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Muito mundo no ATTLA

por Raul Lufinha, em 14.09.20

ATTLA

Chef André Fernandes

 

O ATTLA, do chef André Fernandes, fica em Alcântara, na cidade de Lisboa.

E define-se a si próprio como um restaurante “sem fronteiras”:

«No ATTLA não existem fronteiras.

No prato, os ingredientes resultam de um exercício criativo que reúne técnicas tradicionais e contemporâneas.

Os produtos são de pequenos produtores locais, biológicos e se nos perguntarem o que vamos servir na próxima semana, diremos que será o que a natureza nos permite.

A beleza existe em pormenores imperfeitos e num ambiente descontraído, a nossa equipa serve gastronomia própria da alta cozinha.

O rigor pode encontrar-se com a simplicidade num serviço intimista. Queremos servir quem aprecia experiências gastronómicas num espaço para todos, sem fronteiras.»

E, de facto, o que se sente na criativa e saborosa cozinha de André Fernandes é mesmo isso, é ser uma cozinha com muito mundo!

Tendo sido extremamente gratificante, depois de uma primeira visita no ano passado, regressar agora ao ATTLA em setembro de 2020, com o restaurante cheio (naturalmente respeitando as atuais exigências de lotação reduzida e distanciamento social) e com pratos esgotados.

Já na cozinha, continuam apenas duas pessoas a cozinhar – o chef e o seu braço direito!

 

ATTLA

Cozinha aberta.

 

ATTLA

Ambiente informal e descontraído.

 

ATTLA

Massa de azeite glaciada com ponzu, recheio de santola, ervas. 

 

ATTLA

Vinhos naturais. Pelluda da Pellada branco Dão 2018. Lote de Encruzado, Cerceal-Branco, Malvasia-Fina, Assario, Douradinha, Uva-Cão e Bical.

 

ATTLA

Beringela fumada e frita, natas azedas com ovas de santola, ‘onion bites’, cedrat.

 

ATTLA

Cogumelo pleurotus grelhado e glaciado com sake, kimchi de melão, jus de café.

 

ATTLA

Alho francês grelhado, barigoule de vegetais, gema de ovo curada em molho de soja, sementes de mostarda, caldo de galinha.

 

ATTLA

Serradinha tinto 2012, de António Marques da Cruz. Lote de Baga (50%), Castelão (25%), Touriga Nacional (15%) e Alfrocheiro (10%).

 

ATTLA

“Especial do Dia”. Presa de porco, espinafres chineses, figos desidratados, molho de soja fermentada.

 

ATTLA

Pudim de pimenta de Sichuan, granizado de chá, calda de citrinos.

 

ATTLA

Chef André Fernandes.

 

Fotografias: Marta Felino e Raul Lufinha

 

ATTLA
Rua Gilberto Rola, 65, Alcântara, Lisboa, Portugal
Chef André Fernandes

 

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publicado às 01:07

Agosto no Algarve. 12 notas que ficam do verão de 2020

por Raul Lufinha, em 10.09.20

Agosto de 2020 – apesar de tudo, grandes memórias do Algarve

Agosto de 2020 – apesar de tudo, grandes memórias do Algarve

 

1 – Pandemia. A imagem mais marcante destas nossas três semanas de agosto no Algarve. E deste ano, aliás. Por todo o lado, há máscaras, viseiras, álcool e gel desinfetantes, distanciamento social…

 

2 – Restaurantes cheios. Para surpresa de muitos, foi outra constante do nosso Algarve de agosto de 2020. Com lotação reduzida, é certo. Mas cheios. Com listas de espera. Com filas à porta. E com a dor de alma de terem que recusar inúmeros clientes.

 

3 – Equipas desfalcadas. Como os restaurantes, para além de terem sido obrigados a reduzir a capacidade máxima dos estabelecimentos, temiam também uma procura estival bastante mais reduzida e como continuam igualmente com receio de uma segunda vaga e de um novo confinamento, outra nota destes dias de agosto foi termos encontrado as equipas de cozinha e de sala bastante desfalcadas… e cansadas.

 

Rui Silvestre fortíssimo

4 – Rui Silvestre fortíssimo. Reforçando ainda mais a candidatura à merecidíssima segunda estrela Michelin, a inclusão do nome do chef no nome do restaurante foi mesmo a grande novidade deste ano do VISTAS RUI SILVESTRE, no Monte Rei Golf & Country Club, em frente a Vila Nova de Cacela. Com efeito, ao invés do típico ajuste das propostas ao novo cenário da pandemia, Rui Silvestre optou antes por dar continuidade ao elevado nível apresentado no ano anterior, tendo-se focado em aperfeiçoar ainda mais os dois menus que já vinham de trás, em aprimorar detalhes, em evoluir na técnica. O resultado foi uma ainda melhor e mais fascinante experiência gastronómica em torno da excelência. Sempre com os excelentes vinhos do escanção Nuno Pires, cujo requintado serviço – seu e de toda a sua equipa – é irrepreensível. E, este ano, com a vantagem adicional de o jantar ter decorrido numa mesa... colocada na cozinha! Foi indiscutivelmente a nossa melhor e mais marcante experiência gastronómica deste verão!

 

Dois dos melhores pratos de sempre de Louis Anjos

5 – Dois dos melhores pratos de sempre de Louis Anjos. No estrelado BON BON, após o desconfinamento, Louis Anjos – acompanhado do seu subchefe Ricardo Luz, atual Chefe Cozinheiro do Ano – deixou cair o menu que tinha apresentado no início de março, ainda antes da chegada da pandemia, e criou um outro menu totalmente novo, o “Apertelência” (isto é, “ousadia” ou “atrevimento”), disponível em 9, 11 ou 14 momentos. Um menu de sabor “mais algarvio”, que nos trouxe dois pratos absolutamente memoráveis! Aliás, dois pratos que entram diretamente para a nossa lista dos melhores pratos de sempre de Louis Anjos! 1) “Uma Noite de Arraial”, elegante e complexa criação à volta dos sabores tradicionais da sardinha, do tomate e do pimento – a qual incluía nomeadamente um parfait verde de ovas de sardinha, de sardinha assada e de pimentos verdes, e, ainda, um aro encarnado de salada montanheira, bem como, à parte, para além do azeite Monterosa, uma broa de milho recheada com tomatada de sardinha. 2) E o “Memórias de Um Cozido de Monchique”, comprovando a excelência dos pratos de carne de Louis Anjos – simultaneamente poderosíssimos de sabor e extremamente leves – e reafirmando a sua tese de que “o Algarve não é só praia” nem é só mar, pelo que também a Serra do Algarve tem lugar à mesa dos restaurantes Michelin e do fine dining!

