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Luís Mota Capitão e as parcelas de xisto e de calcário da Herdade do Cebolal

por Raul Lufinha, em 28.03.17

Luís Mota Capitão

Luís Mota Capitão

Para Luís Mota Capitão, a Herdade do Cebolal não é um terroir – são vários!

A localização geográfica contribui, desde logo, para a complexidade do tema. Com efeito, apesar de estar em pleno Alentejo, junto a Santiago do Cacém, a herdade fica no extremo sul da região demarcada da Península de Setúbal – pertence a Setúbal. E, embora seja Alentejo Litoral, está encaixada num vale que a protege dos excessos do Atlântico…!

Mas depois, dentro da própria herdade, há nuances, há microclimas, há diferentes solos…

Ora, para Luís Mota Capitão, o contraste mais acentuado que existe na Herdade do Cebolal é precisamente numa vinha cujo solo não é uniforme – uma parte tem xisto, outra calcário.

O que depois se reflete no produto final.

Daí que, para mostrar a influência do solo no vinho, o enólogo Luís Mota Capitão tenha apostado em fazer dois tintos da mesma vinha... em que tudo é igual exceto o solo.

São ambos da colheita de 2014, maioritariamente Touriga Nacional com Petit Verdot (30%) e Alicante Bouschet (20%), vindimados por casta, com um ano de estágio em barrica usada e agora mais um em garrafa.

E, na verdade, provados os vinhos, são completamente distintos!

O Parcela de Xisto tem um estilo mais Atlântico. O aroma é muito fresco. Está ainda verde, novo, taninoso, rústico. Tem um carácter rebelde. Pede tempo. Mas também já pede comida. Fazendo sentido que o vinho tenha estas características porque o xisto denota uma maior capacidade para reter água, o que gera mais vegetação e contribui para um microclima mais húmido nesta parte da vinha, perto da qual corre uma ribeira.

Já o Parcela de Calcário é o oposto. É um vinho de uma zona quente. Apresentando um teor alcoólico superior. E estando mais elegante, mais pronto. O que acontece também porque o calcário tem tendência para absorver o calor.

Sendo, pois, extremamente interessante provar os vinhos das duas parcelas da mesma vinha... em confronto um com o outro. De modo a sentir-se no copo… a diferença entre os solos!

Contudo, Luís Mota Capitão não se ficou por aqui.

E resolveu levar ainda mais longe o desafio!

Tendo decidido criar um terceiro vinho!

Um terceiro vinho que é um lote dos dois vinhos anteriores, procurando juntar o melhor dos dois mundos. Tem 70% do vinho mais pronto e elegante, o Parcela de Calcário. Mas os 30% do Parcela de Xisto já são suficientes para lhe dar um nariz fresco.

Ora, o que este terceiro vinho mostra, ao juntar a frescura Atlântica ao lado mais quente, é, na verdade, o perfil dos vinhos da Herdade do Cebolal – Setúbal, Alentejo e Atlântico.

Foi este o grande segredo da pré-apresentação dos três vinhos, ainda com rótulos provisórios, no ABRE LATAS, em Lisboa.

Efetivamente, o que Luís Mota Capitão nos está a mostrar é que... a Herdade do Cebolal consiste na junção dos dois perfis, a frescura do Xisto e o calor do Calcário!

Logo, se provarmos os dois primeiros… percebemos melhor o terceiro!

Ou seja, se provarmos isoladamente o Xisto e o Calcário… percebemos melhor a Herdade do Cebolal, que é a união Xisto & Calcário!

Grande prova, Luís!

Herdade do Cebolal

1.º vinho – Parcela de Xisto

Herdade do Cebolal

2.º vinho – Parcela de Calcário

Herdade do Cebolal

3.º vinho – Parcela de Calcário & Parcela de Xisto

 

Ver também:

 

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publicado às 02:11

Santo António

por Raul Lufinha, em 13.06.15

Sardinhas assadas

Sardinhas Assadas...

Na noite de Santo António,

Em cada esquina, um arraial.

Este ano, sardinhas assadas…

… e os brancos do Cebolal.

Luís Mota Capitão

... e o enólogo Luís Mota Capitão, com o Herdade do Cebolal branco 2014 e o Caios branco 2012

 

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publicado às 00:07

Crème brûlée de boletus e trufa branca & Herdade do Cebolal

por Raul Lufinha, em 22.10.14

Luís Mota Capitão

A fechar o jantar vínico que cruzou os vinhos da Herdade do Cebolal com as especialidades do SANTA CLARA DOS COGUMELOS…

… um crème brûlée de boletus… e óleo de trufa branca…

… acompanhado pelo Caios tinto da colheita de 2011, com um estágio de dois anos em madeira.

'Crème brûlée de boletus e trufa branca'

É sempre bom quando o melhor…

... fica para o fim!

