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À descoberta da cozinha de André Cruz, nos 8 anos da AdegaMãe

por Raul Lufinha, em 29.11.19

Enólogo Diogo Lopes, chef André Cruz e Bernardo Alves, diretor-geral da AdegaMãe, com o novo Terroir Branco 2016

Enólogo Diogo Lopes, chef André Cruz e Bernardo Alves, diretor-geral da AdegaMãe, com o novo Terroir Branco 2016

Quanto mais raro, mais valioso – geralmente é essa a regra.

Ora, no universo da restauração, se há algo que praticamente não existe (e que raramente é disponibilizado ao público) é a cozinha do n.º 2 – o n.º 2 (seja ele chamado de “subchefe” ou de “chefe executivo” ou de “chefe residente” ou inclusivamente de “braço direito do chefe”, a denominação vai variando) até colabora no processo criativo e inclusivamente costuma ser aquele que, de facto, manda no dia-a-dia da cozinha, para não dizer que é quem verdadeiramente cozinha; porém, quando faz, executa a cozinha do n.º 1.

Daí ser tão valiosa a circunstância rara de termos um segundo a cozinhar em nome próprio e a apresentar a sua própria cozinha!

Daí ser tão valiosa a circunstância rara de conhecermos a assinatura de quem habitualmente não assina!

Foi essa a génese do Sangue na Guelra, a de mostrar a cozinha dos subchefes, embora entretanto o evento já tenha evoluído para uma outra realidade. Foi igualmente esse o encanto, por exemplo, de termos tido David Jesus, do BELCANTO, a criar o tártaro de janeiro de 2016 da TARTAR-IA. E seria essa também, para citar um caso da atualidade, a beleza de o BON BON dar a conhecer o menu com que, ontem mesmo, o subchefe Ricardo Luz venceu o concurso Chefe Cozinheiro do Ano de 2019.

Tendo sido também essa a tão fascinante quanto estimulante situação que aconteceu no evento de celebração dos 8 anos da AdegaMãe (e que serviu igualmente para a apresentação dos seus novos topos de gama, os Terroir).

Com efeito, o escolhido para cozinhar no enoturismo da AdegaMãe foi André Cruz, o n.º 2 de João Rodrigues no FEITORIA, do Altis Belém!

O qual apresentou a sua própria cozinha de autor!

Não foi a primeira vez que o fez, mas para nós foi uma estreia – e bastante auspiciosa!

Naturalmente, a comida estava pensada para fazer brilhar o vinho.

Mas, ainda assim, deu para perceber que é uma cozinha poderosa, com André Cruz a não ter medo de usar sabores fortes – como as línguas e os sames de bacalhau ou a mão-de-vaca.

E, melhor ainda, num registo minimalista – o que é um elogio – e com bastante maturidade.

Para além de André Cruz, como seria de esperar, demonstrar um enorme domínio técnico e um grande controlo dos pontos de confeção.

Foi, pois, uma extraordinária descoberta!

AdegaMãe

AdegaMãe

AdegaMãe Espumante Blanc de Blancs Bruto 2016

AdegaMãe

Pastéis de bacalhau com creme de alho negro

AdegaMãe

Vinhos atlânticos

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Mesa com vista para a adega

AdegaMãe

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8 anos e os novos Terroir

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Pão de centeio e broa de milho…

AdegaMãe

… com azeite

AdegaMãe

AdegaMãe Viosinho branco 2018

AdegaMãe

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Tártaro de gamba do Algarve alimada – bastante equilibrado em termos de acidez e até com notas levemente doces – e avelã em várias texturas, incluindo no molho servido já na mesa

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AdegaMãe Terroir Branco 2016

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Arroz, bastante cremoso, de línguas de bacalhau estufadas e fritas – tão cremoso e sedutor, aliás, que poucos bagos inteiros tinha

AdegaMãe

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AdegaMãe

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AdegaMãe

André Cruz cozinhando os cogumelos com o famoso Viosinho da AdegaMãe

AdegaMãe

AdegaMãe Terroir Tinto 2015

AdegaMãe

Cogumelos selvagens, espargos e gema – extremamente aromático e cremoso; o primeiro passo é envolver tudo

AdegaMãe

Lombo de novilho, mão-de-vaca – plena de sabor e de uma envolvente textura gelatinosa – e esparregado de nabiça

AdegaMãe

Depois do Terroir Tinto… regressa o Branco!

AdegaMãe

Dourada de mar assada, estufado de chuchu em brunesa e, escondidas na base, rodelas de carabineiro e cebolinho, sendo o poderoso molho feito com as cabeças dos carabineiros

AdegaMãe

Regresso ao início com o Espumante Blanc de Blancs

AdegaMãe

Texturas de leite de vaca, extraordinária sobremesa em torno de um único ingrediente

AdegaMãe

Entretanto a mesa pediu o regresso do emblemático Viosinho

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Pastéis de feijão

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André Cruz e Bernardo Alves

AdegaMãe

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8 anos

AdegaMãe

Making-of da fotografia da jornalista Maria João Almeida, com a adega em fundo

AdegaMãe

João Alves – a quem agradeço ter tirado a fotografia que está no Instagram – e André Cruz

AdegaMãe

AdegaMãe

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Ver também:

 

AdegaMãe
Ventosa, Torres Vedras, Portugal

 

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publicado às 01:27

A expressão máxima do Terroir da AdegaMãe… é o Branco

por Raul Lufinha, em 26.11.19

Bernardo Alves, diretor-geral da AdegaMãe, e o enólogo Diogo Lopes.jpg

Bernardo Alves, diretor-geral da AdegaMãe, e o enólogo Diogo Lopes

Muitas vezes, o topo de gama é “apenas” o melhor vinho de um produtor – a única preocupação de quem o faz está somente na qualidade do resultado final.