 

A sobremesa de mel de Carlos Fernandes

6 – A sobremesa de mel de Carlos Fernandes. Curiosamente, é também da Serra de Monchique que vem o mel da nova – e extraordinária – sobremesa do chef pasteleiro Carlos Fernandes. A qual agora culmina o principal menu (sem carne, tal como em 2016) do chef João Oliveira no VISTA do Hotel Bela Vista, na Praia da Rocha, em Portimão, substituindo a emblemática sobremesa de chocolate do ano passado, que tinha no topo uma telha crocante de cacau em forma de peixe. É complexa. Leve. Pouco doce. E até ao momento – a par da versão deste verão da “Claus Porto 1887” de Vítor Matos no ANTIQVVM (com morangos ‘mara des bois’, hibiscos, ruibarbo e lima-kaffir) e, bem assim, da sobremesa de chocolate que a equipa sénior portuguesa apresentou nas olimpíadas de culinária 2020 – foi a nossa melhor sobremesa deste ano!

 

A confirmação de Rui Sequeira

7 – A confirmação de Rui Sequeira. O segundo verão do ALAMEDA – restaurante inaugurado no centro de Faro em dezembro de 2018 (e que visitámos pela primeira vez há um ano, após termos conhecido o trabalho do chef num prometedor jantar em Lisboa no início de 2018) – trouxe-nos a confirmação da qualidade da cozinha de Rui Sequeira. Agora mais completa. Mais solta do receituário tradicional. Mais focada no produto. E mais complexa. Já não são apenas “os sabores quentes das terras do sul”. Tem também muita frescura, muita acidez, muita leveza. E tem ainda uma enorme maturidade gastronómica. Dois exemplos: 1) No seu novo menu de degustação, o Origami, Rui Sequeira faz questão de ter um momento de queijo, à francesa. Mas é queijo cozinhado! Não é produto, é mesmo cozinha! 2) Apesar do chef do ALAMEDA também aderir à moda de os menus de degustação terem sempre um pastel, um rissol, um croquete ou algo semelhante, Rui Sequeira tem depois também a maturidade de tomar três medidas que atenuam o lado menos estimulante desta onda que alastra pelo fine dining: i) serve-o ‘bitesize’, de modo a ser comido de uma só vez; ii) o que sobressai não é propriamente o croquete, mas sim o que Rui Sequeira lhe coloca no interior (arroz de tomate) e por cima (biqueirão); iii) e, ainda assim, e mais importante, tem a lucidez (e a maturidade, repita-se) de cortar o croquete ao meio – o que é perfeitamente suficiente para dar uma textura crocante ao conjunto – pois, como teve a coragem de dizer, «um croquete inteiro seria muito pão!» Destaque ainda, no ALAMEDA, para as desafiantes escolhas de vinhos do escanção André Ramos, que enriquecem imenso a experiência. Deste modo, não é, pois, de estranhar que esteja para breve o ALAMEDA 2.0!

 

A novidade de Leandro Araújo

8 – A novidade de Leandro Araújo. A cozinha de Leandro Araújo no CAFÉZIQUE, junto ao castelo de Loulé, foi a nossa grande descoberta deste verão no Algarve! Criativa. Pensada. Com um grande trabalho de preparação. Deliciosa. Só falta mesmo Leandro Araújo conseguir libertar-se da “armadilha” da “comida para partilhar” e passar a apostar igualmente i) em empratamentos individuais e  ii) num menu de degustação, ainda que opcional. Tem cozinha para isso! Cozinha, aliás, à qual depois se junta um ótimo serviço de sala e, ainda, a excelente seleção de vinhos do escanção João Valadas, com referências de todas as sub-regiões portuguesas. Com efeito, o CAFÉZIQUE não é apenas um “restaurante”, é também uma “enoteca”! E até tem uma entusiasmante Mesa do Chef junto à garrafeira!

 

KUBIDOCE, muito mais do que folares

9 – KUBIDOCE, muito mais do que folares. Os típicos folares de Olhão deram um enorme protagonismo à KUBIDOCE. Com efeito, o chef Filipe Martins faz dois tão diferentes quanto maravilhosos folares – um tradicional, outro com laranja, figo e amêndoa – que conquistam de imediato quem os prove! Porém, a KUBIDOCE, com lojas em Olhão e Vila Real de Santo António, não é só folares! Como padaria que também é, tem igualmente pães de massa mãe – bastante saborosos e com boa acidez. Também tem pastelaria tradicional – as bolas de Berlim e os pastéis de nata têm imensa saída, bem como os croissants, o francês e o do Porto. Tem também pastelaria fina. Tem doces regionais, incluindo os melhores Dom Rodrigo que já provámos! E tem muito mais! Tendo até… iogurtes e gelados caseiros!

 

10 – Mais bolas. Na praia, o nosso habitual vendedor de bolas de Berlim contou-nos várias vezes que nunca tinha vendido tantas bolas… como este ano!

 

Pão da GLEBA em Vilamoura

11 – Pão da GLEBA em Vilamoura. Este ano, foi possível ter o excelente pão da GLEBA, de Diogo Amorim, à venda na MALOCA DA TUTTAPANNA, do chef Anderson Sousa, em Vilamoura! E com imensa variedade!

 

12 – Noélia. Mais uma vez, a chef Noélia marcou o nosso verão. Este ano, porém, pela ausência. Com efeito, dado a reabertura do seu emblemático restaurante de Cabanas de Tavira ter ocorrido somente no dia 20 de agosto, já não fomos a tempo de fazer um dos nossos programas de verão preferidos. Mas ficámos com mais um motivo para regressar em breve ao Algarve!  

Fotografias: Marta Felino e Raul Lufinha

 

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publicado às 23:20

Estrelas Michelin a 30 de novembro

por Raul Lufinha, em 30.07.20

GUIA MICHELIN 2020

A gala do ano passado

Confirmando a intenção de que a atual pandemia de covid-19 não impeça o lançamento do Guia Michelin Espanha & Portugal 2021, a multinacional francesa anunciou hoje ter agendado a respetiva gala de apresentação para o próximo dia 30 novembro, na cidade de Madrid.

Aqui ficando a informação completa hoje divulgada pela empresa:

«Madrid acogerá la gala de presentación de la Guía Michelin España & Portugal 2021

Madrid es la ciudad elegida para la presentación de la Guía Michelin España & Portugal 2021, que tendrá lugar durante la exclusiva gala que se celebrará el próximo 30 de noviembre

Madrid cuenta con un atractivo turístico y un panorama gastronómico que, por sí solos, justifican su elección, por tercera vez, como ciudad para la celebración de la Gala de presentación de la Guía MICHELIN España & Portugal 2021. La capital de España ya fue el escenario de presentación de la Guía en 2010, con motivo de su centenario; y posteriormente también en 2013.

