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Poke… de sardinha

por Raul Lufinha, em 26.08.19

Poke sazonalPoke sazonal

 

Aos nove pokes fixos da carta do BIG FISH POKE, Luís Gaspar entretanto acrescentou mais um – o sazonal!

Com efeito, a propósito dos Santos Populares, foi lançado em junho um original poke… de sardinha!

Cuja ideia inicialmente era estar disponível até ao fim do mês, dando depois lugar a uma outra criação temporária.

Porém, como o sucesso foi tão grande, o acabou por ficar bastante mais tempo – a última informação dava conta de que se iria manter até ao final de agosto.

Tendo sido precisamente o poke de sardinha o motivo da nossa nova visita ao BIG FISH POKE.

A qual, como sempre acontece, abre com a oferta de um snack que aproveita as sobras de arroz e as aparas do peixe – desta vez, sobre o crocante de arroz, o peixe era salmão!

 

Snack | Salmão, arroz, manga, furikakeSnack | Salmão, arroz, manga, furikake

 

Entretanto, a partir do nosso lugar no balcão, foi possível ir assistindo à confeção do poke.

Tinha lombos de sardinha, braseados com maçarico.

Pimentos assados.

Puré de pimentos.

Pepino.

Cebola roxa.

Creme de escabeche.

Tomate cherry.

Coentros.

E cereja – sim, este surpreendente poke de sardinha e pimentos assados tem mesmo cereja!

 

BIG FISH POKE

BIG FISH POKE

BIG FISH POKEA preparação da sardinha

 

Sendo depois finalizado com broa de milho crocante.

 

Broa de milho crocante

Broa de milho crocante

O toque final: broa de milho crocante

 

O resultado foi um poke excelente!

Em que, como sempre, é muito interessante provar e captar o sabor de cada um dos elementos individualmente, ganhando, porém, uma outra dimensão quando misturamos todos os ingredientes!

Aí, ficamos mesmo com a sensação de estarmos a comer sardinhas assadas!

E com a surpresa de, no meio do arroz, surgirem cerejas – estão ao natural, cortadas ao meio e sem caroço, sendo muito suculentas.

Na verdade, não é comum comer sardinhas com cerejas.

Mas conforme explicou o chef Luís Gaspar – que entretanto tinha aparecido no BIG FISH POKE, vindo da SALA DE CORTE – se a cereja é tradicionalmente utilizada para cortar a gordura do foie gras, por que não usá-la para contornar igualmente a gordura da sardinha?

De facto, acrescenta suculência ao prato, bem como notas acídulas e também doces, por estarem bem maduras.

Uma ligação que funcionou maravilhosamente!

 

Poke | Sweet Pepper Sardine

Poke | Sweet Pepper SardinePoke | Sweet Pepper Sardine

 

Entretanto, para sobremesa, escolhemos a típica malasada do Havai, que tem origem nas malassadas (“mal assadas”) portuguesas, uma espécie de filhós que os emigrantes açorianos e madeirenses levaram no século XIX para o longínquo arquipélago do pacífico.

Aqui, vem aos pares.

Mas cada uma recheada com o seu creme.

Um de batata-doce de Aljezur.

Outro de macadâmia, fruto seco típico do Havai.

 

Sobremesa | MALASADA com cremes de batata-doce e macadâmia

Sobremesa | MALASADA com cremes de batata-doce e macadâmia

Sobremesa | MALASADA com cremes de batata-doce e macadâmia

Sobremesa | MALASADA com cremes de batata-doce e macadâmia

Sobremesa | MALASADA com cremes de batata-doce e macadâmia

Sobremesa | MALASADA com cremes de batata-doce e macadâmia

Sobremesa | MALASADA com cremes de batata-doce e macadâmiaSobremesa | Malasada com cremes de batata-doce e macadâmia

 

Tendo ficado, no final, uma pergunta no ar.

Qual será o próximo poke sazonal?

 

Fotografias: Marta Felino e Raul Lufinha


Ver também:


BIG FISH POKE
Rua da Moeda, 1-G, Lisboa, Portugal
Chef executivo Luís Gaspar, Chef residente Filipe Narciso

 

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publicado às 20:33

BIG FISH, grande POKE

por Raul Lufinha, em 05.07.19

Chef Luís GasparChef Luís Gaspar


Luís Gaspar, o chef da steakhouse SALA DE CORTE, em Lisboa, assina agora mais um projeto do Grupo Multifood na capital portuguesa.


Chama-se BIG FISH POKE.


E é um bar de poke, o famoso prato de cubos de peixe fresco e arroz tépido da cozinha havaiana, servido em taças.


Mas, aqui, com uma forte influência asiática.


O que se reflete, desde logo, num grande foco no produto, no produto de qualidade – o qual foi objeto de um aprofundado trabalho de pesquisa, desde o arroz, que é especial e vem do Japão, até ao peixe, todo ele português exceto o salmão.


Para além disso, a inspiração asiática está também presente no próprio formato do restaurante – essencialmente um balcão, o que, aliás, propicia uma enorme proximidade e interação com os clientes.


