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Michelin dá as MÃOS às mesas comunais

por Raul Lufinha, em 08.10.19

Restaurante MÃOSRestaurante MÃOS, em Londres: só uma mesa… comunal

 

A edição de 2020 do Guia Michelin para a Grã-Bretanha e Irlanda, ontem anunciada, traz a excelente notícia de o restaurante MÃOS, do chef português Nuno Mendes, em Londres, ter sido distinguido pela primeira vez com uma estrela!

O que tem, desde já, duas importantes consequências:

Uma, é a de ser mais um extraordinário incentivo do Guia Michelin às mesas comunais e aos restaurantes que funcionam sob esse modelo de mesa única que recebe em simultâneo todos os comensais. É um formato gastronomicamente difícil, é um formato pouco gastronómico – tipo mesa de casamento – que, claro, pode ter o seu interesse pela componente convivial, mas que nos desfoca bastante da comida. Para quem vai jantar pela comida, é claramente uma desvantagem. Mais ainda: deixa o sucesso da experiência bastante dependente da sorte (ou do azar) que tivermos com os desconhecidos companheiros de mesa que nos calham nessa noite. Além de que servir 16 pessoas em simultâneo cria dificuldades em termos de ritmo de serviço, acrescidas, aliás, quando parte da mesa segue pairings distintos. De modo que, sendo um modelo contraditório em si mesmo (comida gastronómica num formato não-gastronómico) é um modelo que precisa de um estímulo externo (por exemplo, do Guia Michelin) para ser desbloqueado e por uma razão dupla: para convencer o público não-gastronómico a ir; e também para convencer o público gastronómico a ultrapassar o desconforto do formato e decidir ir. Em Lisboa, é igualmente este o modelo do CEIA, o fine dining do Chef Pedro Pena Bastos. Sendo ainda de realçar que, apesar de a Michelin dizer que, para a atribuição das estrelas, o que conta é o que está no prato, existem outros modelos não-gastronómicos com comida gastronómica que não têm recebido, da parte do guia Michelin, a mesma simpatia que tem sido dada às mesas comunais – como sucede nomeadamente com os buffets, cujo exemplo mais gritante é o do restaurante VARANDA do Ritz Four Seasons, do Chef Pascal Meynard, em Lisboa, que, ano após ano, é ignorado pelo guia. Pelo que seria muito bom que esta estrela do MÃOS servisse para pôr na moda o difícil modelo das mesas comunais – aliás, se fosse um modelo fácil e de sucesso garantido, haveria muitas mais!

A outra consequência desta distinção é a de aumentar – ainda mais – a expectativa sobre o novo restaurante de Nuno Mendes em Lisboa, no renovado Bairro Alto Hotel. Claro que o discurso oficial tem sido o de baixar a pressão, pondo-se antes a tónica na informalidade e no conforto. Mas, como a estrela do MÃOS para 2020 vem reforçar, Nuno Mendes é claramente um chef do universo Michelin! Pelo que, do novo Bairro Alto Hotel, não se pode esperar menos!

Fotografia: Blue Mountain School / Mãos

MÃOS
Redchurch St., Shoreditch, Londres, GB
Chef Nuno Mendes

 

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publicado às 23:57



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