En este exclusivo evento, que tendrá lugar el próximo 30 de noviembre, se desvelarán todas las novedades de la publicación más esperada del año, con una selección que solo es posible gracias al intenso trabajo realizado por el equipo de inspectores MICHELIN. Una guía cuya primera edición para España y Portugal se lanzó en 1910, justo diez años después de su primera publicación en Francia, y que sigue evolucionando con el transcurso de los años para, junto a la seguridad y prestaciones de los neumáticos MICHELIN, mantenerse como la compañera de viaje indispensable a la hora de ofrecer a los viajeros la experiencia más completa.

Crisol de procedencias y culturas, Madrid es mucho más que sus monumentos o sus magníficos museos. La región madrileña, que recibió en 2019 un total de 7,6 millones de turistas foráneos, bate récords año tras año y se mantiene en lo más alto del ranking en cuanto a crecimiento del turismo internacional en España. Los turistas que visitan la capital disfrutan del rico patrimonio histórico y artístico de una ciudad cosmopolita y vital, moderna y a la vez clásica, que les acoge con los brazos abiertos. Quien no haya tenido la ocasión de admirar sus luminosos cielos azules, pasear por las callejuelas de uno de los cascos antiguos más importantes de Europa, vivir la permanente animación de la Gran Vía y de la noche madrileña, no tendrá una idea real de lo mucho que la ciudad puede ofrecer, aunque hayan oído mil y una veces el famoso dicho “De Madrid al cielo”. Una frase a menudo utilizada para referirse a Madrid como una ciudad encantadora, animada y llena de personalidad.

El panorama gastronómico que ofrece Madrid también atesora una variedad capaz de satisfacer los paladares más exigentes. Conocida tradicionalmente por sus bares de tapas y sus mesones, la ciudad ha visto, sin embargo, cómo la alta gastronomía ha adquirido un desarrollo sorprendente en los últimos tiempos. Deliciosas cocinas internacionales de países exóticos y no tan exóticos, así como cocinas de todas las Comunidades Autónomas de España tienen representación en este rico horizonte gastronómico que se ha convertido en uno de los atractivos más importantes de la capital y un elemento diferenciador a la hora de atraer viajeros. Entre los 106 establecimientos seleccionados por la edición 2020 de la Guía en la Comunidad de Madrid, se incluyen 24 restaurantes con Estrellas MICHELIN y 18 con la distinción Bib Gourmand.

El Alcalde de Madrid, José Luis Martínez-Almeida, destaca la importancia de que este evento se celebre en la capital de España, al tiempo que subraya los valores de la ciudad: “Para Madrid es un honor acoger por tercera vez la Gala de Presentación de la Guía MICHELIN España & Portugal. La elección es consecuencia de la apuesta de la ciudad y su sector hostelero por la cocina de calidad; no en vano uno de los grandes reclamos de Madrid es su gastronomía. Nuestra oferta es heterogénea, de calidad y en constante transformación. Madrid cuenta con más de 3.000 locales donde degustar una interminable variedad culinaria, desde bares castizos y centenarios a locales modernos, desde barras de pinchos a mercados tradicionales, desde espacios alternativos a restaurantes de chefs consagrados. Todos contribuyen a posicionar Madrid como uno de los primeros destinos del mundo en restauración”.

Martínez-Almeida también se refiere a la importancia de apoyar al sector gastronómico para contribuir a una rápida recuperación: “Todos esos negocios están pasando ahora por unos momentos difíciles, por lo que desde el Ayuntamiento debemos apoyar cualquier iniciativa que contribuya a su reactivación y al impulso turístico, cultural y económico de Madrid. La Gala de presentación de la Guía MICHELIN es el evento de la gastronomía nacional por excelencia y su celebración en nuestra ciudad, junto a otras iniciativas con la gastronomía también como protagonista, harán de Madrid la capital mundial de la gastronomía durante el último semestre de 2020 y 2021”.

Por su parte, Isabel Díaz Ayuso, Presidenta de la Comunidad de Madrid, declara: “Celebramos la elección de Madrid como lugar para presentar la Guía MICHELIN España & Portugal 2021, lo que corrobora nuestra referencia internacional en gastronomía y la de nuestros productos autóctonos, junto a los mejores embajadores: nuestros chefs. La Comunidad de Madrid apoya este acontecimiento con el que también potenciar el turismo gastronómico, clave para el de proximidad y el de los cerca de 8 millones de personas que nos visitan cada año”.

La Directora General de Michelin España Portugal, Mª Paz Robina, pone de relieve la dificultad a la que se está enfrentando el sector: “En Michelin somos conscientes de los difíciles momentos a los que se enfrenta el sector turístico y de la restauración en España y Portugal, que está siendo de los más castigados por esta crisis sanitaria y económica. Un sector que no solo es uno de los motores económicos de nuestro país, sino que es sinónimo de riqueza cultural y social, formando parte de nuestra identidad. Nuestro deseo es que la normalidad vuelva del modo más rápido y seguro posible y que los clientes de todo el mundo disfruten de nuevo con el gran talento de nuestros chefs. La alta cocina da prestigio y ayuda a mejorar el modelo turístico”.

Mª Paz Robina también muestra el apoyo de Michelin al sector para superar de la mejor manera posible una crisis social ante la que restauradores y chefs han respondido demostrando su compromiso, esfuerzo y capacidad de innovación: “Mientras tanto, queremos mostrar nuestro apoyo y estar al lado de nuestros restauradores, chefs y hosteleros dándoles, un año más, la visibilidad nacional e internacional que merecen. Es el mejor modo de poner en valor nuestra cultura culinaria y ayudar a la tan necesaria activación del consumo. En una ceremonia innovadora, que se adaptará a la situación del momento priorizando la seguridad de todos, tal y como ha hecho Michelin en todas sus actuaciones desde el principio de la crisis, conseguiremos que, en un año tan atípico, las Estrellas Michelin brillen más que nunca, esta vez en el cielo de Madrid”.

Por su parte, el Director Internacional de las Guías MICHELIN, Gwendal Poullennec, explica así el compromiso de Michelin con el turismo y la gastronomía de calidad como pilar en la estrategia de la compañía a la hora de ofrecer a los usuarios experiencias únicas: “La razón de ser de la Guía MICHELIN es recomendar restaurantes que son el alma de nuestras ciudades y comunidades. En esta difícil situación sin precedentes, nuestra misión es volver a conectar a los comensales con los restaurantes. Nuestras selecciones serán equitativas y consistentes para el 2021. Aprovecharemos nuestros sitios web y servicios digitales. No hay motivo de preocupación, las Estrellas MICHELIN, así como todas nuestras distinciones, significarán lo mismo en 2021, como siempre lo han hecho.”»