E depois existe ainda toda uma série de pormenores de elevado requinte, como a loiça feita à medida, os copos Riedel, os guardanapos de linho ou os pauzinhos que não são descartáveis.


Já para não falar, claro, da qualidade da decoração e – muito importante – da iluminação, que permite criar dois ambientes completamente distintos: durante o dia o espaço é amplo e luminoso, com imensa luz natural; à noite, fica bem mais intimista.


E também do facto de, tal como já sucedia na SALA DE CORTE, aqui o chef executivo Luís Gaspar ter igualmente abaixo de si um chef residente – no BIG FISH POKE o papel é assumido por Filipe Narciso, que antes já tinha trabalhado com José Avillez no MINI BAR.


Ou seja, estamos bastante longe daqueles restaurantes de poke mais americanizados e de fast food.


No BIG FISH POKE a aposta é antes, claramente, na qualidade.

 

BIG FISH POKE20 lugares ao balcão…

 

BIG FISH POKE … e mais duas mesas, com 4 lugares cada uma – ou seja, 28 lugares no interior, o mesmo número da primeira SALA DE CORTE

 

De tal forma que, fazendo a ponte para um registo fine dining, Luís Gaspar começa todas as refeições no BIG FISH POKE com a simpática oferta de um snack de boas-vindas.


O qual é também uma oportunidade para mostrar ao cliente o alinhamento do restaurante com as tendências do momento, nomeadamente com as melhores práticas da cozinha sustentável e da redução de desperdícios.


Com efeito, nos pokes – um prato essencialmente de peixe e arroz – há sempre duas sobras recorrentes: o peixe e o arroz.


O arroz, porque tem que haver permanente arroz pronto a ser utilizado, acabando por sobejar.


E o peixe, porque no poke o corte é em cubos – logo, há necessariamente aparas.


Daí que o snack do BIG FISH POKE, embora vá variando todos os dias consoante a inspiração do chef e os produtos disponíveis, seja sempre, na sua essência, uma cracker de arroz com aparas de peixe.


Desta vez, era de corvina.


E – como acontece com a cozinha de Luís Gaspar – estava um conjunto muito completo e equilibrado.


Fresco, crocante, acidulado.

 

BIG FISH POKE

BIG FISH POKE Snack | Corvina, arroz, maçã, aipo, abacate, milho frito

 

Grande aposta do BIG FISH POKE é também o sake.


Desde logo, os sakes premium.


Mas também outras formas de beber sake.


Pelo que, para aperitivo, a escolha foi um leve e refrescante “espumante de sake” japonês.

 

MIO SPARKLING SAKE

MIO SPARKLING SAKEAperitivo | MIO SPARKLING SAKE


Apesar do foco da carta ser o poke, é possível escolher previamente três entradas.


Sendo uma ótima ideia começar pela quente e aconchegante sopa de miso, feita com dashi de cogumelos shitake e alga kombu.


E à qual Luís Gaspar também junta cogumelos enoki, rabanetes e coentros.


Para depois finalizar com óleo de sésamo tostado.


Muito umami.


Sabores tostados e terrosos.


E ainda uma surpresa final de Luís Gaspar!


No fundo da taça – propositadamente omitida na descrição do prato constante da carta – esconde-se uma gema de ovo curada em soja, bastante cremosa!

 

Entrada | MISO – Dashi de shitake, alga kombu, óleo de sésamo tostado e cogumelos enoki

Entrada | MISO – Dashi de shitake, alga kombu, óleo de sésamo tostado e cogumelos enoki

Entrada | MISO – Dashi de shitake, alga kombu, óleo de sésamo tostado e cogumelos enokiEntrada | MISO – Dashi de shitake, alga kombu, óleo de sésamo tostado e cogumelos enoki

 

Outra entrada a não perder são vieiras.


Primeiro curadas e depois levemente braseadas.


E a seguir trabalhadas com Dynamite Aioli, um aioli picante, com molho de sésamo e com lima kaffir.


Sendo finalizadas já à frente do cliente.


Primeiro, com molho XO, um complexo molho fermentado, feito a partir nomeadamente de vieiras e camarões, que estava picante e pleno de umami.


E, a seguir, com um crocante de arroz japonês.


O resultado é um prato muito leve e elegante, com sabores fortes e com um excelente jogo de texturas!

 

Entrada | SASHIMI SCALLOPS XO – Vieiras braseadas, XO, dynamite aioli, molho de sésamo e lima kaffir

Entrada | SASHIMI SCALLOPS XO – Vieiras braseadas, XO, dynamite aioli, molho de sésamo e lima kaffir

Entrada | SASHIMI SCALLOPS XO – Vieiras braseadas, XO, dynamite aioli, molho de sésamo e lima kaffir

Entrada | SASHIMI SCALLOPS XO – Vieiras braseadas, XO, dynamite aioli, molho de sésamo e lima kaffirEntrada | SASHIMI SCALLOPS XO – Vieiras braseadas, XO, dynamite aioli, molho de sésamo e lima kaffir

 

Dos nove pokes fixos do BIG FISH POKE, há um especialmente estimulante.