 Caios tinto 2011

Fotografias: Marta Felino

SANTA CLARA DOS COGUMELOS | Campo de Santa Clara, Mercado de Santa Clara, 7 - 1º, Lisboa, Portugal | Chef Thalles Nascimento

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publicado às 22:55

Luís Mota Capitão apresenta os vinhos da Herdade do Cebolal

por Raul Lufinha, em 20.05.13

Luís Mota Capitão, enólogo e produtor da Herdade do Cebolal

O enólogo e produtor Luís Mota Capitão fez uma prova comentada dos vinhos da Herdade do Cebolal para a imprensa especializada e bloggers interessados, no CLUBE DE JORNALISTAS, em Lisboa.

A mesa, preparada para a prova

Localizada no litoral alentejano, a 17 km de Santiago do Cacém e no extremo sul da região demarcada da Península de Setúbal, a Herdade do Cebolal tem 23 hectares de vinha num vale que lhe garante um microclima único – e vinhos de terroir.

Alguns dos vinhos em prova

No total, Luís Mota Capitão deu a provar e comentou 13 vinhos:

Herdade do Cebolal, branco, 2011. Fernão Pires, Antão Vaz, Roupeiro e Arinto. Potencial de evolução em garrafa. Gastronómico. Muita frescura e acidez.

Várias garrafas de Herdade do Cebolal e Caios

Herdade do Cebolal, branco, 2010. Só Fernão Pires e Roupeiro. Potencial de evolução em garrafa. Mais volume de boca do que o de 2011.

Luís Mota Capitão dando a provar uma das surpresas da noite

Rosé, 2012. Touriga Nacional e Aragonês. Uma das grandes surpresas da prova. Não é um subproduto, nem um aproveitamento de restos, como muitos rosés que existem no mercado – é produzido com uvas nobres que são desviadas do vinho tinto para fazer rosé. Muito interessante e gastronómico. Aliás, como explicou o enólogo, «não é um rosé docinho», diferenciando-se antes pela elevada acidez e frescura. Irá ser comercializado ainda este ano.

Caios, branco, 2010 (ao centro)

Caios, branco, 2010. Arinto e Antão Vaz. Gastronómico. Três meses em carvalho francês, barricas novas. Branco gordo e com acidez.

Caios, branco, 2009

Caios, branco, 2009. Feito da mesma forma que o anterior. Com menos acidez, em virtude de 2009 ter sido um ano mais quente.

Luís Mota Capitão, durante a apresentação

Caios, branco, 2008. Também Arinto e Antão Vaz. Tal como os Caios anteriores, é um branco de guarda. Notando-se a evolução em garrafa. Muito gastronómico. Um grande vinho. Para ocasiões especiais.

Vale das Éguas, tinto, 2010

Vale das Éguas, tinto, 2010. Alicante Bouschet e Aragonês. Sem madeira. Vinho muito ligado à região: frescura e acidez, por estar perto do mar. Vinho de terroir.

Herdade do Cebolal, tinto, 2011

Herdade do Cebolal, tinto, 2011. Alicante Bouschet, Castelão e Aragonês. Com acidez bem marcada. E potencial para evoluir em garrafa.

Isabel e Luís Mota Capitão, 4ª e 5ª gerações da Herdade do Cebolal

Herdade do Cebolal, tinto, 2010. Alicante Bouschet, Castelão e Aragonês. Com madeira. E com menos acidez do que o anterior.

Herdade do Cebolal, tinto, 2008. Alicante Bouschet e Aragonês. Dos três Herdade do Cebolal tinto, é o mais maduro e o que está na fase mais perfeita de evolução.

Caios, tinto, 2008 e Caios, branco, 2009

Caios, tinto, 2008. Cabernet Sauvignon, Trincadeira, Castelão e Alicante Bouschet. Como todos os Caios, só são produzidos em anos de excepcional qualidade. Vinhas com uma média de idade de 25 anos.

A antiga imagem dos vinhos da Herdade do Cebolal (1995)

Herdade do Cebolal – Alicante Bouschet, tinto, 2012. Uma aposta pessoal do enólogo Luís Mota Capitão, este monocasta foi outra das surpresas da prova. A sua produção teve como objectivo identificar a casta que melhor se adequava ao terroir e depois retirar dela o melhor que ela tem: cor, aroma, volume de boca, acidez. Ainda sem data para comercialização. Um grande vinho em perspectiva. Raro.

Luís Mota Capitão, o novo rosto da Herdade do Cebolal

Caios, tinto, 2011. Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Merlot e Petit Verdot. Um vinho que ainda está em barrica e só irá ser comercializado em meados de 2014. Muita acidez. Desde já se percebe que será um vinho notável. A prova fechou em grande.

Fotografias: Marta Felino / Flash Food

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publicado às 02:36


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