Fotografia: Guia Michelin

 

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publicado às 19:27

MISC, a nova morada dos tártaros da TARTAR-IA

por Raul Lufinha, em 29.07.20

MISC BY TARTAR-IA

O novo MISC BY TARTAR-IA

O MISC BY TARTAR-IA fica na Rua da Boavista, em Lisboa – não por acaso, bastante perto do Mercado da Ribeira.

E é a continuação, precisamente, da TARTAR-IA.

TARTAR-IA que, no início, era o mais estimulante espaço gastronómico do Time Out Market, inaugurado em maio de 2014, no Mercado da Ribeira, em Lisboa.

Tinha à sua frente o austríaco Gebhard Schachermayer, durante vários anos director-geral do VILA JOYA.

E foi então apresentado – e desenvolvido – como um projeto especializado em tártaros com a assinatura do chef Dieter Koschina.

Isto, há mais de seis anos!

Numa altura em que ainda não estavam na moda – nem era possível encontrar por todo o lado – tártaros, ceviches e marinadas!

E em que essencialmente um bom tártaro fazia parte (e ainda faz) da elegante e sofisticada linguagem dos restaurantes de alta cozinha – seja por si só ou, como muitas vezes acontecia (e ainda hoje acontece), como um dos elementos de um prato mais complexo!

Daí, pois, os tártaros iniciais terem sido criações do chef do VILA JOYA, histórico duas estrelas algarvio.

A favor do sucesso da TARTAR-IA jogou, também, a sua localização no mercado. Ao contrário dos restaurantes dos principais chefes – nomeadamente Henrique Sá Pessoa, Alexandre Silva, Miguel Castro e Silva, Marlene Vieira e então Vítor Claro – que ficavam no topo do mercado e davam apenas para a praça central, não tendo lugares próprios sentados e obrigando os clientes a levar o seu tabuleiro para o food hall, a pequena e gastronómica TARTAR-IA funcionava num discreto corredor lateral onde era possível comer ao balcão – ou seja, sem tabuleiros e sem aquela sensação de praça de comida de centro comercial – e virado para uma cozinha aberta.

Outro aspeto essencial da TARTAR-IA foi a sua dinâmica. De facto, os tártaros da TARTAR-IA não eram apenas os tártaros de Koschina – que, aliás, ainda hoje sobrevivem no MISC, como sucede, por exemplo, com o vegetariano Fourme d’Ambert (aqui). Os tártaros da TARTAR-IA eram também os tártaros… dos amigos de Koschina! Dos chefes três estrelas, alemães, austríacos e não só, amigos de Dieter Koschina! Com efeito, a ideia inicial era todos os meses haver um tártaro especial… assinado por um chef três estrelas Michelin! E, no começo, assim foi! Tivémos, por exemplo, um memorável tártaro de lagostim e foie gras de Juan Amador (aqui), no tempo em que o 3*** AMADOR ainda estava em Mannheim. E também um tártaro de atum de Peter Knogl, do 3*** suíço CHEVAL BLANC (aqui e aqui). Entretanto, o ritmo acabou por abrandar e deixaram de vir chefes do estrangeiro. Mas durante algum tempo ainda foi possível continuar a ter tártaros originais de chefes locais convidados. Como um tártaro de bacalhau da dupla inicial do BOI-CAVALO, então com Pedro Duarte ao lado de Hugo Brito (aqui). Ou o tártaro de dourada de Pascal Meynard, do Ritz Four Seasons (aqui). Bem como um raro e complexo tártaro de pargo, dióspiro e lima, criado por David Jesus, braço direito de José Avillez (no BELCANTO e não só), que tinha uma épica vinagreta asiática com 47 ingredientes diferentes – tendo sido fabuloso, aliás, poder provar e conhecer na TARTAR-IA algo que não existe senão para os que lhe são mais próximos: a cozinha de David Jesus em nome próprio (aqui). Ou, até, um tártaro de skrei já de Vítor Santos (aqui), o atual chef do MISC.

Sendo, pois, atualmente no MISC BY TARTAR-IA que moram os tártaros da TARTAR-IA.

Um projeto ao qual permanece ligada Maria Calheiros Machado.

E que – apesar da novidade de passar a ter mesas – continua igualmente a manter o espírito dos tártaros ao balcão da TARTAR-IA.

MISC BY TARTAR-IA

Continua a existir balcão

Porém, agora no MISC – nome inspirado nas quatro primeiras letras da palavra “miscelânea” – já não há só tártaros.

Também existem arrozes e carne maturada.

Mas a nossa prioridade foi mesmo reencontrar os tártaros.

Primeiro, o de atum.

Muito fresco e complexo!

Com maionese de sésamo e gengibre.

Creme de abacate e iogurte, com as frescas notas lácteas bastante presentes.

Crocante de tinta de choco.

Óleo de manjericão.

Rabanetes.

E cerefólio.

MISC BY TARTAR-IA

MISC BY TARTAR-IA

Tártaro Atum

Depois, o de robalo.

Ainda mais intenso e complexo!

Com o wasabi bastante forte.

E com o contraste entre a acidez da maçã, com notas de canela, e a doçura da beterraba.

Sobressaindo no topo um saboroso crocante de pele de robalo!

MISC BY TARTAR-IA

MISC BY TARTAR-IA

Tártaro Robalo

Por fim, provámos o bife tártaro asiático.

Uma autêntica explosão de umami!

Em que brilha o molho dashi!

E também os cogumelos shitake!

MISC BY TARTAR-IA

MISC BY TARTAR-IA

Bife Tártaro Asiático

Já quanto às sobremesas, só há mesmo uma.

Uma deliciosa tarte de queijo.

De inspiração basca, mas com uma base de amêndoa.

E acompanhada de um crumble de amêndoa com queijo Feta.

MISC BY TARTAR-IA

MISC BY TARTAR-IA

MISC BY TARTAR-IA

MISC BY TARTAR-IA

Tarte de Queijo

 

Fotografias: Marta Felino e Raul Lufinha

 

Ver também:

 

MISC BY TARTAR-IA
Rua da Boavista, 14-A, Lisboa, Portugal
Chef Vítor Santos

 

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publicado às 23:32

Hasso, um branco descomplicado… e gastronómico

por Raul Lufinha, em 21.07.20

Hasso Branco 2018

Hasso Branco 2018

Há um novo nome no Douro.