Precisamente aquele em que Luís Gaspar mais se afasta do registo tradicional, para incluir sabores portugueses!


Chama-se “Blue Ocean”, dado ser feito com cavala, um peixe azul.


E é finalizado com muxama de atum ralada!

 

Poke | BLUE OCEAN – Cavala, arroz yumenishiki, edamame, creme de abacate, cebola-roxa, muxama, sweet chili sauce e cebola crocante

Poke | BLUE OCEAN – Cavala, arroz yumenishiki, edamame, creme de abacate, cebola-roxa, muxama, sweet chili sauce e cebola crocantePoke | BLUE OCEAN – Cavala, arroz yumenishiki, edamame, creme de abacate, cebola-roxa, muxama, sweet chili sauce e cebola crocante

 

Com o poke, a nossa companhia foi um cocktail, cuja carta tem a assinatura de Fernão Gonçalves, o criativo chefe de bar do restaurante PESCA de Diogo Noronha.


Neste caso, um Mai Tai... diferente!


Tem rum, lima e abacaxi.


Mas, em vez do tradicional xarope de amêndoa, Fernão Gonçalves usa antes amendoim!


Sendo o cocktail depois finalizado com um spray de rum plantation overproof!

 

Cocktail | MAI TAI DE ABACAXI E AMENDOIM

Cocktail | MAI TAI DE ABACAXI E AMENDOIM

 

Cocktail | MAI TAI DE ABACAXI E AMENDOIM

 

Das três sobremesas de Luís Gaspar para o BIG FISH POKE, a mais conceptual de todas é a de chocolate.


Tem o nome de Kilauea.


E recria visualmente esse vulcão activo do Havai!


Na base, uma mousse e um bolo, bastante leves, ambos de chocolate, cortados por um subtil creme de iogurte e wasabi que dá uma enorme frescura ao conjunto.


No topo, carvão ativado – em crocante, e com notas caramelizadas, fazendo lembrar as rochas vulcânicas; e também em pó, representando as cinzas do vulcão.


Mais uma vez – como é timbre da cozinha de Luís Gaspar – imenso sabor, enorme equilíbrio e um excelente jogo de texturas!

 

Sobremesas

Sobremesa | CHOCOLATE KILAUEA – Chocolate 70% Equador, wasabi, iogurte e sal negro do Hawaii

Sobremesa | CHOCOLATE KILAUEA – Chocolate 70% Equador, wasabi, iogurte e sal negro do Hawaii

Sobremesa | CHOCOLATE KILAUEA – Chocolate 70% Equador, wasabi, iogurte e sal negro do Hawaii

Sobremesa | CHOCOLATE KILAUEA – Chocolate 70% Equador, wasabi, iogurte e sal negro do Hawaii

Sobremesa | CHOCOLATE KILAUEA – Chocolate 70% Equador, wasabi, iogurte e sal negro do Hawaii

 

A acompanhar o chocolate, um interessante pairing com notas de frutos vermelhos.


Mas num registo completamente diferente do que encontramos, por exemplo, na clássica harmonização com Vinho do Porto.


Aqui é antes um sake… com sumo de ameixa!


E também com folhas de shiso encarnadas, que, para além de acentuarem a cor, dão igualmente frescura e cortam o doce da fruta.

 

Licoroso | SHISO UMESHU

Licoroso | SHISO UMESHU

IMG_6540.JPGLicoroso | SHISO UMESHU

 

A terminar, em alternativa aos chás da Companhia Portugueza do Chá – que também podem acompanhar a refeição – a escolha foi um café.

 

Café expressoCafé expresso

 

Tendo, no final, sido possível perceber que o BIG FISH POKE, mais do que um restaurante de pokes, é um restaurante de Luís Gaspar.


Restaurante esse, neste caso, muito focado nos pokes.


Mas, para além de não ter apenas pokes, o que faz verdadeiramente a diferença não é o tanto o poke em si mas a cozinha rigorosa e perfeccionista de Luís Gaspar, cujo fio condutor de sabor/equilíbrio/texturas se sente ao longo de todos os pratos – das entradas às sobremesas, passando pelos pokes – e também no próprio espaço, no cuidado do projeto e na atenção aos detalhes, bem como na existência novamente de um grande balcão. Grande, em qualidade. Aliás, os balcões de Luís Gaspar vão continuar a dar que falar...!


Pelo que, de facto, o BIG FISH POKE não é o restaurante de pokes da Multifood.


É o restaurante de Luís Gaspar em que o chef trabalha, de modo especial, os pokes.


E a que dá gosto voltar!


Até breve!

 

BIG FISH POKE

Também é possível ficar na esplanada

 

BIG FISH POKEBIG FISH POKE

 

 

Ver também:

 


BIG FISH POKE
Rua da Moeda, 1-G, Lisboa, Portugal
Chef executivo Luís Gaspar, Chef residente Filipe Narciso

 

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publicado às 10:18


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