Porém, como sucede com os enólogos Anselmo Mendes e Diogo Lopes na AdegaMãe, quando se faz vinho como expressão do terroir, não basta ao topo de gama ser simplesmente o melhor, tem também que ser o que melhor expressa esse terroir, tem que ser a máxima expressão desse terroir!

Daí que o nome do topo de gama da AdegaMãe seja precisamente… “AdegaMãe Terroir”!

Ora, claro que o terroir da AdegaMãe, no Oeste e em plena Região dos Vinhos de Lisboa, tem muitas nuances – na verdade, são seis propriedades distintas, desde uma a apenas 10 km do mar até outras do lado de lá da Serra de Montejunto.

Porém, o fator que mais marca a identidade dos vinhos da AdegaMãe é claramente o clima fresco de forte influência atlântica. O qual é depois potenciado pela visão de Anselmo Mendes de ser a acidez a coluna vertebral de um vinho. De modo que os vinhos da AdegaMãe são, pois, essencialmente, vinhos atlânticos, vinhos da costa atlântica.

E os seus dois topos de gama – um branco e um tinto – são o expoente máximo desse perfil.

Só sendo produzidos em anos especiais.

E, como o objetivo é serem a tal expressão máxima do terroir, têm uma característica muito especial: as castas não contam! De uma edição para a outra, as castas podem mudar, não são o mais importante – são vinhos de assinatura, são vinhos de autor, em que o mais importante não é a composição do lote, é mesmo o perfil atlântico!

AdegaMãe Terroir Tinto 2015 e Adega Mãe Terroir Branco 2016.JPG

AdegaMãe Terroir Tinto 2015 e Adega Mãe Terroir Branco 2016

O Tinto é da colheita de 2015, sendo somente a sua segunda edição – a primeira foi de 2012. Maioritariamente Touriga Nacional, desta vez, confirmando que as castas do lote podem ir mudando, já não com Merlot mas com um pouco de Petit Verdot, acentuando-lhe a concentração de taninos e a acidez. Tem 48 meses de estágio, 18 deles em barricas novas de carvalho francês, mas com a madeira muito bem integrada. Muito complexo. Notas resinosas e de fruta preta. Acidez vibrante. Poderoso na boca. Ótima estrutura. Muito tânico. Ainda jovem. Vai continuar a evoluir em garrafa. Final longo. Gastronómico. 3274 garrafas. PVP 40 €.

Já o Branco é da vindima de 2016, sendo a sua terceira edição. Lote composto por Viosinho – a espinha-dorsal dos brancos da AdegaMãe – temperada com Arinto e com um pouco de Alvarinho (a casta emblemática de Anselmo Mendes). 3 anos de estágio, o primeiro deles em barricas novas de carvalho francês com bâtonnage, mas sem estar muito marcado pela madeira, e mais dois em garrafa, para crescer e para mostrar o seu verdadeiro caráter. Muito complexo. Mineral. Fumado. Muito marcante na boca. Volumoso. Untuoso. Acidez poderosa. Final salino. Muito gastronómico. Apenas 1761 garrafas, ainda menos do que as do Tinto – como Diogo Lopes explicou “a seleção foi feita barrica a barrica” e “com uma malha muito apertada”. PVP 40 € – se o Tinto já podia perfeitamente ser mais caro, o Branco então (marcado ao mesmo preço) está claramente a desconto.

A expressão máxima do Terroir da AdegaMãe, com assinatura dos enólogos Anselmo Mendes e Diogo Lopes.jpg

A expressão máxima do Terroir da AdegaMãe, com assinatura dos enólogos Anselmo Mendes e Diogo Lopes

Entretanto, depois da prova de ambos os vinhos – primeiro a solo e depois também à mesa, dando luta a um desafiante jantar preparado pelo chefe André Cruz de que aqui ainda iremos falar – e já que ambos, o Branco e o Tinto, são a expressão máxima do terroir da AdegaMãe, subsequentemente, um exercício interessante foi o de pensar qual destes dois vinhos, que foram lançados em simultâneo, qual deles é que melhor representa a AdegaMãe, qual destes dois vinhos é efetivamente a expressão máxima do terroir atlântico da AdegaMãe.

E a resposta, tudo ponderado, só pode ser uma: o Branco!

Entre os dois, o vinho que efetivamente melhor expressa a essência da AdegaMãe é o Branco.

O AdegaMãe Terroir Tinto é, sem dúvida, um vinho extraordinário, que funciona muitíssimo bem à mesa e que continuará a crescer em garrafa. Mas o Branco, confirmando aliás Lisboa como terroir de brancos, está noutro campeonato.

O AdegaMãe Terroir Branco 2016, tal como já tinha acontecido com o 2014, está seguramente entre os grandes vinhos brancos de Portugal!

Adega Mãe Terroir Branco 2016, um dos grandes brancos de Portugal.JPG

AdegaMãe Terroir Branco 2016, um dos grandes brancos de Portugal


Ver também:

 

AdegaMãe
Ventosa, Torres Vedras, Portugal

 

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publicado às 23:49


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