Hasso.

É o cão da família Kranemann, um Leão da Rodésia.

E, agora, é também a marca da Kranemann para os vinhos DOC Douro de entrada de gama da Quinta do Convento de São Pedro das Águias, no Vale do Távora.

Tendo sido lançados um Hasso branco e outro tinto.

Ambos de 2018 – o ano da promissora primeira vindima da Kranemann no Douro, que já deu o colheita branco Quinta do Convento e ainda irá dar o reserva, e da qual, aliás, também se aguarda, igualmente com bastante expectativa, o lançamento, previsto para novembro, do vinho do Porto Vintage.

Têm naturalmente a assinatura do enólogo Diogo Lopes.

Sendo – o Hasso branco – um lote de Gouveio, Viosinho e Fernão Pires.

Vinho descomplicado e sedutor.

Do qual é muito fácil gostar.

E que foi desenhado para ser bebido jovem.

Estando já completamente pronto.

Porém, para ser devidamente apreciado, não deve ser bebido muito frio – a temperatura de serviço expressamente recomendada no contrarrótulo é entre os 12 e os 14 ºC.

Tem fruta – com notas cítricas e de maçã verde.

E tem igualmente imensa acidez.

Tudo – como sempre acontece nos brancos de Diogo Lopes – num registo de grande elegância e equilíbrio.

E sendo também bastante gastronómico.

De facto, após um início exuberante, o Hasso branco de 2018 termina num registo sóbrio e seco, com um leve toque amargo que funciona muito bem à mesa!

PVP 6,90 €.

À mesa

O novo Hasso branco acompanhou otimamente uma salada grega, que a Marta fez com queijo Feta, pepino, diversas variedades de tomate, cebola-roxa, azeitonas Kalamata, alcaparras e orégãos secos.

Um brinde

Aos vinhos que nos refrescam os dias quentes!

Hasso Branco 2018

Descomplicado… e gastronómico

 

Ver também:

 

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publicado às 17:28

CASA VELHA, o fine dining da Quinta do Lago

por Raul Lufinha, em 16.07.20

CASA VELHA

Alípio Branco, o chef do CASA VELHA

Fundada em 1972 por André Jordan, a Quinta do Lago é um luxuoso resort, de mais de 465 hectares, inserido na Reserva Natural da Ria Formosa, no Algarve.

Continuando o clássico e requintado CASA VELHA, no topo da colina que está na origem do empreendimento, a ser “o” restaurante de fine dining da Quinta do Lago.

Porém, com a novidade de, desde 2018, ter à sua frente o experiente Alípio Branco.

Um chef que, com muita segurança e com uma aposta firme em sabores portugueses e em produtos de elevada qualidade, incluindo os legumes biológicos da própria Q Farm da Quinta do Lago, colocou o CASA VELHA no universo do Guia Michelin.

Atualmente já é Prato Michelin 2020.

E tem para 2021 a assumida – e merecida – ambição da conquista de uma estrela!

Veremos em novembro o que o Guia irá decidir!

CASA VELHA

Prato Michelin 2020

De facto, com a pandemia, Alípio Branco elevou ainda mais a experiência proporcionada pelo restaurante CASA VELHA.

Tendo acabado com a carta.

E apresentando, agora, somente dois menus.

Um menu mais curto, o “Menu Epicure”, de 4 momentos – uma de duas entradas, mais peixe, carne e sobremesa.

E depois um menu mais completo, o “Menu Degustação”, já com 7 momentos.

Embora nesta noite, para dar a conhecer um pouco mais da sua leve e fresca cozinha, o chef tenha acabado por juntar pratos... de ambos os menus!

CASA VELHA

1.º snack | Almofada de “bocas”, caranguejo da Ria Formosa.

CASA VELHA

2.º snack | Sardinha braseada, sobre sponge cake de azeitona.

CASA VELHA

3.º snack | Bacalhau à Brás.

CASA VELHA

4.º snack | Telha de Pata Negra.

CASA VELHA

Manteigas | Com a seleção de pães, duas manteigas de vaca: uma simples, com flor de sal, e, outra, com carabineiro.

CASA VELHA

Amuse-bouche | Carapau alimado, gaspacho de pepino e gão avinagrado. Muito refrescante!

CASA VELHA

OSTRA – Ostra Moinho dos Ilhéus / Moscatel / Aipo | Ótima ostra – carnuda e saborosa. E muito interessante o contraste entre o salgado e o iodado do bivalve, o toque adocicado do molho de Moscatel e a frescura do sorbet de aipo!

CASA VELHA

SALMONETE DE ESCABECHE / Escabeche de Citrinos / Escabeche de Cenoura / Coentros | Muito fresco! Uma abordagem diferente do salmonete, em que brilhou a “salada de citrinos”!

CASA VELHA

Soalheiro Alvarinho branco 2018 | O clássico que abriu o jantar.

CASA VELHA

CASA VELHA

BACALHAU / Puré de Grão / Presunto Pata Negra / Molho de Caldeirada | Novamente um registo muito leve e refrescante! Destaque ainda para a esférica e saborosa gema de ovo! E para o puré de grão, a surgir levemente avinagrado!

CASA VELHA

CASA VELHA

MAR E TERRA – Carabineiro / Presa de Porco Alentejano / Creme de Coentros | Três sabores! Um grande momento de Alípio Branco, num prato muito rico e complexo!

CASA VELHA

Dona Maria Amantis Reserva Branco 2016 | 100% Viognier. Marcado pela madeira. Encorpado. Evoluído. Gordo. Saboroso. Excelente companhia para os sabores fortes do bacalhau e do carabineiro com a presa e os coentros!

CASA VELHA

RAVIOLI / Kohlrabi / Cogumelos / Queijo Curado dos Açores / Agrião | Continuando num registo fresco, ravioli, não de massa mas de rábano. Com cogumelos Cantharellus. E com o cremoso e envolvente sabor do Queijo São Jorge!

CASA VELHA

Espírito Lagoalva Reserva Branco Chardonnay 2018 | Um Chardonnay do Tejo, fresco e equilibrado, ligando muito bem com o rábano dos ravioli e com o queijo.

CASA VELHA

LOMBO DE RUBIA GALLEGA / Puré de Batata com Cecina / Legumes Jovens / Molho de Trufa | Com a carne proveniente de um produtor de Ponte de Lima e com os legumes biológicos da Q Farm da Quinta do Lago, um conjunto muito equilibrado e saboroso.

