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O embuste do “ano excecional” e do “crescimento em todas as categorias”

por Raul Lufinha, em 21.11.19

Espanha e Portugal enganados pela Michelin: afinal não houve “crescimento em todas as categorias”

Espanha e Portugal enganados pela Michelin: afinal não houve “crescimento em todas as categorias”

Ángel Pardo, diretor de comunicação da Michelin, tinha prometido à Agência Efe que, para o Guia Espanha & Portugal, 2020 seria “un año excepcional, con crecimiento en todas las categorias”.

Porém, face às estrelas que ontem foram anunciadas em Sevilha, já nem vale a pena sequer discutir o que seria, para a Michelin, “um ano excecional” – ou se um crescimento marginal merece ser qualificado de “excecional”.

É mais grave do que isso!

Não houve sequer o anunciado “crescimento em todas as categorias”!

Na categoria das três estrelas não houve crescimento!

Efetivamente, na categoria máxima, em 2019, Espanha tinha 11 restaurantes com três estrelas e na edição de 2020 vai continuar a ter igualmente 11 restaurantes triestrelados. Ou seja, nesta categoria, é um embuste dizer que houve crescimento! Saiu um (DANI GARCÍA), entrou outro (CENADOR DE AMÓS), continuam a ser 11. Não houve qualquer crescimento! Nem redução! Como se pode ler na comunicação social espanhola, Espanha “manteve” 11 triestrelados.

Do mesmo modo, também não houve crescimento em Portugal na categoria máxima. Portugal não tinha nenhum restaurante com três estrelas em 2019 e em 2020 vai continuar a ter zero triestrelados. Não houve qualquer crescimento!

Ou seja, o Guia Michelin Espanha & Portugal, no seu conjunto, tinha 11 restaurantes com três estrelas em 2019 – e em 2020 vai continuar a ter 11. Não houve qualquer crescimento!

Assim sendo, e como não há registo de Ángel Pardo, diretor de comunicação da Michelin, ter desmentido ou corrigido a Agência Efe – que, aliás, continua a disponibilizar on-line essas auspiciosas declarações de dia 1 de novembro que geraram um enorme expectativa em torno da gala e desde então foram sendo replicadas um pouco por todo o lado – só resta uma conclusão: fomos todos enganados pela Michelin.

Espanha e Portugal foram enganados pela Michelin.

E merecem um pedido de desculpas por parte da empresa francesa.

Fotografia: Facebook @laGuiaMichelin

 

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publicado às 16:30


7 comentários

De Raul Lufinha a 22.11.2019 às 10:47

Não, não há o prometido crescimento em 2020 – é um dado objetivo.

Fomos todos enganados – Portugal e Espanha.

Sim, já se sabia há muito tempo que o DANI GARCÍA ia fechar! Mas o que a Michelin anunciou no início de novembro não foi um novo 3*** no guia, foi “um crescimento em todas as categorias”! Ora, indo fechar um, para haver o anunciado crescimento, teriam que ser dois! Daí que a Agência Efe diga que irá existir pelo menos um (“al menos un”) 2** espanhol a subir e que Portugal poderia então ter o seu primeiro 3***.

E não, em Espanha também não fazem essa leitura de crescimento que refere.

Bem pelo contrário – dizem que há um novo 3*** mas que o número de 3*** mantém-se.

Por exemplo, Carlos Maribona, tão lido em Portugal, refere expressamente no ABC:

«Son por tanto once los restaurantes españoles con tres estrellas, los mismos que el año pasado ya que el malagueño Dani García, en una decisión muy polémica, ha decidido cerrar el restaurante que lleva su nombre en Marbella tan sólo un año después de alcanzar el máximo galardón.»

De Raul Lufinha a 22.11.2019 às 11:55

E no EL PAÍS Rosa Rivas vai pelo mesmo caminho, fala duas vezes em manutenção, não em crescimento:

«Las únicas nuevas tres estrellas de la guía Michelin 2020 son para Cenador de Amós, en Cantabria / El restaurante del chef Jesús Sánchez logra la máxima calificación de España y Portugal y entra en la lista de triestrellados, que se mantiene en 11 pese al cierre de Dani García»

«En el cómputo de brillos de la guía España y Portugal 2020, el total de 11 restaurantes españoles con tres estrellas del pasado año se mantiene con el nuevo triestrellado. La baja por cierre de Dani García se compensa con el alta del Cenador de Amós. Y Portugal sigue sin el máximo nivel estelar. La península Ibérica reúne seis nuevos restaurantes de dos (que se suman a un total de 36) y 23 estrenos de una estrella (para un total de 194).»

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