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MISC, a nova morada dos tártaros da TARTAR-IA

por Raul Lufinha, em 29.07.20

MISC BY TARTAR-IA

O novo MISC BY TARTAR-IA

O MISC BY TARTAR-IA fica na Rua da Boavista, em Lisboa – não por acaso, bastante perto do Mercado da Ribeira.

E é a continuação, precisamente, da TARTAR-IA.

TARTAR-IA que, no início, era o mais estimulante espaço gastronómico do Time Out Market, inaugurado em maio de 2014, no Mercado da Ribeira, em Lisboa.

Tinha à sua frente o austríaco Gebhard Schachermayer, durante vários anos director-geral do VILA JOYA.

E foi então apresentado – e desenvolvido – como um projeto especializado em tártaros com a assinatura do chef Dieter Koschina.

Isto, há mais de seis anos!

Numa altura em que ainda não estavam na moda – nem era possível encontrar por todo o lado – tártaros, ceviches e marinadas!

E em que essencialmente um bom tártaro fazia parte (e ainda faz) da elegante e sofisticada linguagem dos restaurantes de alta cozinha – seja por si só ou, como muitas vezes acontecia (e ainda hoje acontece), como um dos elementos de um prato mais complexo!

Daí, pois, os tártaros iniciais terem sido criações do chef do VILA JOYA, histórico duas estrelas algarvio.

A favor do sucesso da TARTAR-IA jogou, também, a sua localização no mercado. Ao contrário dos restaurantes dos principais chefes – nomeadamente Henrique Sá Pessoa, Alexandre Silva, Miguel Castro e Silva, Marlene Vieira e então Vítor Claro – que ficavam no topo do mercado e davam apenas para a praça central, não tendo lugares próprios sentados e obrigando os clientes a levar o seu tabuleiro para o food hall, a pequena e gastronómica TARTAR-IA funcionava num discreto corredor lateral onde era possível comer ao balcão – ou seja, sem tabuleiros e sem aquela sensação de praça de comida de centro comercial – e virado para uma cozinha aberta.

Outro aspeto essencial da TARTAR-IA foi a sua dinâmica. De facto, os tártaros da TARTAR-IA não eram apenas os tártaros de Koschina – que, aliás, ainda hoje sobrevivem no MISC, como sucede, por exemplo, com o vegetariano Fourme d’Ambert (aqui). Os tártaros da TARTAR-IA eram também os tártaros… dos amigos de Koschina! Dos chefes três estrelas, alemães, austríacos e não só, amigos de Dieter Koschina! Com efeito, a ideia inicial era todos os meses haver um tártaro especial… assinado por um chef três estrelas Michelin! E, no começo, assim foi! Tivémos, por exemplo, um memorável tártaro de lagostim e foie gras de Juan Amador (aqui), no tempo em que o 3*** AMADOR ainda estava em Mannheim. E também um tártaro de atum de Peter Knogl, do 3*** suíço CHEVAL BLANC (aqui e aqui). Entretanto, o ritmo acabou por abrandar e deixaram de vir chefes do estrangeiro. Mas durante algum tempo ainda foi possível continuar a ter tártaros originais de chefes locais convidados. Como um tártaro de bacalhau da dupla inicial do BOI-CAVALO, então com Pedro Duarte ao lado de Hugo Brito (aqui). Ou o tártaro de dourada de Pascal Meynard, do Ritz Four Seasons (aqui). Bem como um raro e complexo tártaro de pargo, dióspiro e lima, criado por David Jesus, braço direito de José Avillez (no BELCANTO e não só), que tinha uma épica vinagreta asiática com 47 ingredientes diferentes – tendo sido fabuloso, aliás, poder provar e conhecer na TARTAR-IA algo que não existe senão para os que lhe são mais próximos: a cozinha de David Jesus em nome próprio (aqui). Ou, até, um tártaro de skrei já de Vítor Santos (aqui), o atual chef do MISC.

Sendo, pois, atualmente no MISC BY TARTAR-IA que moram os tártaros da TARTAR-IA.

Um projeto ao qual permanece ligada Maria Calheiros Machado.

E que – apesar da novidade de passar a ter mesas – continua igualmente a manter o espírito dos tártaros ao balcão da TARTAR-IA.

MISC BY TARTAR-IA

Continua a existir balcão

Porém, agora no MISC – nome inspirado nas quatro primeiras letras da palavra “miscelânea” – já não há só tártaros.

Também existem arrozes e carne maturada.

Mas a nossa prioridade foi mesmo reencontrar os tártaros.

Primeiro, o de atum.

Muito fresco e complexo!

Com maionese de sésamo e gengibre.

Creme de abacate e iogurte, com as frescas notas lácteas bastante presentes.

Crocante de tinta de choco.

Óleo de manjericão.

Rabanetes.

E cerefólio.

MISC BY TARTAR-IA

MISC BY TARTAR-IA

Tártaro Atum

Depois, o de robalo.

Ainda mais intenso e complexo!

Com o wasabi bastante forte.

E com o contraste entre a acidez da maçã, com notas de canela, e a doçura da beterraba.

Sobressaindo no topo um saboroso crocante de pele de robalo!

MISC BY TARTAR-IA

MISC BY TARTAR-IA

Tártaro Robalo

Por fim, provámos o bife tártaro asiático.

Uma autêntica explosão de umami!

Em que brilha o molho dashi!

E também os cogumelos shitake!

MISC BY TARTAR-IA

MISC BY TARTAR-IA

Bife Tártaro Asiático

Já quanto às sobremesas, só há mesmo uma.

Uma deliciosa tarte de queijo.

De inspiração basca, mas com uma base de amêndoa.

E acompanhada de um crumble de amêndoa com queijo Feta.

MISC BY TARTAR-IA

MISC BY TARTAR-IA

MISC BY TARTAR-IA

MISC BY TARTAR-IA

Tarte de Queijo

 

Fotografias: Marta Felino e Raul Lufinha

 

Ver também:

 

MISC BY TARTAR-IA
Rua da Boavista, 14-A, Lisboa, Portugal
Chef Vítor Santos

 

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publicado às 23:32



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