CASA VELHA

Lacrau Vinhas Velhas Tinto 2016 | Para a carne e a para trufa, os frutos vermelhos e as especiarias deste sedoso e elegante tinto do Douro, assinado pelo enólogo Rui Cunha.

CASA VELHA

MELANCIA E YUZU | Na transição para sabores mais doces, novamente um grande momento de Alípio Branco. Sob um refrescante granizado de yuzu, com folhas de hortelã, a surpresa de uma suculenta melancia… macerada em lúcia-lima!

CASA VELHA

PÃO DE LÓ / Erva Doce / Citrinos / Gelado de Arroz Doce | Para finalizar, novamente num registo leve e refrescante, uma complexa sobremesa em que sobressaem as notas cítricas da tangerina desidratada, da laranja em creme e do kumquat.

CASA VELHA

Piano Moscatel do Douro Reserva 2011 | Evoluído. Floral. E com melosas notas de compota de laranja.

CASA VELHA

Mignardises | Gelatina de maracujá, macaron de Vinho do Porto, marshmallow de verbena.

CASA VELHA

Chef Alípio Branco | O novo rosto do CASA VELHA. Um restaurante em que também merece destaque o acolhedor serviço de sala, nomeadamente através do experiente e muito competente chefe de sala Paulo Porta Nova, do escanção José Baião e, ainda, do recém-chegado, e nosso velho conhecido, Diogo Pereira.

 

CASA VELHA
Quinta do Lago, saída rotunda 6, Algarve, Portugal
Chef Alípio Branco

 

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publicado às 00:34

Tejo. À descoberta de vinhos diferentes

por Raul Lufinha, em 13.07.20

Escanção Rodolfo Tristão

Escanção Rodolfo Tristão

Luís de Castro, presidente de direção da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo), foi o anfitrião de uma apresentação e prova de vinhos do Tejo subordinada ao tema “Pequenos Produtores, Grandes Descobertas”.

A sessão decorreu no Instituto da Vinha e do Vinho, em Lisboa.

E a prova comentada foi conduzida pelo escanção Rodolfo Tristão, consultor da CVR Tejo.

No total, foram apresentados nove vinhos.

Todos eles, é certo, vinhos de pequenos produtores.

Mas, acima de tudo, todos eles vinhos diferentes!

Todos eles vinhos que – por uma razão ou por outra – saem do padrão habitual da região.

E, desde logo por isso, merecem ser descobertos.

E conhecidos!

Tejo

À descoberta dos vinhos do Tejo

Começando pelos brancos, o primeiro vinho foi o Herdade dos Templários, da recente vindima de 2019.

Um lote de Arinto e Fernão Pires, em partes iguais, com a surpresa de também ter... 20% de Riesling!

Sendo um branco, porém, que, embora saboroso, explora o lado tropical desta variedade típica de climas mais frescos.

E também, diga-se, a vertente tropical da casta Fernão Pires.

De qualquer forma, para os apreciadores do estilo, vale bem mais do que o PVP recomendado.

Herdade dos Templários Branco 2019

Herdade dos Templários Branco 2019 – 4,5 €

Depois, provou-se o Quinta da Badula Reserva, de 2018.

Alvarinho e Arinto.

Um branco jovem.

Com complexidade e estrutura.

E em que atualmente predominam as notas de maracujá.

Quinta da Badula Reserva Branco 2018

Quinta da Badula Reserva Branco 2018 – 10,5 €

A seguir, o Quinto Elemento, da Quinta do Arrobe.

Já da colheita de 2016.

100% Arinto.

Elegante, evoluído, volumoso.

Quinto Elemento Reserva Branco 2016

Quinto Elemento Reserva Branco 2016 – 14,5 €

Prosseguindo com a prova, chegámos a um branco de Rui Reguinga.

Ora, no Tejo, o grande desafio de Rui Reguinga é assumidamente fazer vinhos premium.

De modo que, para além dos Quinta de Vale Veado, o premiado enólogo e produtor já tinha o Tributo, um extraordinário tinto de homenagem ao seu pai.

E agora, com este sedutor branco de 2018, também inspirado na Côtes-du-Rhône, prossegue esse caminho.

Sendo a estreia do Vinha da Talisca.

Um lote de Marsanne (60%), Roussanne (20%) e Viogner (20%).

Tudo uvas provenientes de uma vinha plantada em 2005, ano do nascimento da sua filha “Talisca”.

Sendo um branco intenso e complexo.

Com aromas de fruta branca madura.

Untuoso

Cremoso.

Com uma boa acidez.

E, acima de tudo, extremamente saboroso!

Tudo sempre muito equilibrado.

E num registo de enorme elegância.

Será, pois, igualmente muito interessante acompanhar a sua evolução – são apenas 1200 garrafas.

Rui Reguinga Vinha da Talisca Branco 2018

Rui Reguinga Vinha da Talisca Branco 2018 – 20 €

Depois, foi a vez do projeto que marca o regresso da enóloga Joana Pinhão às suas origens ribatejanas.

Casal das Aires.

E um Chardonnay da Charneca do Tejo.

De 2018.

Sedoso.

Com estrutura.

E muito elegante!

Casal das Aires Chardonnay Branco 2018

Casal das Aires Chardonnay Branco 2018 – 20,9 €

O último branco foi um diferente e original lote de Arinto e... Moscatel.

Em que os 35% de Moscatel estão bastante presentes!

Um vinho gordo.

Mas sem madeira.

E bastante guloso.

Sendo muito interessante o contraste entre o fresco ataque de boca do Arinto e o final untuoso e floral do Moscatel!

Quinta da Escusa Harvest Branco 2016

Quinta da Escusa Harvest Branco 2016 – 9 €

Entre os brancos e os tintos, um rosé.

O Zé da Leonor.

De 2019.

Um rosé fresco e com boa acidez.

Feito a partir de Touriga Nacional, Syrah e... Cabernet Sauvignon!

Zé da Leonor Rosé 2019

Zé da Leonor Rosé 2019 – 5,9 €

Por fim, dois tintos.

Primeiro, o Quinta da Arriça Reserva, de 2017.

Original lote de Pinot Noir, Sousão e Syrah.

Macio.

E com muita fruta.

Quinta da Arriça Reserva Tinto 2017

Quinta da Arriça Reserva Tinto 2017 – 6 €

E depois, para terminar a viagem por vinhos diferentes do Tejo, um desafiante lote de Tinta Barroca – uva muito usada no Douro para Vinho do Porto – e Touriga Nacional.

Um tinto redondo.

Especiado – muito presentes, as notas de cravinho.

E guloso.

Num registo doce e madurão.

A pedir comida!

Comida salgada!

