efetivamente, o vinho escolhido por João Chambel apresenta um perfil de maior frescura e acidez, sendo feito pelo enólogo Hamilton Reis a partir de uma vinha de apenas Sauvignon Blanc cultivada não na já de si fresca Vidigueira mas antes no ainda mais fresco Alentejo litoral, somente a três quilómetros do Oceano Atlântico, perto de Vila Nova de Milfontes.

João Chambel

João Chambel

Cortes de Cima Sauvignon Blanc, branco, 2015

Cortes de Cima Sauvignon Blanc, branco, 2015

Tendo sido muito marcante esta presença de João Oliveira na Rota das Estrelas logo no ano em que o BON BON, liderado por Rui Silvestre, alcançou a sua primeira estrela Michelin!

Na cozinha do BON BON, João Oliveira e Rui Silvestre

Na cozinha do BON BON, João Oliveira e Rui Silvestre

 

Ver também:

2016, primeira Rota das Estrelas no BON BON

 

VISTA

Bela Vista Hotel & Spa Relais & Châteaux, Av. Tomás Cabreira, Praia da Rocha, Portimão, Portugal

Chef João Oliveira

 

BON BON

Urbanização Cabeço de Pias, Sesmarias, Carvoeiro, Portugal

Chef Rui Silvestre

 

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publicado às 01:38

Alexandre Silva no BON BON

por Raul Lufinha, em 19.10.16

Alexandre Silva e o anfitrião Rui Silvestre

Alexandre Silva e o anfitrião Rui Silvestre

Distinguido pela primeira vez com uma estrela Michelin no guia de 2016, o restaurante algarvio BON BON estreou-se igualmente este ano como anfitrião do festival gastronómico Rota das Estrelas.

Tendo Alexandre Silva tido a honra de abrir o jantar inicial dos dois dias do evento.

Para tal, o chefe do LOCO preparou uma ostra… ao natural!

Mas à qual juntou, de forma contida, os sabores fortes da malagueta e dos coentros – que porém não se sobrepunham às notas marinhas e iodadas do molusco, servindo antes para as intensificar.

Contudo, Alexandre Silva não se ficou por aqui!

E, num momento tipicamente LOCO, finalizou a ostra com aquilo que à primeira vista parecia uma alga… mas que, na verdade, era couve!

Muito bom!

Malagueta & Coentros

Malagueta & Coentros

Couve

Couve

Ostra, Malagueta, Coentros... e Couve

Ostra, Malagueta, Coentros... e Couve

No BON BON, a harmonização dos pratos do dia 1 da Rota das Estrelas 2016 estava por conta do escanção da Garrafeira Estado D’Alma.

Tendo João Chambel escolhido iniciar o jantar com uma cerveja… e acompanhar a ostra de Alexandre Silva com os aromas leves e florais da Inedit Damm.

João Chambel

João Chambel

Inedit Damm

Inedit Damm

Para além da surpresa inicial da ostra, que não constava do menu, Alexandre Silva trouxe ao BON BON um dos momentos do menu de degustação do LOCO, embora servido de forma diferente – em Lisboa é apresentado sobre gelo e aqui foi empratado.

Mas estava fabuloso!

Era barriga de atum, os sabores cítricos do yuzu e um molho – denso e profundo – de feijão fermentado!

Barriga de Atum, Yuzu e Feijão Fermentado

Barriga de Atum, Yuzu e Feijão Fermentado

Barriga de Atum, Yuzu e Feijão Fermentado

Barriga de Atum, Yuzu e Feijão Fermentado

Barriga de Atum, Yuzu e Feijão Fermentado

Para dar luta à barriga de atum de Alexandre Silva e ao feijão fermentado, João Chambel escolheu o Nossa Calcário branco de Filipa Pato e do marido, da colheita de 2015 – um varietal de Bical jovem, seco e mineral.

João Chambel

João Chambel

Nossa Calcário branco 2015

Nossa Calcário branco 2015

 

Ver também:

2016, primeira Rota das Estrelas no BON BON

 

LOCO

Rua dos Navegantes, 53-B, Lisboa, Portugal

Chef Alexandre Silva

 

BON BON

Urbanização Cabeço de Pias, Sesmarias, Carvoeiro, Portugal

Chef Rui Silvestre

 

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publicado às 02:40

Rui Silvestre… e 2 pratos do BON BON

por Raul Lufinha, em 23.04.16

Rui Silvestre

Rui Silvestre

O BON BON, no Carvoeiro…

… foi a grande surpresa do guia Michelin para 2016.

Tendo a sua primeira estrela…

… despertado uma grande curiosidade sobre o trabalho de Rui Silvestre.

O qual, convidado para fazer uma apresentação no Peixe em Lisboa…

… trouxe do Algarve dois pratos do novo menu de degustação.

Rui Silvestre e Filinto Ferreira

Rui Silvestre e Filinto Ferreira

Primeiro…

… o lavagante, escalfado de duas formas diferentes, uma mais ligeira do que a outra.

E uma gema de ovo...

... cozinhada a baixa temperatura.

Lavagante, milho, gema de ovo e gengibre

Lavagante, milho, gema de ovo e gengibre

Lavagante, milho, gema de ovo e gengibre

Lavagante, milho, gema de ovo e gengibre

Depois…

… inspirado no famoso prato de Martín Berasategui…

… um salmonete, cozinhado em óleo, com escamas comestíveis.

Acompanhado de três purés – um de pimento assado, outro de nabo e outro ainda de limão confitado…

… e com um jus feito a partir das carcaças assadas dos lavagantes e trabalhado como se fosse um caldo de carne.

Salmonete

Salmonete, lula e pimento "piquillo"

Salmonete, lula e pimento "piquillo"

Salmonete, lula e pimento "piquillo"

Salmonete, lula e pimento "piquillo"

Salmonete, lula e pimento "piquillo"

Salmonete, lula e pimento "piquillo"

Salmonete, lula e pimento "piquillo"

Salmonete, lula e pimento "piquillo"

Salmonete, lula e pimento "piquillo"

 

BON BON | Urb. Cabeço de Pias, Carvoeiro, Portugal | Chef Rui Silvestre

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publicado às 00:08

Livros #42: Michelin coloca no mapa o restaurante… BON BON

por Raul Lufinha, em 25.11.15

España & Portugal

Michelin espanhola... agrava fosso entre Portugal e Espanha

Os inspetores Michelin que terão andado pelo país descobriram que Portugal apenas merecia uma nova estrela para 2016 – o BON BON, no Carvoeiro.

Já em Espanha…

… que, numa lógica iberista de multinacional cega, continua inexplicavelmente não só a fazer parte integrante do guia português (e vice-versa) como também a fazer (!) o próprio guia de Portugal…

… ‘nuestros hermanos’ têm 2 novos duas estrelas...

... e 14 novos restaurantes com uma estrela.

Ou seja, agravou-se, mais uma vez, o fosso entre os dois países!

Mas, enfim, há mais de 100 anos que estes senhores sabem como fazer publicidade aos pneus à custa dos restaurantes… continuando a ser o guia mais respeitado pela indústria da restauração!

Há é cada vez mais clientes que não vão (só) em guias…

 

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publicado às 23:59


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