Joana da Cana Reserva Tinto 2016

Joana da Cana Reserva Tinto 2016 – 13 €

Uma prova, pois, que demonstrou a enorme diversidade da região.

Havendo muito para descobrir no Tejo!

Os 9 vinhos do Tejo provados

Os 9 vinhos do Tejo provados

 

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publicado às 00:15

VISTAS RUI SILVESTRE, o novo nome do VISTAS

por Raul Lufinha, em 08.07.20

Rui Silvestre em agosto de 2019

Rui Silvestre em agosto de 2019, quando o nome do restaurante ainda não incluía a referência ao nome do chef

É com renovada ambição que Rui Silvestre está a preparar o regresso pós-desconfinamento do agora estrelado restaurante do Monte Rei Golf & Country Club, no Algarve.

Vai ser já no dia 16 de julho.

E, para a nova temporada, o chef promete mesmo… «um menu arrojado»!

Porém, essa não é a única novidade!

Efetivamente, entretanto, o restaurante também mudou de… nome!

Uma mudança ligeira, é certo.

Mas a suficiente para que o nome do gastronómico restaurante passe a incluir uma referência expressa ao próprio chef.

O que é extremamente significativo!

E que foi ontem anunciado:

«Para celebrar a simbiose perfeita entre o restaurante e o seu chef, o VISTAS chama-se agora VISTAS RUI SILVESTRE.»

Merecendo-nos, pois, dois comentários:

O primeiro, desde logo, para referir que esta decisão tem a enorme vantagem de aumentar a diferença entre o nome do VISTA (no Hotel Bela Vista, do chef João Oliveira, na Praia da Rocha) e o nome do VISTAS, agora então VISTAS RUI SILVESTRE – curiosamente, ambos restaurantes com uma estrela Michelin em 2020.

O outro – bem mais importante – para dizer que, na verdade, o VISTAS “é” Rui Silvestre. Pelo que a mudança para VISTAS RUI SILVESTRE acaba por ser curta e por não expressar na totalidade a verdadeira essência do restaurante. Desconheço quais sejam as intenções do resort e do chef com esta alteração. Mas o que realmente gostaria é que a mudança fosse apenas transitória e que o mais depressa possível – por exemplo, ainda antes do fim do verão – o nome do restaurante assumisse inequivocamente a sua verdadeira identidade, deixando cair o VISTAS e passando a ser aquilo que já é: o restaurante RUI SILVESTRE. Essa, sim, seria «a simbiose perfeita entre o restaurante e o seu chef»!

VISTAS RUI SILVESTRE

O logótipo do agora VISTAS RUI SILVESTRE

 

Ver também:

 

VISTAS RUI SILVESTRE
Monte Rei Golf & Country Club, Sítio do Pocinho, Vila Nova de Cacela, Algarve, Portugal
Chef Rui Silvestre

 

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publicado às 22:59

Uma tarte de noz-pecã… numa poderosa cerveja

por Raul Lufinha, em 01.07.20

LUPUM Imperial Stout Dark Maple & Pecan

LUPUM Imperial Stout Dark Maple & Pecan

Ao contrário da maioria das cervejeiras – que se desdobram por múltiplos conceitos e receitas, completamente díspares e até contraditórias entre si, para agradar aos mais diversos públicos – o cervejeiro António Lopes só faz cervejas… de que gosta mesmo!

De modo que as cervejas LUPUM – produzidas em Avintes, perto do Douro e das caves do vinho do Porto – têm invariavelmente duas características bastante marcantes, que as tornam extraordinariamente sedutoras, pelo menos para quem, como é o nosso caso, compartilha o gosto de António Lopes:

– são sempre fortes, fortíssimas mesmo;

– e têm sempre também um toque diferente, que as torna muito especiais.

Ora, esta é uma... “Imperial Stout”.

Extremamente robusta e encorpada.

E com uns – à primeira vista – nada meigos 14% de álcool.

Porém – apesar de ser uma cerveja que não esconde o seu elevado teor alcoólico – o álcool está muito equilibrado, está muito bem integrado.

E é aqui que entra o outro lado das LUPUM.

É que as fortes LUPUM não são só álcool!

Também são uma “wild beer”!

Têm sempre igualmente alguma dose de irreverência!

Algum toque de loucura!

Algo que faça a diferença!

Como sucede, aliás, com esta deliciosa “Imperial Stout”... que também é “Dark Maple & Pecan”!

Consistindo a receita da cerveja numa variação – em cerveja – de uma receita de… tarte de noz-pecã!

Tendo inclusivamente “maple syrup” extra escuro!

Cacau!

E noz-pecã!

À mesa

Esta foi uma cerveja que apreciámos em quatro momentos distintos.

Primeiro, sozinha – de facto, a “Imperial Stout Dark Maple & Pecan” da LUPUM é, toda ela, por si só, uma refeição!

Depois, com pão – trigo-barbela da GLEBA. Com queijos – o português Azeitão DOP e, ainda, duas variedades da QUEIJARIA MACHADO: o chèvre francês Crottin de Chavignol e um Manchego espanhol curado com tomilho. Com paio, da SALSICHARIA CANENSE, da Dona Octávia. Com rabanetes crus, para cortar, bem como com picles de rabanetes e de cenouras, feitos pela Marta em novembro passado, tudo da QUINTA DO POIAL. Com chutney de ameixa e vinho do Porto, do CONVENTO DO CARDAES. Com amoras silvestres frescas. Com clementinas confitadas, também do CONVENTO DOS CARDAES. E, ainda, claro, fazendo a ponte para a cerveja, com nozes-pecãs!

A seguir, provando a sua enorme versatilidade gastronómica, a densa, intensa e cremosa cerveja acompanhou também morangos “Mara des Boie”, do Mercado Biológico do Príncipe Real!

E por fim, para terminar em grande, tornámos a beber a “LUPUM Imperial Stout Dark Maple & Pecan”... sozinha!

Um brinde

Às cervejas poderosas!

LUPUM Imperial Stout Dark Maple & Pecan

Encorpada e com 14% de álcool

 

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publicado às 23:53

GLEBA tem nova casa

por Raul Lufinha, em 29.06.20

Diogo Amorim na nova GLEBA

Diogo Amorim na nova GLEBA

Diogo Amorim na nova GLEBA

Diogo Amorim na nova GLEBA

A padaria GLEBA tem uma nova casa!

Fundada por Diogo Amorim em 2016, um cozinheiro que andou pelo universo da alta cozinha antes de se dedicar à padaria, foi no início deste mês de junho que a precursora da atual vaga de padarias artesanais – em Lisboa e não só – deixou o pequeno espaço inicial, na Rua Prior do Crato, e mudou-se para um antigo armazém de vinho na vizinha Rua Maria Pia, praticamente ao virar da esquina, em Alcântara.

Diogo Amorim na nova GLEBA

Na nova GLEBA, Diogo Amorim faz mais pão... e ainda melhor pão

Ora, o ganhar de escala de uma bem sucedida produção artesanal tem sempre o enorme desafio da manutenção da identidade original do projeto e da sua qualidade inicial.

Algo que o crescimento, infelizmente, nem sempre permite que aconteça. 

Porém, o mais interessante desta mudança de instalações da GLEBA é que o objetivo de Diogo Amorim não foi apenas o de passar a produzir mais pão!

Claro que o objetivo é aumentar e diversificar a produção, de modo a que o «pão verdadeiro» da GLEBA – como Diogo Amorim lhe gosta de chamar – fique mais acessível e chegue a um número cada vez maior de pessoas. 

Contudo, em simultâneo, o objetivo é também passar a fazer ainda melhor pão!

Efetivamente, com esta nova unidade, Diogo Amorim fica mais perto de conseguir fazer o “pão perfeito”, o “pão ideal”, o pão que tem na sua cabeça!

Desde logo, porque mantém inalterados aqueles que sempre foram os pilares do pão de alta qualidade da GLEBA:

– Cereais portugueses, preferencialmente de pequenos agricultores e de variedades tradicionais;

– Moagem feita pela própria GLEBA e em mós de pedra, a fim de obter uma farinha rica e integral;

– Utilização da farinha fresca, ou seja, moída há menos de 24 horas, de modo a ser usada no auge das suas características aromáticas e nutritivas e, também, a dispensar o recurso a corantes e conservantes;

– Fermentação natural, com massa velha, durante mais de 24 horas.

E depois porque – mantendo embora a identidade do pão e a sua natureza artesanal o mais que lhe é possível – introduziu igualmente toda uma série de alterações no processo produtivo que lhe permitem aumentar a consistência e a eficiência da operação.

A mais significativa das quais é a zona das massas passar agora a ser uma sala fechada, com a humidade e a temperatura controladas.

Como é sabido – no pão como no vinho – a fermentação é altamente sensível à temperatura e à humidade exterior.

Pelo que esta inovação da GLEBA representa um enorme avanço!

Deixando de existir qualquer influência das condições climatéricas logo na fase inicial de fermentação do pão – e não apenas na subsequente etapa da câmara de fermentação, como acontecia nas antigas instalações.

O que faz aumentar significativamente a consistência do pão.

Permitindo uma qualidade muito mais constante e uniforme!

Nova GLEBA

Nova GLEBA

A zona das massas é agora uma sala fechada, com a humidade e a temperatura controladas

Mas há outras inovações!

Como o novo forno.

Um forno maior – permitindo aumentar o número diário de fornadas.

Um forno melhor.

E também mais funcional.

Que veio especialmente da República Checa.

E até tem um tapete rolante!

Diminuindo o trabalho manual e dispensando as tradicionais pás.

Nova GLEBA

Nova GLEBA

Nova GLEBA

O novo forno tem um tapete rolante

Novidade, também, é a nova GLEBA ter dois pisos.

No piso superior irão funcionar os escritórios.

E também uma zona privada para os colaboradores da padaria.

Efetivamente, outra das preocupações que Diogo Amorim teve na mudança para o novo espaço foi melhorar as condições de trabalho dos colaboradores da padaria.

Nova GLEBA

Nova GLEBA

Nova GLEBA

Nova GLEBA

O piso superior é uma área privada 

Mas as novidades não se ficam por aqui.

O novo edifício tem um pátio... que Diogo Amorim vai transformar numa esplanada!

Tendo uma porta que dá acesso direto à rua!

Nova GLEBA

Nova GLEBA

O pátio onde irá funcionar a esplanada da GLEBA

Grande novidade na GLEBA é também a cada vez maior diversidade da oferta!

Com novas variedades de pães!

E em diferentes formatos!

Incluindo pães mais pequenos.

Uma aposta, pois, na diversidade de pão que continuará a ser reforçada nos próximos tempos.

E de que é exemplo o lançamento, já nas atuais instalações, de um «pão de alta hidratação» – o novo “Pão de Água” ou “Pão da Avó”.

Nova GLEBA

Nova GLEBA

Cada vez maior variedade de pães

Mas mais!

Diogo Amorim contou igualmente ao Mesa do Chef que vai também apostar forte nos «pães festivos»!

Pães festivos fermentados de forma natural.

Com efeito, no seguimento do sucesso da Regueifa Doce da Páscoa deste ano e da subsequente edição limitada de dois Panettones – um clássico, outro com chocolate – que esgotaram completamente, a GLEBA irá em breve passar a incluir o Panettone na sua habitual oferta de fim de semana.

Porém, as boas notícias não ficam por aqui!

Também haverá excelentes novidades lá mais para o Natal!

Com efeito, Diogo Amorim confidenciou ainda ao Mesa do Chef que este ano, com as novas instalações, a GLEBA já estará finalmente em condições de avançar para a produção... dos seus próprios Bolo-Rei e Bolo-Rainha de fermentação natural!

Nova GLEBA

Nova GLEBA

Não é só na loja da GLEBA que encontramos o pão da GLEBA

Outra linha de atuação da GLEBA que esta nova unidade de produção vem acentuar é o fornecimento de pão a lojas e a restaurantes.

De facto, cada vez mais, não é só na própria  loja da GLEBA que encontramos... o pão único da GLEBA!

Um pão muito rico e saboroso, que Diogo Amorim diz ser «como o das nossas Avós, especialmente quanto à qualidade das matérias-primas e ao sabor, mas adaptado às exigências do século XXI, nomeadamente em termos de segurança, higiene e conforto.» 

Nova GLEBA

Nova GLEBA

Nova GLEBA

Rua Maria Pia

Nova GLEBA

Nova GLEBA

Triste-Feia... by Fulvio Capurso / @fulvietl

Nova GLEBA

Nova GLEBA

Nova GLEBA

As traseiras da nova GLEBA – fazendo ainda falta que a Câmara Municipal de Lisboa ou a Junta de Freguesia da Estrela, após a requalificação da zona, coloquem igualmente pilaretes para combater a falta de civismo do estacionamento selvagem

 

Ver também:

 

Fotografia: Marta Felino e Raul Lufinha

 

GLEBA – Moagem & Padaria
Rua Maria Pia, n.os 2-4, Alcântara, Lisboa, Portugal
Padeiro Diogo Amorim

 

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publicado às 23:03


Partilha de experiências e emoções gastronómicas

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